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Estudo revela distância entre estratégia e investimento em IA nas empresas

Pesquisa da Skyone e da MIT Technology Review Brasil revelou que 99% das empresas entendem o papel da IA, porém não dispõem de orçamento para implementar a tecnologia.

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Estudo revela distância entre estratégia e investimento em IA nas empresas

A IA já ocupa posição estratégica na agenda corporativa brasileira, mas a transformação dessa visão em iniciativas estruturadas ainda enfrenta obstáculos. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Skyone em parceria com a MIT Technology Review Brasil, que investigou o estágio de adoção de agentes de inteligência artificial e a preparação das empresas para operar equipes formadas por profissionais e sistemas inteligentes.

O levantamento mostra que 99% dos entrevistados acreditam que os agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos. Apesar disso, 57% afirmam que suas organizações ainda não possuem orçamento dedicado à área. Os dados evidenciam uma diferença significativa entre as expectativas em relação à tecnologia e a capacidade das empresas de implementá-la de forma estruturada.

O estudo e a relação da IA nas empresas

Segundo a pesquisa, 74% das organizações estão em estágio inicial ou intermediário de adoção da inteligência artificial. Além disso, 59% dos participantes afirmam que suas empresas não estão preparadas para operar equipes híbridas compostas por humanos e sistemas de IA nos próximos 12 meses. O mesmo percentual considera que a infraestrutura tecnológica atual não é suficiente para sustentar iniciativas robustas de inteligência artificial em larga escala.

O estudo integra a Special Edition “A Nova Força de Trabalho Híbrida”, publicação da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Skyone. A edição aborda as mudanças provocadas pela incorporação de assistentes generativos, copilotos, automações inteligentes e agentes autônomos ao ambiente corporativo.

Para Felipe Wasserman, diretor de Marketing e Growth da Skyone, a discussão sobre inteligência artificial passou a envolver aspectos que vão além da tecnologia. “A discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser operacional e humana. O desafio agora é entender como combinar pessoas e agentes inteligentes de forma que cada um potencialize o melhor do outro”, afirma.

Os resultados indicam que uma das principais dificuldades para ampliar o uso de agentes de IA está relacionada à integração entre áreas e sistemas. Entre os entrevistados, 40% apontam a integração organizacional como principal barreira para escalar projetos de inteligência artificial. Além disso, 46% afirmam que ainda trabalham em estruturas marcadas por silos ou sem uma dinâmica claramente definida entre áreas de negócio e tecnologia.

A infraestrutura também aparece como um fator limitante. De acordo com o levantamento, 59% das empresas não possuem base tecnológica considerada adequada para sustentar iniciativas robustas de IA em escala.

Expectativa e realidade da tecnologia

A pesquisa destaca ainda uma discrepância entre expectativas e realidade tecnológica. Entre as organizações que operam predominantemente com infraestrutura local, 47% projetam que agentes de IA serão capazes de executar processos completos nos próximos três anos, apesar das limitações atuais identificadas pelos próprios participantes.

Nos últimos 12 meses, a inteligência artificial foi apontada por 53% dos entrevistados como a tecnologia que mais impactou o ambiente de trabalho. No entanto, a adoção ainda ocorre de forma fragmentada em muitas organizações.

A formação de equipes híbridas também aparece como um dos principais desafios. Segundo o estudo, a implementação bem-sucedida de agentes de IA exige não apenas investimento em tecnologia, mas também mudanças na estrutura organizacional, capacitação de profissionais e preparação das lideranças para supervisionar e orientar o trabalho realizado por sistemas inteligentes.

Os dados mostram que 41% das empresas priorizam especialistas técnicos em suas iniciativas de inteligência artificial. Em contrapartida, apenas 24% atribuem a mesma importância a profissionais ligados à gestão da mudança, adoção tecnológica e transformação cultural. O resultado sugere que parte das organizações ainda concentra seus esforços na dimensão técnica da IA, sem dedicar atenção equivalente aos aspectos organizacionais.

Outro dado relevante está relacionado aos objetivos dos investimentos. A pesquisa aponta que 46% das empresas investem em inteligência artificial com foco principal em produtividade. Já apenas 14% utilizam o retorno sobre investimento como principal indicador para avaliar os resultados das iniciativas, o que pode indicar a ausência de métricas claramente definidas para mensurar impactos e benefícios.

Para Wasserman, a maturidade na adoção da tecnologia depende de fatores estruturais. “Não basta implementar a tecnologia. É preciso ter estrutura e organização para utilizá-la. Se os dados e as informações que alimentam os sistemas estiverem errados, os resultados também estarão. “A maturidade real depende menos do encanto com a ferramenta e mais da qualidade da informação, da integração dos sistemas e da disciplina operacional”, afirma.

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