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Canetas emagrecedoras chegam a R$ 4 mil nas farmácias brasileiras, diz pesquisa
Levantamento da InfoPrice analisou as maiores marcas das canetas emagrecedoras e constatou gastos de até 4 mil reais em algumas ocasiões.
Os medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras continuam entre os produtos de maior valor no varejo farmacêutico brasileiro. Levantamento realizado pela InfoPrice identificou preços que variam de R$ 649,50 a R$ 4.006,82 para medicamentos da classe GLP-1 comercializados no país entre março e maio de 2026.
A pesquisa monitorou produtos das marcas Mounjaro, Ozempic e Wegovy em 13.392 farmácias pertencentes a 924 redes varejistas. Ao todo, foram analisadas 6,27 milhões de capturas de preços obtidas por meio de aplicativos e sites das redes, pontos de venda físicos, aplicativos de entrega e notas fiscais eletrônicas. Segundo a metodologia utilizada, os dados refletem os valores efetivamente pagos pelos consumidores.
Os resultados consolidados mostram uma ampla dispersão de preços no mercado brasileiro. Considerando todas as marcas e dosagens avaliadas, o preço médio registrado no período foi de R$ 1.731,36. Já o valor mais frequente encontrado foi de R$ 999,00.
Entre os indicadores analisados, o quartil inferior (P25) ficou em R$ 1.514,81, enquanto o quartil superior (P75) alcançou R$ 1.889,34. O menor preço registrado durante o trimestre foi de R$ 649,50 para o Wegovy 0,25 mg. Na outra ponta, o maior valor encontrado foi de R$ 4.006,82 para o Mounjaro 25 mg.
Canetas emagrecedoras: Mounjaro é a mais cara
De acordo com o levantamento, o Mounjaro aparece nas faixas mais elevadas de preço entre os medicamentos analisados. As quatro dosagens com maior preço médio pertencem à linha de tirzepatida: 30 mg, 25 mg, 20 mg e 15 mg.
O Mounjaro 25 mg registrou o maior preço identificado pela pesquisa, chegando a R$ 4.006,82 por unidade. O Wegovy 2,4 mg aparece como o produto de semaglutida com maior preço médio. Já os medicamentos Ozempic e as dosagens iniciais do Wegovy ocupam as posições com preços médios inferiores a R$ 1.500.
O estudo também destaca a liderança do Mounjaro no segmento de medicamentos GLP-1. Segundo projeções do UBS BB citadas pela InfoPrice, a tirzepatida deve representar aproximadamente 57% do mercado brasileiro da categoria em 2026, enquanto a semaglutida, somando Ozempic e Wegovy, responderia por cerca de 43%.
Além disso, desde agosto de 2025, o Mounjaro detinha 49,6% de participação nas vendas de GLP-1 em farmácias brasileiras, posição que, segundo os dados coletados no primeiro semestre de 2026, foi mantida.
Diferenças entre os canais de venda
A análise dos diferentes canais de comercialização apontou variações significativas nos preços praticados. Os aplicativos de entrega registraram os valores mais elevados para praticamente todos os 13 produtos monitorados.
Por outro lado, as notas fiscais eletrônicas concentraram os menores preços observados no período. Nas dosagens mais altas do Mounjaro, a diferença entre os canais de venda ultrapassou R$ 1.000 por unidade. Já os preços encontrados em lojas físicas e nos aplicativos ou sites próprios das redes farmacêuticas ficaram em níveis intermediários e próximos entre si.
Preços das canetas emagrecedoras ao longo do trimestre
O acompanhamento semanal do Mounjaro 2,5 mg mostrou oscilações ao longo dos três meses analisados. No início de março, o preço médio era de aproximadamente R$ 1.706. Duas semanas depois, em 16 de março, o produto atingiu o menor patamar do período, com cerca de R$ 1.654.
Na sequência, houve recuperação dos valores, com um primeiro pico em 30 de março, quando o preço médio alcançou R$ 1.782. O maior valor do trimestre foi registrado em 20 de abril, chegando a R$ 1.800. Após esse período, os preços passaram por retração gradual durante maio.
No encerramento da série, em 25 de maio, o medicamento registrava preço médio de R$ 1.722, próximo ao observado no início do monitoramento.
Concorrência e cenário regulatório
O mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 passa por mudanças relevantes. Em março de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a extensão da patente da semaglutida à Novo Nordisk, abrindo espaço para a entrada de versões genéricas no país.
Segundo análise do Itaú BBA mencionada pela InfoPrice, a ampliação da concorrência poderá provocar redução de 30% a 50% nos preços de referência da semaglutida nos próximos 12 a 18 meses.
Laboratórios nacionais já iniciaram movimentos nesse mercado. A EMS lançou os produtos Olire e Lirux, enquanto a Eurofarma colocou no mercado os medicamentos Poviztra e Extensior. A capacidade estimada de produção das empresas é de 750 mil canetas por mês.
Outra mudança relevante envolve a regulamentação da venda desses medicamentos. Desde abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige a retenção da receita médica para a dispensação de canetas GLP-1 nas farmácias.
Para Paulo Garcia Neto, CEO da InfoPrice, o acompanhamento dos preços ajuda a entender as transformações do setor. “O monitoramento contínuo de preços em mais de 13 mil pontos de venda permite compreender com precisão como fatores regulatórios, entrada de concorrentes e variações regionais impactam o bolso do consumidor. No caso dos GLP-1, estamos diante de um mercado em rápida transformação”, afirma.
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