China Innovation Tour
SKP: como a rede de lojas de departamento de luxo mais rentável da China reinventou a experiência de compra
Beijing SKP superou Harrods em faturamento em 2020. SKP-S redefiniu o varejo experiencial de luxo com instalações imersivas integradas ao produto
O SKP é uma rede de lojas de departamento de luxo sob gestão do Beijing Hualian Group. A primeira unidade abriu em Pequim em 2007, no bairro de Guomao, voltada ao segmento de alta renda. Em 2020, o Beijing SKP ultrapassou a Harrods, de Londres, em volume de vendas, e virou a loja de departamentos mais rentável do mundo naquele ano. Em 2021, o faturamento chegou a RMB 23,9 bilhões, posição de topo no ranking nacional de shoppings, segundo levantamento da West South Cloud.
A rede opera em Beijing, Xi’an, Chengdu e Wuhan. O SKP Wuhan abriu em julho de 2024, num espaço de 150 mil metros quadrados com mais de mil marcas internacionais. Em 2025, o grupo cresceu 18% nas vendas acumuladas do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2024.
O que é o SKP-S
O SKP-S é o formato conceitual da rede, desenvolvido com a Gentle Monster, marca de eyewear e instalações artísticas. A proposta une varejo de luxo, curadoria de arte e design de interiores imersivo em um único espaço. O SKP-S de Beijing, inaugurado em 2019 pelo escritório britânico Sybarite, gira em torno do tema vida e comércio no planeta Marte: túneis de vidro dicroico, ambientes em formato de domo, escadas rolantes infinitas e intervenções artísticas integradas às vitrines das marcas.
O projeto virou referência internacional em varejo experiencial. A premissa central é medir a experiência por metro quadrado, não só a receita por metro quadrado, o que desafia os parâmetros convencionais de avaliação de performance em varejo de luxo.
O escritório Sybarite descreveu o SKP-S de Beijing como a loja de departamentos do futuro, projetada para o presente. O conceito propõe que o ambiente físico da loja pese tanto quanto os produtos que ela abriga, e que a experiência espacial seja parte da proposta de valor da marca varejista.
Curadoria de marcas e modelo de negócio
O SKP se distingue de outros shoppings de luxo pela forma de operar. Em vez de alugar espaços para marcas atuarem de forma independente, o grupo mantém compradores especializados que selecionam e precificam produtos de marcas nacionais e internacionais, incluindo labels de nicho que não teriam acesso a um mall convencional. Essa curadoria ativa coloca o SKP na posição de editor, não só de locador de espaço.
O modelo permite posicionar marcas locais ao lado de internacionais com apresentação equivalente, criando uma oferta diferenciada no mercado de departamentos de luxo chinês. O DT51, spinoff do Beijing SKP voltado a consumidores de médio-alto padrão, foi separado em 2025 e integrado a outra estrutura do grupo.
Expansão e performance recente
Em 2024, o Beijing SKP teve queda estimada de 17% na receita, RMB 22 bilhões, reflexo do arrefecimento do mercado de luxo na China continental naquele ano. A queda colocou o Nanjing Deji Plaza como a loja de maior faturamento do país, com RMB 24,5 bilhões. A recuperação veio no ano seguinte, com crescimento de 18% no primeiro trimestre, sinal de retomada do consumo de luxo no país.
O Xi’an SKP, projetado pelo mesmo escritório Sybarite, ocupa 250 mil metros quadrados em 20 andares, quase três vezes o tamanho da Harrods, com mais de mil marcas globais, espaços de eventos em múltiplos andares, cinemas boutique, restaurantes e terraço jardim.
O que o modelo SKP revela para o varejo brasileiro
A trajetória do SKP traz dois aprendizados para quem trabalha com varejo. O primeiro é sobre curadoria ativa: lojas de departamentos que funcionam como editores de produto, não só como locadoras, constroem vantagens competitivas difíceis de replicar. O segundo é sobre experiência espacial: em mercados onde o e-commerce cresce rápido, a loja física precisa oferecer algo que a tela não oferece. O SKP-S é um dos experimentos mais radicais nessa direção.
Perguntas frequentes
O que é o SKP? É uma rede de lojas de departamento de luxo sob gestão do Beijing Hualian Group, com a primeira unidade aberta em Pequim em 2007. Em 2020, o Beijing SKP ultrapassou a Harrods, de Londres, em volume de vendas, e em 2021 faturou RMB 23,9 bilhões, o maior volume entre lojas de departamento do mundo naquele ano, segundo levantamento da West South Cloud. A rede opera hoje em Beijing, Xi’an, Chengdu e Wuhan.
O que diferencia o SKP-S do SKP convencional? O SKP-S é o formato conceitual da rede, desenvolvido em parceria com a Gentle Monster, marca de eyewear e instalações artísticas. A proposta une varejo de luxo, curadoria de arte e design imersivo em um único espaço, com o objetivo declarado de medir a experiência por metro quadrado, e não só a receita por metro quadrado, o que desafia os parâmetros convencionais de avaliação de performance em varejo de luxo.
O SKP tem lojas fora de Pequim? Sim. A rede opera em Xi’an, Chengdu e Wuhan, todas abertas após 2019. O SKP Wuhan abriu em julho de 2024, com 150 mil m² e mais de mil marcas internacionais. O Xi’an SKP, projetado pelo escritório britânico Sybarite, ocupa 250 mil metros quadrados em 20 andares, quase três vezes o tamanho da Harrods, com espaços de eventos, cinemas boutique, restaurantes e terraço jardim.
Como o modelo de curadoria do SKP funciona? Em vez de só alugar espaço para marcas atuarem de forma independente, o SKP mantém compradores especializados que selecionam e precificam produtos de marcas nacionais e internacionais, incluindo labels de nicho que não teriam acesso a um mall convencional. Esse modelo de curadoria ativa posiciona o SKP como editor de produto, e não apenas como locador de espaço, segundo análise do próprio grupo sobre sua operação.
Como foi a performance recente do Beijing SKP? Em 2024, o Beijing SKP teve queda estimada de 17% na receita, para RMB 22 bilhões, reflexo do arrefecimento do mercado de luxo chinês naquele ano, o que colocou o Nanjing Deji Plaza na liderança nacional, com RMB 24,5 bilhões. A recuperação veio em 2025, com crescimento de 18% no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2024, sinal de retomada do consumo de luxo no país.
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Imagem: Reprodução
