China Innovation Tour
BYD: como a maior fabricante de elétricos do mundo verticalizou toda a cadeia produtiva
Montadora chinesa vendeu 4,6 milhões de veículos em 2025, superou a Tesla e avança no varejo automotivo brasileiro com fábrica na Bahia
A BYD entregou 4,6 milhões de veículos em 2025, aumento de 7,7% sobre 2024, segundo comunicado da própria montadora divulgado em 1º de janeiro de 2026. O volume ultrapassa a Tesla e coloca a BYD como maior fabricante de veículos elétricos do mundo, segundo a Bloomberg.
Mais de 1 milhão dessas unidades foram entregues fora da China em 2025. Entre janeiro e setembro, as vendas internacionais da BYD cresceram 132% sobre o mesmo período de 2024, segundo balanço da companhia.
A BYD (Build Your Dreams) foi fundada em 1995, com sede em Shenzhen.
A empresa opera de forma verticalizada. Domina tecnologias como a Blade Battery, a plataforma híbrida DM-i e semicondutores automotivos próprios, segundo material institucional da companhia.
Desde março de 2022, a BYD parou de produzir carros movidos só a combustão. A produção se concentra em veículos elétricos a bateria e híbridos plug-in.
A companhia opera fábricas em mais de 70 países e regiões, segundo dados divulgados pela empresa. Além de carros de passeio, o portfólio inclui ônibus e caminhões elétricos.
Esses modelos são usados em programas de eletrificação de frotas públicas em várias cidades do mundo, incluindo linhas de transporte coletivo testadas em capitais da América Latina e da Europa.
Como a BYD ultrapassou a Tesla em 2025
No acumulado de 2025, a BYD vendeu 1,61 milhão de veículos elétricos a bateria no mundo, à frente dos 1,22 milhão registrados pela Tesla até setembro, segundo análise da Razão Automóvel com base em dados das duas companhias.
A vantagem da BYD cresce por dois fatores. O primeiro é o portfólio: a empresa vende tanto elétricos puros quanto híbridos plug-in, o que amplia o público endereçável.
O segundo é a expansão internacional. A meta de dobrar as vendas fora da China foi cumprida antes do previsto em 2025, segundo a companhia.
Uma análise do Citigroup projetou vendas de 4,67 milhões de unidades em 2025 e 5,39 milhões em 2026 para a BYD, impulsionadas pela linha premium, pelos híbridos plug-in e pela expansão internacional.
A verticalização como vantagem competitiva
A BYD nasceu em 1995 como fabricante de baterias recarregáveis, antes de entrar no setor automotivo em 2003. Essa origem explica por que a empresa controla etapas da cadeia que rivais terceirizam.
A tecnologia Blade Battery, lançada em 2020, reorganiza as células da bateria para ganhar espaço interno e reduzir o risco de superaquecimento, segundo a companhia. O sistema DM-i combina motor a combustão e elétrico com prioridade para o modo elétrico na maior parte do uso urbano.
A fabricação própria de semicondutores automotivos reduz a exposição da BYD a gargalos de fornecimento que afetaram outras montadoras durante a pandemia. Esse controle de cadeia é citado por analistas como um dos fatores que sustentam a margem da empresa em um mercado de preços agressivos.
A operação da BYD no Brasil
A BYD vendeu mais de 100 mil veículos elétricos e híbridos no Brasil em 2025, crescimento de mais de 30% sobre as mais de 76 mil unidades vendidas em 2024, segundo dados divulgados pela própria montadora.
Em dezembro de 2025, o BYD Song foi o carro mais vendido no varejo brasileiro naquele mês, com 6.733 unidades, à frente do VW Tera e do Hyundai Creta, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Foi a primeira vez que um modelo eletrificado liderou as vendas de varejo no país em um mês, segundo a mesma fonte.
No acumulado do ano, o BYD Song foi o sexto carro mais vendido no varejo brasileiro, com 38.265 unidades. O país registrou mais de 224 mil vendas totais de veículos elétricos em 2025, recorde para o setor, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico).
A montadora abriu fábrica em Camaçari, na Bahia, onde já monta localmente parte dos modelos vendidos no país.
A unidade também passou a oferecer modalidade de venda direta para pequenos e microempresários, taxistas e pessoas com necessidades especiais, com isenção de IPI e ICMS prevista em programas do governo para veículos elétricos, segundo a companhia.
Para a rede de concessionárias brasileira, a chegada da BYD reorganizou o ranking de marcas mais vendidas no varejo automotivo em menos de quatro anos, disputando espaço historicamente ocupado por montadoras como Fiat, Volkswagen e Chevrolet, segundo dados da CNN Brasil baseados em levantamentos setoriais.
Desafios da BYD e do mercado chinês para 2026
A perspectiva para o mercado chinês em 2026 é mais difícil. O governo chinês está reduzindo incentivos que sustentaram as compras de veículos elétricos, segundo reportagem da Bloomberg.
A concorrência doméstica também aumenta. A Geely e a Xiaomi lançam modelos com atualização tecnológica rápida, disputando os mesmos consumidores da BYD na China.
Para o varejo automotivo brasileiro, a trajetória da BYD ilustra como uma fabricante entrante conquistou posição no ranking nacional de vendas em menos de quatro anos de operação, apoiada em produção local, precificação competitiva e portfólio adaptado ao mercado brasileiro.
Perguntas frequentes
Qual é o tamanho da BYD no mercado global de veículos elétricos?
A BYD entregou 4,6 milhões de veículos em 2025, aumento de 7,7% sobre 2024, segundo comunicado da montadora. O volume tornou a empresa a maior fabricante de veículos elétricos do mundo, à frente da Tesla, segundo a Bloomberg.
Mais de 1 milhão de unidades foram vendidas fora da China no ano, com crescimento de 132% nas exportações entre janeiro e setembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024.
Como a BYD se diferencia de outras montadoras de elétricos?
A BYD verticaliza boa parte da cadeia produtiva. A empresa desenvolve suas próprias baterias, com a tecnologia Blade Battery, motores elétricos, controladores eletrônicos e semicondutores automotivos, segundo material institucional da companhia.
Essa integração reduz a dependência de fornecedores externos e permite à montadora ajustar custo e produção com mais controle do que rivais que compram componentes críticos de terceiros.
Como está a operação da BYD no Brasil?
A BYD vendeu mais de 100 mil veículos elétricos e híbridos no Brasil em 2025, crescimento de mais de 30% sobre 2024, segundo a própria montadora.
Em dezembro, o BYD Song liderou as vendas de varejo no país pela primeira vez entre os modelos eletrificados, com 6.733 unidades, segundo a Fenabrave. A empresa também opera fábrica em Camaçari, na Bahia.
Por que 2026 traz mais dificuldades para a BYD na China?
O governo chinês reduziu parte dos incentivos que sustentaram as compras de veículos elétricos no país, segundo reportagem da Bloomberg.
A concorrência doméstica também aumenta, com a Geely e a Xiaomi lançando modelos com atualização tecnológica rápida. Analistas do Citigroup ainda projetam crescimento para a BYD em 2026, mas em ritmo percentual menor do que o registrado em anos anteriores.
Desde quando a BYD produz só veículos elétricos e híbridos?
A BYD parou de fabricar carros movidos só a combustão em março de 2022, quando concentrou a produção em veículos elétricos a bateria e híbridos plug-in, segundo a companhia.
Fundada em 1995 em Shenzhen, a montadora hoje opera fábricas e centros de pesquisa em mais de 70 países e regiões, incluindo a unidade brasileira em Camaçari, na Bahia.
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O China Innovation Tour 2026 inclui visita técnica à BYD, entre 13 e 25 de novembro de 2026.

Imagem: Divulgação/BYD
