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Varejo amplia serviços financeiros diante de juros altos e pressão sobre o caixa

Redes varejistas buscam crédito, meios de pagamento e antecipação de recebíveis para diversificar receitas e reduzir a dependência de instituições financeiras

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O varejo brasileiro mantém crescimento, mas enfrenta um cenário de juros altos e pressão sobre as margens. Em junho, as vendas do comércio avançaram 0,5% ante maio e 2,9% na comparação anual.

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro semestre de 2026, o setor acumulou alta de 1,9%. Em 12 meses, o avanço chegou a 1,6%.

O crescimento ocorre enquanto parte das empresas enfrenta dificuldades financeiras. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo citado no material, grandes varejistas brasileiros reestruturaram mais de R$ 68 bilhões em dívidas nos últimos dois anos.

O crédito ao consumidor continua relevante para sustentar as vendas. Em junho, quatro das oito atividades pesquisadas pelo IBGE registraram crescimento.

Entre elas, móveis e eletrodomésticos avançaram 0,4%. Artigos de uso pessoal e doméstico tiveram alta de 2,4%.

Nesse ambiente, algumas empresas passaram a ampliar a atuação em serviços financeiros. A estratégia envolve alternativas de crédito, meios de pagamento e antecipação de recebíveis.

Crédito no varejo: por que essa estratégia cresce?

A utilização de serviços financeiros pode funcionar como uma extensão da operação comercial. O objetivo é ampliar as possibilidades de financiamento das vendas e criar novas fontes de receita.

O modelo também aproveita a relação já existente entre varejistas e consumidores. Histórico de compras e informações sobre comportamento podem contribuir para a estruturação de soluções financeiras.

Para a Bankme, empresa de tecnologia financeira especializada em crédito estruturado e gestão de liquidez para médias empresas, essa estratégia pode aumentar a autonomia financeira das companhias.

“O varejo possui relacionamento recorrente com clientes, grande histórico de compras e conhecimento sobre o comportamento de consumo. A questão é transformar essa proximidade em uma estrutura financeira que também gere valor para a empresa”, afirma André Bravo, da Bankme.

A proposta também busca diminuir a dependência exclusiva de instituições tradicionais em determinadas operações.

Ao estruturar soluções próprias, as empresas podem ter maior controle sobre recursos que circulam dentro do ecossistema do negócio.

Pressão no caixa

O acesso ao capital continua entre os principais desafios das médias empresas. Pesquisa da Fundação Dom Cabral, divulgada pela CNDL, mostrou queda de 4,3 pontos no Índice de Confiança das Médias Empresas no primeiro semestre de 2025.

O indicador chegou a 44,4 pontos, abaixo da marca de 50 pontos que sinaliza falta de confiança no ambiente de negócios.

No comércio, o índice ficou em 42,5 pontos, quatro pontos abaixo do registrado no semestre anterior.

O levantamento também apontou redução na intenção de reinvestimento. No comércio, a previsão de recursos destinados a reinvestimentos caiu de 3,98% do faturamento bruto anual no segundo semestre de 2024 para 1,99% em 2025.

A pesquisa ouviu representantes de 616 empresas de médio porte, sendo 80 do comércio. Custos operacionais e condições econômicas estavam entre as preocupações apontadas.

Nesse cenário, estruturas financeiras ligadas à própria operação podem ser consideradas por empresas que possuem recebíveis recorrentes.

A antecipação desses valores pode aumentar a disponibilidade de capital para a operação. Soluções de crédito também podem ampliar as opções de pagamento oferecidas aos consumidores.

“Quando o varejista consegue oferecer uma solução financeira adequada ao seu cliente e, ao mesmo tempo, melhorar sua própria estrutura de capital, ele cria uma relação mais recorrente e pode capturar valor em diferentes etapas da jornada de compra”, explica Bravo.

Crédito no varejo muda a estratégia das empresas?

A expansão dos serviços financeiros ocorre em meio a mudanças no modelo tradicional de varejo. Além dos juros, as empresas enfrentam a concorrência do comércio eletrônico e alterações no comportamento dos consumidores.

As redes também precisam administrar custos relacionados às estruturas físicas e ao financiamento das compras.

Nesse contexto, os serviços financeiros passam a integrar a estratégia de algumas empresas. A intenção é complementar a venda de produtos com soluções voltadas a outras etapas da relação com o consumidor.

As operações podem envolver crédito, pagamentos e recebíveis. Para empresas com uma base consolidada de clientes, essas atividades representam possibilidades adicionais de geração de receita.

Segundo a Bankme, a área financeira tende a ocupar uma posição mais estratégica dentro das empresas varejistas.

A combinação entre produtos e serviços financeiros pode contribuir para ampliar a recorrência das relações comerciais e diversificar as fontes de receita.

O movimento também está relacionado à busca por maior previsibilidade financeira. Com crédito mais caro e pressão sobre o caixa, empresas procuram alternativas para administrar os recursos necessários à operação.

Nesse cenário, a estrutura financeira deixa de atuar apenas como suporte às vendas e passa a integrar a estratégia comercial de determinadas empresas.

A combinação entre varejo e serviços financeiros ocorre, portanto, em um momento de crescimento moderado das vendas e de maior atenção aos custos de capital.

Para as empresas, o desafio é equilibrar o financiamento do consumo, a preservação do caixa e a busca por novas formas de monetizar o relacionamento com os clientes.

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Imagem: Magnific


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