Marketing

CEO da NP Digital revela o que faz uma IA recomendar uma marca em vez de outra

Em entrevista exclusiva à Central do Varejo, executivos da NP Digital explicam como estruturar catálogos e dados para marcas D2C serem recomendadas por LLMs

Publicado

on

SEO para IA

Rafael Mayrink, CEO da NP Digital, e Rafael Marques Cavalcante, diretor de marketing da empresa, afirmam que marcas de venda direta ao consumidor (D2C) precisam investir em SEO para IA, reorganizando dados de produto e reputação online para serem recomendadas por assistentes de inteligência artificial. A avaliação foi dada em entrevista exclusiva à Central do Varejo.

Por que o SEO para IA virou prioridade na NP Digital

Segundo Mayrink, a mudança no comportamento de busca já era observada pela NP Digital antes da chegada das ferramentas de IA generativa ao mercado. O executivo cita a posição zero do Google, recurso que passou a responder buscas diretamente no mecanismo, como primeiro sinal de queda de tráfego para sites.

Para Mayrink, esse movimento se intensificou com o lançamento de assistentes como o Gemini, que passaram a entregar respostas mais completas ao usuário. “A gente entendeu que isso aqui é o caminho”, afirma o executivo sobre a decisão de adaptar o SEO da empresa há cerca de cinco anos, antes da adoção em massa da IA generativa pelo mercado.

Estudo da NP Digital aponta conversão até 8,3 vezes maior via IA

“A gente tem oito vezes mais conversões, possibilidade de conversão de um cliente que chega por IA do que chega por Google”, afirma Marques Cavalcante. Segundo ele, quem chega a um site por recomendação de IA converte mais porque chega pré-qualificado, com decisão de compra mais próxima de ser tomada.

Um estudo da NP Digital, divulgado em junho de 2026 com dados agregados de 60 campanhas de clientes B2B e B2C, mostra que visitantes referenciados por IA convertem a uma taxa de 5,97%, contra 0,72% do tráfego tradicional, uma diferença de 8,3 vezes.

O levantamento aponta ainda tempo de conversão 62% mais rápido, três dias contra oito dias, e receita por visitante de US$ 18,04, ante US$ 2,56 do tráfego tradicional.

SEO para IA: o que muda no catálogo para ser recomendado por um agente

Para ser lida e recomendada por um agente de IA, uma marca precisa antes ser compreendida por ele, segundo Mayrink. “Se ela não te entender, ela não te recomenda”, afirma o executivo, que aponta a nomenclatura consistente de SKUs em toda a jornada do site como primeiro requisito.

Depois da estruturação de dados, o segundo critério que a IA avalia é a confiança na marca, afirma Mayrink. Segundo ele, esse critério não se limita aos canais controlados pela empresa e inclui redes sociais, avaliações de terceiros e menções em fóruns como o Reddit.

Mayrink afirma que, cumpridos esses critérios, a IA costuma apresentar ao usuário uma lista curta de recomendação, de três a cinco marcas. Marcas fora dessa lista, segundo o executivo, dificilmente chegam ao conhecimento do consumidor nesse tipo de busca.


Case Pichau: receita vinda de IA cresce 101% em seis meses

O executivo cita o case da Pichau, e-commerce de produtos para games, para ilustrar o argumento. Segundo ele, a marca já tinha presença relevante no mercado, mas não aparecia como referência nas respostas de assistentes de IA sobre qual PC gamer comprar.

Essa posição era ocupada por players como KaBuM!, Amazon e Mercado Livre, favorecidos por anos de dados e sinais acumulados que os transformaram em referência para os LLMs.

O desafio da Pichau era ampliado pelo tamanho do catálogo, com milhares de SKUs e especificações atualizadas com frequência.

A isso se somava uma jornada de compra de ticket mais alto, com pesquisa, comparação e avaliação de produto antes da conversão.

Segundo a NP Digital, a receita da Pichau originada em buscas por IA cresceu 101% em seis meses, na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o segundo semestre de 2025.

A estratégia aplicada, batizada de Search Everywhere Otimization pela NP Digital, combina SEO tradicional com GEO e iniciativas de conteúdo e autoridade, segundo a empresa.

Entre as ações, a NP Digital cita reescrita de páginas de categoria e produto e criação de FAQs contextuais no formato consumido por mecanismos generativos.

A operação também integrou conteúdo de blog às páginas comerciais, eliminou páginas órfãs por revisão de linkagem interna e automatizou a estruturação de dados de SKUs.

Auditorias contínuas passaram a monitorar erros que bloqueiam a leitura do site por LLMs, além de ações de menção e link em veículos especializados de tecnologia e games, segundo a NP Digital.

“Quem embarcar agora vai conseguir alcançar esses ranques de recomendação rápido”, afirma Mayrink sobre a janela de oportunidade atual para marcas que já estruturam esses dados.

Marques Cavalcante afirma que esse tipo de reorganização de catálogo tende a ser uma atribuição mais próxima da área de produto do que da área de marketing. “É uma ação muito integrada de marketing e produto”, diz o executivo.

Quando duas marcas vendem o mesmo tipo de produto, afirma Mayrink, a IA recomenda a que tiver dados mais organizados e maior consistência de presença online.

O executivo cita ainda a especificidade da comunicação como fator de ranqueamento. Segundo ele, quanto mais uma marca resolve um problema específico de um público específico, maior a chance de recomendação.

Erro mais comum das marcas D2C na preparação para o comércio agêntico

Questionado sobre o erro mais comum de marcas D2C nessa preparação, Mayrink aponta a falta de uma estratégia de comunicação integrada entre canais. “Tem um ponto principal que eu vejo de erro que as empresas cometem, que é não ter uma estratégia holística”, afirma o executivo.

Segundo Mayrink, parte das empresas trata cada plataforma de forma isolada, com mensagens diferentes para cada uma. Para ele, o correto é manter uma mensagem central, adaptada ao comportamento de cada público.

Marques Cavalcante complementa que esse movimento aproxima as áreas de branding e performance dentro das empresas. “A gente trabalha muito em cima do conceito que é o Search Everywhere Optimization”, afirma o executivo, referindo-se à otimização integrada da presença da marca em todos os canais onde o consumidor pesquisa, incluindo mídia paga, CRM e SEO.

D2C Summit 2026

O tema será aprofundado no painel que reúne Mayrink e Daniel Zanco, CEO da Central do Varejo, no D2C Summit 2026. O evento reúne mais de 100 atrações sobre comércio direto ao consumidor no Distrito Anhembi, em São Paulo, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.

Garanta sua vaga no D2C Summit 2026 clicando no banner abaixo.


Leia também:

Imagem: Divulgação

Continue Reading
Comente aqui

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *