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Assaí e iFood dizem que loja segue no centro da estratégia digital
O Assaí e o iFood apresentaram, no painel “A Integração Físico-Digital Como Forma de Potencializar a Loja” do iFood Move 2026, os resultados da parceria de entrega via aplicativo. Em entrevista exclusiva à Central do Varejo após a sessão, os dois executivos que participaram do painel detalharam a operação.
“A loja está no centro”, afirmou Julio Gentilim, diretor executivo de planejamento estratégico do Assaí, responsável pela frente de digital e last mile da rede.
Segundo Gentilim, o varejista trabalha com margem pequena, o que mantém o foco da companhia na operação das lojas físicas. Para ele, a experiência construída ao longo dos anos no atendimento presencial precisa ser replicada no digital, e não o contrário.
Para o Assaí, iFood resolve o “último quilômetro” da entrega
Gentilim citou a diferença entre vender itens não perecíveis e produtos frescos pelo aplicativo. “Se você comprar um iPhone, vai receber o iPhone do jeitinho que ele saiu da loja. Agora vai entregar um pé de alface. É diferente”, disse.
Segundo o executivo, o Brasil tem o maior número de usuários do WhatsApp do mundo, mas participação ainda pequena do digital nas compras de mercado, por causa do desafio logístico de um país continental. Para Gentilim, o iFood ajuda a resolver esse gargalo ao viabilizar entregas em um raio de 5 a 10 quilômetros das lojas.
Parceria entre Assaí e iFood cresce 237% no trimestre
Murilo Massari, diretor de marketplace do iFood, apresentou o crescimento de 237% da parceria no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o executivo, o resultado vem do amadurecimento de um modelo em que as duas empresas aprenderam a respeitar limitações e potencializar forças uma da outra.
O Assaí soma hoje 313 lojas, das quais 103 estão integradas ao iFood. A rede está presente em todos os estados brasileiros, com exceção de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A companhia é o segundo maior varejista do país, com faturamento de R$ 85 bilhões, e se descreve como a maior vendedora de carnes do Brasil.
iFood diz que categoria de mercado ainda tem baixa penetração no Brasil
Segundo Massari, a vertical de Mercado e Atacado do iFood tem seis anos de existência, contra 15 anos da empresa como um todo. O executivo disse que a frente nasceu de uma demanda identificada durante a pandemia, quando consumidores pediram que o aplicativo passasse a entregar também a compra do mês, não só refeições prontas.
“O iFood só cresce se o Assaí crescer, ou se os nossos sellers crescerem”, afirmou Massari, ao descrever o modelo de negócio da vertical, que depende do crescimento dos parceiros varejistas para ganhar escala.
Para o executivo, a categoria de mercado ainda tem penetração baixa no Brasil na comparação com outros países, o que a torna, em suas palavras, o “último desafio” do setor de e-commerce brasileiro.
Curadoria regional guia o que cada loja vende no aplicativo
Segundo Massari, a indústria oferece cerca de 240 mil itens (SKUs) ao varejo, dos quais o Assaí seleciona entre 15 mil e 20 mil por loja, com curadoria adicional por região e perfil de consumidor. Como exemplo, o executivo citou a goma de tapioca, item com variações regionais que mudam conforme o estado.
Gentilim reforçou que a decisão de entrar no digital veio depois de uma fase de expansão física, iniciada com a compra do Assaí pelo GPA em 2008, com 14 lojas.
A rede teve seu recorde de aberturas em 2022, com 60 lojas no ano, e passou a priorizar nível de serviço a partir de 2020, quando alcançou os atuais 40 milhões de clientes atendidos nas lojas físicas.
Digital é extensão da loja, dizem os dois executivos
“Digital é extensão da loja, e não o contrário”, resumiu Gentilim. Segundo ele, a integração com o iFood só passou a fazer sentido depois que o Assaí concluiu uma transformação operacional interna, na separação, embalagem e controle de ruptura dos produtos.
Massari reforçou o ponto e destacou que, dentro do aplicativo, cada loja do Assaí mantém uma vitrine própria, sem mistura com concorrentes. Segundo ele, essa “jornada por seller” preserva a marca do parceiro e é um dos diferenciais valorizados pelos varejistas que entram na plataforma.
Os dois executivos afirmaram que a parceria deve trazer novidades voltadas às festas de fim de ano nos próximos meses, sem detalhar o conteúdo dos anúncios.
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Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial
