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iFood eleva investimento no Brasil para R$ 24 bi, alta de 41%

Diego Barreto, CEO do iFood, anunciou o valor no iFood Move 2026 e detalhou o destino dos recursos entre crédito, tecnologia e novas verticais.

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iFood Move 2026 tem anúncio de aporte de R$ 24 bi

O iFood vai investir R$ 24 bilhões no mercado brasileiro no ciclo fiscal de abril de 2026 a março de 2027, alta de 41% sobre os R$ 17 bilhões do ciclo anterior. O anúncio foi feito por Diego Barreto, CEO do iFood, na abertura do iFood Move 2026, em São Paulo.

“A gente está saindo de um investimento do ano anterior, que foi anunciado aqui, de 17 bilhões de reais, e estamos subindo os investimentos desse ano para 24 bilhões de reais“, afirmou Barreto durante a palestra de abertura do evento, voltada a restaurantes parceiros da plataforma.

Segundo o executivo, o incremento de R$ 7 bilhões será direcionado a produtos que já mostraram resultado em testes internos, entre eles o programa de entrega em até 20 minutos (Turbo), o programa de refeições sem taxa de entrega (Hits) e o Comer Fora, ferramenta lançada nesta edição do evento para gerar tráfego no salão dos restaurantes.

Os investimentos em tecnologia devem superar R$ 2 bilhões, segundo release da empresa, incluindo a evolução do Large Commerce Model (LCM), modelo de inteligência artificial generativa desenvolvido pelo iFood em parceria com a Prosus, controladora da companhia.

O iFood Pago, braço financeiro da companhia, deve crescer 70% neste ano, segundo Barreto, impulsionado principalmente pela concessão de crédito a restaurantes sem acesso a bancos tradicionais.

“A gente tem a capacidade de enxergar a operação de vocês. Abre muitas horas, aumenta o número de turnos, sabe trabalhar o cardápio para vender melhor e reduzir o estoque, sabe trabalhar muito bem cancelamento, ruptura, avaliação de cliente. Então esse cara é bom, esse cara não vai ser um problema de inadimplência”, afirmou o executivo, ao descrever o modelo de análise de crédito da fintech.

Pesquisa da Ipsos entre restaurantes que já usaram crédito do iFood Pago mostra que 79% relatam impacto positivo no negócio. Outros 77% dizem que o recurso ajudou a crescer, e mais de 63% não haviam conseguido aprovação em instituições financeiras tradicionais.

O iFood Benefícios, que cresce 100% ao ano segundo a empresa, recebe aporte de R$ 1 bilhão nos próximos 12 meses.

A companhia projeta ainda avanço de mais de 60% em supermercados e de mais de 70% em farmácias dentro do aplicativo. Pet shops, bebidas, conveniência e presentes devem crescer mais de 100%, segundo o executivo.

Parte dos recursos, afirmou Barreto, também será destinada a subsídios em cupons e descontos, mecanismo que o executivo diz não considerar estratégia de negócio de longo prazo. “Comida comprada indiscriminadamente, constantemente, abaixo do preço que ela realmente vale, não é negócio”, disse.

A companhia, que completa 15 anos de operação, conecta hoje 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos em mais de 2.000 cidades e 600 mil entregadores, com volume mensal acima de 180 milhões de pedidos.

Segundo estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) citado no anúncio, a cadeia do iFood movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, equivalente a 0,70% do PIB (Produto Interno Bruto).

O mesmo estudo aponta 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos associados à operação, além de redução de até 60% no risco de falência de pequenos negócios no longo prazo entre restaurantes parceiros.

Em entrevista à Folha à margem do evento, Barreto comentou o cenário de concorrência com a chegada de rivais chineses ao delivery brasileiro.

“É fato que é um ano desafiador do ponto de vista macroeconômico. A inadimplência está alta, a inflação está alta, a taxa de juros está alta, e isso é um desafio. Mas dentro da nossa cultura, a lógica nunca foi olharmos para esses elementos e, sim, para a inovação”, disse o executivo.

Barreto defendeu a entrada de novas empresas no setor, mas voltou a citar o processo movido pelo iFood contra a Keeta e sua controladora chinesa, a Meituan, por concorrência desleal e espionagem corporativa.

A ação, protocolada em maio na Justiça Empresarial de São Paulo, acusa consultorias contratadas pelas rivais de terem abordado mais de 240 funcionários do iFood ao longo de um ano, oferecendo pagamentos por “conversas remuneradas” sobre dados como rentabilidade, participação de mercado, volume de pedidos e política de subsídios, segundo apuração do Brazil Journal.

O iFood pede R$ 1 milhão por danos morais, além de indenizações a serem apuradas, e diz ter obtido registros de videoconferências por meio de ação judicial nos Estados Unidos.

Procurada pela Reuters, a Keeta nega as acusações, afirma não ter sido notificada oficialmente sobre o processo e diz defender “um mercado aberto e justo”. Em agosto, o iFood identificou uma nova leva de abordagens a cerca de 100 funcionários, batizada internamente de “quarta onda”, segundo o InfoMoney.

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Imagem: Central do Varejo

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