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IA já corta custo de freelancer, mas adoção no setor ainda é pontual, mostra painel
No Salão Abrasel, empresários e especialistas mostraram que a inteligência artificial já corta custo de freelancer e automatiza atendimento, mas a adoção no setor ainda é pontual
Um agente de IA já responde toda mensagem recebida por WhatsApp, Instagram e Facebook em um restaurante de Campinas. A ferramenta ajudou a cortar o custo semanal com freelancers de R$ 8 mil para uma faixa entre R$ 2 mil e R$ 6 mil.
O caso foi apresentado no painel “IA na prática: como os agentes estão se tornando seus novos colegas de trabalho”, no Salão Abrasel, em São Paulo.
Apesar do resultado, a adoção de inteligência artificial no setor ainda é concentrada em tarefas simples. Apenas 17% dos bares e restaurantes que já usam IA aplicam a tecnologia ao cardápio ou à classificação de pratos, segundo dado da Abrasel apresentado no painel. Outros 40% priorizam o marketing.
O painel foi mediado por Duda Gomes, editora da revista Bares & Restaurantes (B&R), e reuniu Matheus Mason, fundador do Chef.AI, Guilherme Junqueira, CEO da Delta Academy, e Aline Sordili, consultora em transformação digital e IA.
Uma enquete feita com a plateia no início da sessão reforçou o dado da Abrasel: a maioria dos presentes disse usar inteligência artificial de forma pontual, em tarefas isoladas de texto, imagem ou automação de atendimento, sem inteligência aplicada à decisão do negócio.
Agente de IA reduz custo de freelancer e automatiza atendimento
Mason relatou que começou a usar IA em março de 2024, durante uma crise no restaurante que administra com o irmão em Campinas. A ferramenta passou a apoiar recrutamento e seleção de funcionários, área que classificou como “um problema gigante” na época.
Hoje, segundo Mason, o agente de IA responde primeiro toda mensagem recebida pelo restaurante, além de responder automaticamente avaliações de 4 e 5 estrelas no Google. Avaliações abaixo de 3 estrelas são encaminhadas ao proprietário.
O empresário afirmou que o corte no custo com freelancers de salão veio do uso de IA para prever demanda com base em variáveis como previsão do tempo e agenda de eventos na região.
Para Guilherme Junqueira, da Delta Academy, a mudança de comportamento começa na cabeça do dono do negócio. “Inteligência artificial é infraestrutura, não é ferramenta”, afirmou, defendendo o conceito de “IA first”.
Junqueira propôs um critério para medir o retorno da tecnologia. Segundo ele, o indicador mais direto é a receita por funcionário ao ano.
Restaurantes menores costumam operar entre R$ 50 mil e R$ 70 mil por funcionário, enquanto redes maiores chegam a R$ 300 mil ou R$ 400 mil, com o valor ideal próximo de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, segundo o executivo.
Agente não substitui critério do dono do negócio
Aline Sordili chamou atenção para os riscos do que chamou de “efeito auréola”, a tendência de aceitar como certa qualquer resposta gerada por um agente de IA.
“Eu tenho que saber onde eu quero chegar. Senão, você vai ficar horas criando imagem para Instagram, respondendo e-mail, fazendo relatório, que não vai te levar para lugar nenhum”, disse.
Para a consultora, a adoção de IA no setor segue concentrada em tarefas simples, e recomenda que donos de restaurante sejam específicos ao pedir resultados à ferramenta, para não gerar conteúdo genérico e igual ao de concorrentes.
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Imagem: Central do Varejo
