Economia
Copom corta Selic para 13,75% por unanimidade e cita incerteza externa; APAS defende corte ainda maior
Comitê cita conflitos no Oriente Médio e incerteza sobre juros em economias avançadas, enquanto associação diz que espaço para redução ainda maior existia diante da inflação em queda
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na noite de quarta-feira (16), para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e confirma a expectativa do mercado financeiro, marcando o quinto corte consecutivo da Selic.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”, diz comunicado do Copom.
Corte da Selic poderia ser maior, avalia APAS
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) avalia que o Banco Central deveria ter promovido um corte mais acentuado, diante da trajetória de desaceleração da inflação apontada pelo IBGE.
“Acreditávamos que havia espaço, inclusive, para um corte mais acentuado. Isso porque nós não temos um problema inflacionário”, afirma Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS.
Segundo Queiroz, os dados do IPCA divulgados pelo IBGE mostram que a inflação está controlada e em tendência de queda. Para ele, mesmo após o corte, o país mantém uma das maiores taxas reais de juros do mundo, o que prejudica a atividade econômica, os investimentos e o consumo das famílias.
Diretoria do Copom segue desfalcada
De junho de 2025 a março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom retomou os cortes em abril, em meio à queda da inflação, mas a guerra no Oriente Médio e o início do fenômeno El Niño passaram a complicar as decisões do comitê, segundo reportagem da Agência Brasil.
O colegiado também opera desfalcado: os mandatos do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Diego Guillen, expiraram no fim de 2025. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enviou ao Congresso Nacional as indicações para os substitutos.
O El Niño deve encarecer os alimentos nos próximos meses, o que representa um desafio adicional à política monetária, mesmo após o recuo de 0,34% nos preços de alimentos em agosto.
Projeções do Banco Central e do mercado divergem
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, o Banco Central elevou de 3,9% para 5,2% sua própria projeção de IPCA para 2026. A estimativa deve ser revisada na próxima edição do relatório, no fim deste mês, em razão da queda recente da inflação.
O mercado financeiro está menos pessimista: o boletim Focus projeta IPCA em 4,9% para 2026, ainda acima do teto da meta, de 4,5%. Antes da guerra no Oriente Médio, a estimativa de mercado era de 3,95%.
Para o crescimento da economia em 2026, o Banco Central projeta expansão de 2%, enquanto o mercado financeiro estima 1,89%, segundo o boletim Focus.
Juros mais baixos tendem a baratear o crédito e estimular a produção e o consumo, mas dificultam o controle da inflação, já que a autoridade monetária só reduz a Selic quando considera os preços sob controle.
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Com informações de Agência Brasil
Imagem: Envato
