Comportamento
32% dos consumidores online brasileiros usam o ChatGPT para pesquisar produtos, mas só 1,3% começam a busca nele
Duas pesquisas mostram que a IA ganhou espaço na hora de comparar produtos, enquanto Google, marketplaces e redes sociais seguem como porta de entrada da jornada
O percentual de consumidores online brasileiros que usam o ChatGPT para pesquisar produtos subiu de 2% em 2024 para 32% em 2026, enquanto o do Google caiu de 79% para 63%, segundo o Global Digital Shopping Index 2026, estudo da PYMNTS Intelligence encomendado pela Visa Acceptance Solutions. O Google segue como principal ferramenta de pesquisa.
Outra pesquisa, da Nuvemshop com a Opinion Box, mostra o outro lado: 46% dos consumidores online brasileiros já usaram ferramentas como ChatGPT e Gemini para ajudar em uma compra.
Só 1,3% dizem começar a busca por produtos nelas.
Generative engine optimization começa onde a jornada de compra afunila
As duas pesquisas medem coisas diferentes, e os números não se contradizem. Os percentuais da Visa indicam quantos consumidores usam cada ferramenta ao pesquisar, e a soma passa de 100% porque o mesmo consumidor pode recorrer a mais de uma. Já o 1,3% da Nuvemshop mostra qual é o ponto de partida.
Na leitura da Nuvemshop, divulgada pelo InfoMoney antes de ser apresentada no D2C Summit, a IA entra mais tarde, quando o consumidor já compara opções. Entre os que usam IA em compras, 48,19% a usam para comparar dois ou mais produtos, 46,89% para tirar dúvidas técnicas, 36% para pedir sugestões de produtos e 32% para procurar ofertas.
Segundo a Visa, 53% dos brasileiros que compraram online usaram IA na jornada de compra mais recente. É o segundo maior índice entre os países pesquisados, atrás dos Emirados Árabes Unidos, com 72%, e à frente dos Estados Unidos.
Varejistas têm pouco preparo para ser citados por IAs como ChatGPT
O mesmo estudo da Visa aponta que só 15% dos varejistas brasileiros ouvidos têm dados de produtos estruturados para leitura por agentes de IA. Preço, características, disponibilidade e especificações incompletos ou desatualizados podem deixar a empresa de fora de uma comparação feita por IA.
Só 21% dos varejistas conseguem identificar quando uma venda teve origem em plataforma de IA.
Quando o consumidor recebe uma recomendação no ChatGPT e depois digita o endereço da loja no navegador, a venda pode aparecer como tráfego direto nos relatórios da empresa, o que dificulta medir a influência do canal.
O movimento deve continuar, segundo a própria Visa: 70% dos consumidores brasileiros esperam usar agentes de IA para auxiliar nas compras nos próximos dois anos, e 74% dos varejistas esperam que esses agentes representem ao menos 5% de suas vendas digitais no período.
Os dois levantamentos são autodeclarados. A Visa vende soluções de pagamento e a Nuvemshop, uma plataforma de e-commerce, e os materiais divulgados não informam o tamanho da amostra brasileira de cada pesquisa.
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