Operação
Depois de dois anos, Arezzo&Co e Soma voltam a ser duas empresas
Acordo assinado na quarta-feira divide a Azzas 2154 em três companhias: Arezzo&Co, SOMA e uma sociedade específica para a Farm Rio
A Azzas 2154 confirmou a separação Arezzo e Soma na quarta-feira (2), em acordo firmado pelos acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy.
O plano recria a Arezzo&Co e a Soma como duas companhias abertas independentes e cria uma terceira sociedade para administrar a Farm Rio, segundo fato relevante da companhia sobre a separação parcial das operações entre Arezzo&Co e Soma.
Pelo desenho da operação, o bloco liderado por Jatahy ficará com 25,95% da SOMA, o bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e manterá 6,18% na SOMA, enquanto os demais acionistas deterão 67,87% de cada uma das duas empresas.
A separação seguirá duas etapas. Primeiro, uma cisão parcial da Azzas 2154 distribui marcas e operações entre Arezzo&Co e Soma e constitui a empresa da Farm. Depois, os blocos Birman e Jatahy fazem uma permuta de ações para concentrar suas participações nas respectivas empresas.
A operação ainda depende de aprovação do conselho de administração e dos acionistas, além de aval do Cade e da listagem da SOMA no Novo Mercado. A cisão parcial não dará direito de retirada aos acionistas.
O mercado reagiu no mesmo dia. As ações subiam 13,6% por volta do meio-dia. O BTG Pactual assessorou o bloco Birman e a G5 Partners assessorou o bloco Jatahy.
A Farm Rio ficará sob controle conjunto, com 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da Soma. A análise de alternativas para a marca, incluindo entrada de investidor ou venda, segue com assessoria do Morgan Stanley, de acordo com o Seu Dinheiro e o Rio Times.
Em comunicado, a própria Azzas reconheceu que surgiram “diferentes visões” sobre estrutura societária, governança e estratégia depois da criação do grupo.
O acordo também prevê a extinção da arbitragem e da medida cautelar entre os sócios, que se comprometeram a não litigar sobre fatos anteriores à conclusão da operação.
Jatahy afirmou que a solução “respeita o trabalho construído até aqui” e cria uma base para o futuro dos negócios separados. Birman tratou a reorganização como o encerramento de uma etapa da companhia formada pela combinação dos dois grupos.

Da fusão à separação Arezzo e Soma: cronologia de uma crise societária
As tratativas entre os dois grupos remontam a 2021, quando Birman começou a articular o negócio. À época, a Arezzo valia R$ 6,5 bilhões contra R$ 5,5 bilhões do Grupo Soma.
O acordo de fusão foi oficializado em 4 de fevereiro de 2024, por troca de ações: 54% ficaram com os acionistas da Arezzo e 46% com os do Grupo Soma. Birman assumiu a presidência do novo grupo e Jatahy passou a comandar a divisão de vestuário feminino.
O Cade aprovou a fusão sem restrições em 26 de março de 2024.
A companhia resultante reuniu mais de 24 mil colaboradores e 2 mil lojas, com faturamento estimado acima de R$ 12 bilhões.
Os primeiros sinais de desgaste vieram no balanço do quarto trimestre de 2024. O lucro líquido caiu 35,8% na comparação anual, para R$ 168,9 milhões, e o lucro recorrente de 2024 recuou 33,2%, para R$ 590,7 milhões.
Em 14 de março de 2025, as ações da Azzas caíram 10,42%, com perda de R$ 510 milhões em valor de mercado, após reportagem da coluna Pipeline, do Valor Econômico, apontar que a fusão estaria próxima do fim.
Quatro dias depois, a Azzas negou qualquer discussão em andamento sobre cisão ou segregação de negócios.
Jatahy minimizou o episódio à imprensa. “Nada diferente do que eu já vivi em outros processos de fusão e aquisição”, disse o executivo.
A saída de executivos marcou o período, com as saídas de Rony Meisler, fundador da Reserva, e de Paulo Kruglensky, responsável pela integração das operações, que deixou o cargo após seis meses.
Em maio de 2025, Guilherme Benchimol, fundador da XP e membro do conselho, renunciou ao cargo, oficialmente por agendas conflitantes.
Em junho, o colegiado foi reformulado: Nicola Calicchio Neto assumiu a presidência e Marcel Sapir a vice-presidência, substituindo Pedro Parente e Anna Chaia.
Em 30 de junho de 2025, a empresa comunicou um novo acordo entre os sócios, e o conselho de administração foi reduzido de nove para sete membros.
Uma reorganização em abril de 2026 reduziu o papel operacional de Jatahy, que entrou com ação judicial em maio e obteve uma liminar. Os dois sócios passaram a mover arbitragens um contra o outro.
Calicchio Neto deixou a presidência do conselho quase um ano depois de assumir o cargo.
No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente da Azzas foi de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% na comparação anual.
O JP Morgan viu a separação de forma positiva, por eliminar um dos principais obstáculos de governança da companhia.
O banco ponderou que parte das operações já havia sido integrada, o que pode gerar perda de sinergias, e apontou a fatia residual de 6% do bloco Birman na Soma como possível fonte de pressão futura sobre as ações.
O JP Morgan manteve recomendação neutra, com a ação negociando a cerca de 4,5 vezes o lucro projetado para 2027.
Ao final da reorganização, a Arezzo&Co ficará com Shoes & Bags, incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além da Hering. A SOMA concentrará Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva, Oficina e Foxton.
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Imagem: Reprodução
Infográfico gerado com auxílio de inteligência artificial
