Operação
Grandes redes devem ganhar espaço em cenário desafiador para o varejo, diz Moody’s
Consumidores mais cautelosos, inflação e custos elevados mantêm perspectiva negativa para o setor global em 2026
A Moody’s manteve perspectiva negativa para o setor global de varejo e vestuário em 2026, citando inflação elevada, consumidores mais cautelosos e desaceleração do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Segundo relatório divulgado em 28 de abril, o EBIT ajustado global do setor (excluindo vendas online) deve ficar estável ou cair até 2% neste ano, após retração de 1,6% em 2025.
O cenário tem levado consumidores a priorizar valor e conveniência, mesmo diante da perda de poder de compra. Ao mesmo tempo, varejistas enfrentam dificuldade para repassar custos mais altos ao consumidor final.
Nesse contexto, grandes redes como Walmart, Costco e Target tendem a ganhar participação nos Estados Unidos, segundo a Moody’s.
A agência destacou o Walmart como principal beneficiado no mercado norte-americano. Segundo os analistas, a companhia vem se destacando por inovação ligada à proposta de valor e conveniência, além de atrair consumidores de renda mais alta em busca de preços menores.
No caso da Costco, a Moody’s ressaltou que a maior parte do EBIT da empresa vem das taxas de associação, o que reduz sua exposição ao aumento dos custos de produtos.
Já a Target segue em processo de recuperação operacional e continua investindo em lojas.
Enquanto isso, lojas de varejo com foco em departamento seguem pressionadas pela dependência de categorias discricionárias e do segmento de casa. Empresas de vestuário, calçados e acessórios também enfrentam desaceleração da demanda, custos mais altos de combustível e impactos remanescentes das tarifas elevadas do início de 2026.
Segundo a Moody’s, o ambiente competitivo exige propostas de valor mais claras e diferenciadas.
Entre as marcas citadas positivamente estão Ralph Lauren e Tapestry, impulsionadas por marketing forte e expansão internacional. Já Nike e Under Armour seguem enfrentando dificuldades em seus processos de turnaround.
O relatório também destaca impactos macroeconômicos ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo a Moody’s, a guerra envolvendo o Irã elevou preços de energia e reduziu a oferta de combustíveis, criando um ambiente econômico mais frágil.
Nos Estados Unidos, o crescimento do consumo tem sido sustentado principalmente pelas faixas de renda mais altas. Famílias de renda média e baixa seguem pressionadas pelos preços elevados de itens essenciais.
“A acessibilidade continua sendo uma consideração crítica, especialmente para consumidores de renda média e baixa, enquanto a confiança do consumidor enfraquece em meio aos altos preços do petróleo”, afirmou a Moody’s.
O relatório também cita estudo recente do UBS que projeta o fechamento de mais de 40 mil lojas nos Estados Unidos nos próximos cinco anos, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e do uso de inteligência artificial na jornada de compra.
Imagem: “Costco, Enfield, Connecticut”; Mike Mozart, com licença de CC BY 2.0
Informações: Lara Ewen para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
