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Infracommerce: o que é, como funciona e resultados de 2026
Balanço do segundo trimestre de 2026 mostra receita líquida de R$ 149,6 milhões, alta de 8,6% sobre o 1T26, e operação em nove países da América Latina
A Infracommerce registrou receita líquida de R$ 149,6 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 8,6% sobre o primeiro trimestre, segundo balanço divulgado em 13 de agosto. Na comparação com o 2T25, a receita caiu 17,8%.
O volume de vendas transacionado pela plataforma (GMV) somou R$ 1,7 bilhão no período, queda de 46,3% em um ano. A empresa atribui a diferença entre as duas quedas à revisão da carteira de clientes e de contratos e ao aumento do take rate, de 5,59% para 8,56%.
O indicador que desconta Capex e aluguéis do EBITDA ficou positivo em R$ 3,5 milhões, contra resultado negativo de R$ 6,9 milhões no 1T26. O prejuízo líquido do trimestre foi de R$ 23,6 milhões, ante R$ 61,4 milhões no 2T25.
Fundada em 2012 e listada na B3 desde 2021, a Infracommerce opera no modelo de full commerce, em que uma única empresa cuida de plataforma, logística, pagamentos, marketing e atendimento de lojas online. Em seus documentos, a companhia se descreve como ecossistema digital white label no conceito de CXaaS (Customer Experience as a Service).
O que é a Infracommerce e o que significa CXaaS
A Infracommerce nasceu em 2012, em São Paulo, fundada por um grupo de empreendedores que incluía Kai Philipp Schoppen e Luiz Pavão, segundo o histórico divulgado no site de relações com investidores. O primeiro pedido foi processado em 2013, e o primeiro centro de distribuição começou a operar em Embu das Artes (SP).
As ações são negociadas no Novo Mercado da B3 com o código IFCM3, e a razão social é Infracommerce CXaaS S.A. A sigla CXaaS significa Customer Experience as a Service. Na definição da empresa, white label é a estrutura que opera lojas online sem aparecer na marca do cliente.
O portfólio cresceu com aquisições como Synapcom, Summa Solutions, Tatix, Tevec e Brandlive, conforme o histórico corporativo.
Como funciona o full commerce da Infracommerce
No full commerce, uma única empresa assume as etapas da venda online de outra marca. A Infracommerce organiza essa oferta em cinco frentes, descritas nas notas explicativas das demonstrações financeiras de 30 de junho de 2026.
A Infrashop cuida de lojas virtuais e plataformas de e-commerce, com catálogo e integração a marketplaces. A InfraDigital reúne campanhas digitais, CRM e fidelização. A InfraData oferece análise de comportamento do consumidor e relatórios de business intelligence.
A InfraLog responde por fulfillment, estoque, expedição e acompanhamento de entregas. A InfraPay concentra meios de pagamento, antifraude e conciliação, com cartão, Pix, boleto e carteiras digitais.
As demonstrações descrevem dois formatos de contratação. No primeiro, o cliente mantém uma filial dentro dos centros de distribuição da Infracommerce e a empresa não compra nem vende a mercadoria. No segundo, o grupo atua como agente e as operações de compra e venda passam pelo CNPJ de empresas do grupo.
A Evos, plataforma voltada ao B2B, tem origem em uma parceria com a Unilever firmada em 2014 para digitalizar a cadeia de distribuidores, segundo reportagem da Central do Varejo. As demonstrações também citam o marketplace Mais Correios, no qual a Infracommerce responde por arquitetura e suporte tecnológico e os Correios pela logística.
Quem são os clientes da Infracommerce e onde a empresa atua
A Infracommerce informa atender mais de 200 grandes marcas multinacionais, em segmentos como luxo, grandes varejistas e indústrias, no Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Equador e Panamá. O release de resultados do 2T26 não traz a lista de clientes.
A América Latina responde pela maior parte da receita de serviços. No primeiro semestre de 2026, os serviços prestados na região somaram R$ 232,0 milhões, cerca de 64% do total antes de impostos, e os prestados no Brasil somaram R$ 130,1 milhões, segundo as demonstrações financeiras.
Em relação ao primeiro semestre de 2025, a receita bruta de serviços caiu 30,4% no Brasil e 7,7% na América Latina. O quadro de pessoal acompanhou o movimento, com 1.520 colaboradores em tempo integral equivalente no fim do 2T26, ante 2.087 um ano antes.
Resultados da Infracommerce em 2026: receita, GMV e EBITDA
A tabela reúne os principais números do segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025 e ao primeiro trimestre, em R$ milhões, segundo o release de resultados.
| Indicador | 2T26 | 2T25 | 1T26 |
|---|---|---|---|
| GMV | 1.747,3 | 3.256,2 | 1.586,4 |
| TPV | 488,6 | 427,6 | 366,1 |
| Receita líquida | 149,6 | 181,9 | 137,8 |
| Lucro bruto | 28,3 | 46,5 | 21,2 |
| Margem bruta | 18,9% | 25,6% | 15,4% |
| EBITDA | 14,6 | 15,4 | 3,2 |
| EBITDA menos Capex e aluguéis | 3,5 | 4,6 | -6,9 |
| Prejuízo do período | -23,6 | -61,4 | -59,5 |
| Take rate | 8,56% | 5,59% | 8,69% |
No primeiro semestre, a receita líquida somou R$ 287,5 milhões, queda de cerca de 21,6% sobre os R$ 366,5 milhões de igual período de 2025. O prejuízo do semestre foi de R$ 83,2 milhões, contra R$ 106,2 milhões um ano antes.
Os custos e despesas totais do 2T26 recuaram 17,1% em relação ao 2T25, segundo a companhia. As despesas financeiras caíram de R$ 61,2 milhões para R$ 32,0 milhões, e R$ 21,0 milhões do total do trimestre correspondem a juros de instrumentos conversíveis.
Em 2025, a receita líquida foi de R$ 710,0 milhões e o GMV, de R$ 11,4 bilhões, de acordo com o release do ano. A administração afirma que o 2T26 interrompe a sequência de ajustes consecutivos de receita, período em que a empresa reduziu estrutura e saiu de contratos que classificou como onerosos.
Reestruturação financeira e as ações IFCM3
Em maio de 2025, R$ 732,4 milhões de dívida bancária foram convertidos em debêntures mandatoriamente conversíveis em ações, com vencimento em 12 de maio de 2030, segundo as demonstrações financeiras. Parte dos detentores converteu debêntures em 2025 e em 2026, e o saldo contábil restante era de R$ 356,4 milhões em 30 de junho.
No fim do 2T26, a dívida líquida somava R$ 384,6 milhões, dos quais R$ 356,4 milhões são instrumentos que serão liquidados por aumento de capital. Sem esses instrumentos, a empresa calcula dívida líquida ajustada de R$ 27,7 milhões. O caixa era de R$ 117,6 milhões, dos quais R$ 61,7 milhões estavam retidos como garantia da dívida com a Finep.
O patrimônio líquido fechou em R$ 134,1 milhões, ante R$ 195,1 milhões no fim de 2025. Em 28 de maio, assembleia aprovou redução de capital de R$ 667,7 milhões para absorver prejuízos acumulados e o grupamento de cinco ações em uma, concluído em 30 de junho, que reduziu o total de 137,8 milhões para 27,6 milhões de ações.
A administração conclui, nas demonstrações, que não há incerteza relevante sobre a continuidade operacional e registra que condições de períodos anteriores indicavam essa incerteza. A Vermelha do Norte Participações detinha 70,1% do capital em 30 de junho.
Infracode, a infraestrutura de IA da Infracommerce
A Infracommerce lançou o Infracode em julho de 2026. O sistema combina agentes especializados de IA, uma biblioteca de capacidades reutilizáveis e uma camada de memória com aprendizados de implementações anteriores, entre elas mais de 300 sites na América Latina, de acordo com a empresa.
A companhia cita estudo da McKinsey segundo o qual a IA pode elevar de 30% a 40% a produtividade em tarefas de desenvolvimento de código. A empresa diz registrar reduções nos prazos de entrega desde a adoção da ferramenta e não divulgou percentuais consolidados.
O que a Infracommerce planeja para o segundo semestre de 2026
A Infracommerce lista três alavancas para a segunda metade do ano. A primeira é aplicar automação e inteligência artificial à margem, sob uma nova arquitetura global de Produto e Tecnologia. A segunda é acelerar o crescimento em contas estratégicas, com integração regional de clientes. A terceira é reforçar a liquidez e o capital de giro.
A empresa informa que o ciclo comercial de implantação de novos negócios leva de 6 a 9 meses, do diagnóstico ao início da operação, e que busca retomar o crescimento sem ampliar a estrutura.
Full commerce e D2C
No modelo Direct to Consumer (D2C), a marca vende direto ao consumidor final, sem intermediários, e precisa de plataforma, logística, pagamentos e atendimento próprios ou contratados. A Infracommerce descreve sua oferta como um conjunto que vai de plataforma e dados a logística e pagamentos, voltado a empresas de todos os portes e segmentos, segundo o release do 2T26.
Perguntas frequentes
O que é a Infracommerce?
A Infracommerce é uma empresa brasileira de tecnologia e serviços para e-commerce, fundada em 2012 e com sede em São Paulo. Em seus documentos, ela se define como ecossistema digital white label no conceito de CXaaS, que reúne plataforma, dados, logística, pagamentos e marketing para operar lojas online de marcas, indústrias e grandes varejistas. Suas ações são negociadas na B3 com o código IFCM3.
O que é full commerce?
Full commerce é o modelo em que uma única empresa assume as etapas da venda online de outra marca, como plataforma de e-commerce, logística, pagamentos, marketing digital, atendimento e análise de dados. Em vez de contratar cada serviço de um fornecedor diferente, a marca concentra a operação em um único parceiro. No caso da Infracommerce, a oferta é dividida em cinco frentes, chamadas Infrashop, InfraDigital, InfraData, InfraLog e InfraPay, conforme as demonstrações financeiras da empresa.
Quem são os clientes da Infracommerce?
A Infracommerce informa atender mais de 200 grandes marcas multinacionais, em segmentos como luxo, grandes varejistas e indústrias, em nove países da América Latina. A informação consta no release de resultados do segundo trimestre de 2026. O documento não traz a lista de clientes. Reportagem da Central do Varejo registrou que a plataforma B2B Evos nasceu de uma parceria com a Unilever, firmada em 2014.
Em quais países a Infracommerce atua?
A Infracommerce atua em nove países da América Latina, que são Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Equador e Panamá, segundo o release de resultados do segundo trimestre de 2026. No fim do período, a empresa tinha 1.520 colaboradores em tempo integral equivalente, que ela chama de Infras, ante 2.087 um ano antes. A sede fica em São Paulo.
Qual o faturamento da Infracommerce?
Em receita líquida, a Infracommerce registrou R$ 710,0 milhões em 2025, com GMV total de R$ 11,4 bilhões, segundo seu release de resultados do ano. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida foi de R$ 149,6 milhões, queda de 17,8% sobre o mesmo período de 2025 e alta de 8,6% sobre o primeiro trimestre. O GMV do trimestre foi de R$ 1,7 bilhão.
Qual o código das ações da Infracommerce na bolsa?
As ações ordinárias da Infracommerce são negociadas no Novo Mercado da B3 com o código IFCM3. A empresa estreou na bolsa em 2021. Em 28 de maio de 2026, assembleia de acionistas aprovou o grupamento de cinco ações em uma, concluído em 30 de junho, e uma redução de capital de R$ 667,7 milhões para absorver prejuízos acumulados, segundo as demonstrações financeiras de 30 de junho de 2026.
O que é o Infracode?
O Infracode é uma infraestrutura de inteligência artificial lançada pela Infracommerce em julho de 2026 para acelerar a implantação de projetos de e-commerce. Segundo a empresa, o sistema combina agentes de IA, uma biblioteca de capacidades reutilizáveis e uma camada de memória com aprendizados de mais de 300 sites implementados na América Latina. A companhia diz ter reduzido prazos de entrega e não divulgou percentuais.
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Imagem: Divulgação/Infracommerce
