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Curva ABC no varejo e como classificar o estoque

O método ordena os produtos pelo valor que geram e orienta compra e reposição, em um varejo que opera com 36 dias de estoque contra benchmark de 23, segundo a Neogrid

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Curva ABC

A curva ABC é um método que ordena os itens do estoque pelo valor que cada um representa e os divide em três classes, A, B e C, para definir onde o varejista concentra compra, reposição e controle.

Os supermercados brasileiros iniciaram 2026 com cerca de R$ 6 bilhões (6% do estoque) imobilizados em produtos de baixo giro, segundo Christiane Cruz, executiva da Neogrid, em entrevista à Agência DC News.

Em média, o varejo opera com 36 dias de estoque, quando o benchmark é de 23 dias, afirmou a executiva. Dados do Painel Neogrid, citados por ela, indicam que 81% do retorno sobre o capital investido no varejo se explica pelo giro do estoque.

O que é curva ABC e como as classes A, B e C dividem o estoque

A curva ABC, também conhecida como 80-20, tem base nas teorias do economista italiano Vilfredo Pareto, de 1897, segundo o Jornal Contábil. A Omie, empresa de sistemas de gestão, a define como método de classificação dos itens armazenados por importância e valor para o negócio.

Na divisão descrita pelo Jornal Contábil, a classe A reúne 20% dos itens, que correspondem a 80% do valor do estoque. A classe B reúne 30% dos itens, com 15% do valor. A classe C tem os 50% restantes, que somam 5% do valor.

Os percentuais variam conforme a fonte. A Cleverence, empresa de software de gestão de estoque, indica faixas de 70% a 80% do valor total para a classe A, de 15% a 25% para a B e de 5% para a C. A empresa acrescenta que, conforme o tipo de negócio, outros fatores também influenciam a classificação.

Como fazer em seis etapas

A montagem segue uma sequência de cálculo que pode ser feita em planilha ou em sistema de gestão, conforme os materiais da FM2S e da Omie.

  1. Liste todos os itens do estoque, com a quantidade e o valor unitário de cada um.
  2. Calcule o valor total de cada item, multiplicando o consumo no período pelo valor unitário.
  3. Ordene os itens do maior para o menor valor total.
  4. Calcule a participação de cada item no valor geral e some esses percentuais de forma acumulada.
  5. Classifique como A os itens até o corte da primeira classe, como B os seguintes e como C os demais.
  6. Represente o resultado em um gráfico de percentual acumulado por número de itens, formato descrito pela FM2S.

A definição dos cortes de cada classe fica a cargo do varejista, que pode adotar a divisão 80%, 15% e 5% ou outra faixa que reflita a realidade da operação.

Curva ABC e ruptura no varejo brasileiro em 2026

O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados, ficou em 10,8% em julho de 2026, o menor nível geral em 12 meses, segundo o Mercado & Consumo. Robson Munhoz, executivo da Neogrid, atribuiu a queda a uma melhor previsão de demanda por parte do varejo e a maior agilidade da indústria.

A Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025, realizada pela KPMG com 179 empresas, registrou ruptura comercial média de 7,81% e ruptura operacional média de 5,10%, ambas em alta em relação a 2023.

A ruptura comercial ocorre quando o produto não é comprado em volume suficiente ou não chega à loja. A operacional ocorre quando o item está em estoque, mas não é reposto na gôndola.

Como a classe A concentra a maior parte do valor do estoque, a falta de um item dessa classe tem o maior peso financeiro. É nesse ponto que a classificação orienta a prioridade de compra e de reposição.

Como usar a classificação ABC na gestão de estoque

A Central do Varejo, em guia sobre gestão de estoque, descreve que os produtos A demandam monitoramento contínuo, estoque de segurança ajustado e relacionamento próximo com fornecedores. Os produtos C podem ser gerenciados com menor frequência.

A acurácia de estoque no varejo alimentar gira em torno de 88%, afirmou Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas), no programa SV Tá On do Super Varejo, em janeiro de 2026.

Segundo ele, quando o estoque do sistema difere do físico, o varejo perde venda, margem e a confiança do consumidor.

Um estudo publicado em periódico da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), com uma revendedora de kits de embreagem na Zona da Mata mineira, concluiu que a gestão de estoque com curva ABC tem efeito positivo no índice de acurácia. Os autores apontam que a classificação ajuda a estruturar o plano de contagem e a tomada de decisão.

Limites da curva ABC e quando revisar a classificação

A classe de cada item muda com o tempo. A FM2S observa que alterações no volume de vendas ou na demanda levam a mudanças na classificação, e a Omie recomenda revisar a curva periodicamente.

O método ordena os itens por valor e não mede a velocidade de venda.

O giro de estoque, segundo o blog do Itaú Empresas, indica a rapidez com que os produtos são vendidos e repostos, e um giro baixo pode apontar excesso de estoque ou baixa demanda. O varejista pode cruzar a classe de cada item com o giro para identificar quais produtos de maior valor vendem abaixo do ritmo esperado.

Perguntas frequentes sobre curva ABC

O que é curva ABC?
A curva ABC é um método de classificação que ordena os itens do estoque pela importância e pelo valor que representam para o negócio, conforme a Omie. Os itens são divididos em três classes. A classe A reúne poucos produtos com a maior parte do valor, a classe B concentra os intermediários e a classe C traz muitos itens de baixo valor. O método deriva do princípio de Pareto e orienta compra, reposição e controle.

Como fazer curva ABC no Excel?
Para fazer a curva ABC no Excel, o varejista lista os itens com quantidade e valor unitário em colunas, calcula o valor total de cada um e ordena a tabela do maior para o menor. Em seguida calcula a participação de cada item no total, soma esses percentuais de forma acumulada e classifica os itens em A, B e C pelos cortes definidos. Um gráfico de percentual acumulado, como descreve a FM2S, mostra o resultado.

Qual a porcentagem de cada classe da curva ABC?
A divisão mais citada da curva ABC reserva à classe A cerca de 20% dos itens, que respondem por 80% do valor do estoque. A classe B reúne 30% dos itens e 15% do valor, e a classe C, os 50% restantes, com 5% do valor, segundo o Jornal Contábil. A Cleverence indica faixas de 70% a 80% do valor para a classe A, de 15% a 25% para a B e de 5% para a C.

Para que serve a curva ABC no varejo?
A curva ABC serve para definir quais produtos do estoque exigem mais atenção em controle, reposição e investimento, segundo a FM2S. No varejo, ela orienta a prioridade de compra, o ajuste do estoque de segurança e a frequência de monitoramento, que é contínua para os itens A e menor para os itens C, conforme guia da Central do Varejo sobre gestão de estoque.

Qual a diferença entre curva ABC e giro de estoque?
A curva ABC classifica os itens pelo valor que representam no estoque, enquanto o giro de estoque mede a velocidade com que os produtos são vendidos e repostos em um período, segundo o blog do Itaú Empresas. Um giro baixo pode indicar excesso de estoque ou baixa demanda. O varejista pode cruzar os dois indicadores para saber se os itens de maior valor vendem no ritmo esperado.

Com que frequência revisar a curva ABC?
A curva ABC deve ser revisada periodicamente, segundo a Omie, porque mudanças no volume de vendas ou na demanda alteram a classe de cada item, como observa a FM2S. As fontes consultadas não fixam um intervalo fixo. O varejista define a periodicidade conforme a oscilação das vendas do próprio negócio e atualiza a classificação a cada mudança relevante de demanda.

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Imagem: Magnific

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