Economia
Varejo cresce nos EUA, apesar de queda na confiança do consumidor
Mesmo com a queda na confiança do consumidor, o varejo norte-americano registrou crescimento no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por fatores pontuais e pelo consumo das faixas de renda mais altas.
Dados indicam que, em março, as vendas no varejo cresceram mais de 8%, após avanços de quase 5% em fevereiro e cerca de 6% em janeiro. O desempenho ocorre apesar da deterioração do sentimento do consumidor, pressionado pela inflação e pelos impactos do conflito no Irã.
Segundo Neil Saunders, diretor-geral da GlobalData, o início do ano foi positivo para o setor. “De forma geral, um março sólido encerra um bom começo de ano para o varejo”, afirmou.
Analistas, no entanto, apontam que os dados escondem fragilidades. O crescimento tem sido puxado principalmente por consumidores de maior renda. “A maior parcela dos gastos vem dos grupos com maior patrimônio e renda”, disse Dan North, economista da Allianz Trade North America.
Ao mesmo tempo, consumidores enfrentam aumento de custos com itens essenciais, como moradia, alimentos e combustíveis. A alta recente nos preços de energia, associada ao conflito no Oriente Médio, tem ampliado a pressão sobre o orçamento das famílias.
Apesar disso, o consumo segue sustentado por fatores temporários. Entre eles, o aumento de 17% nos reembolsos de impostos em relação ao ano anterior, totalizando mais de US$ 40 bilhões adicionais distribuídos a cerca de 3 milhões de famílias.
Outro fator foi o calendário, com a antecipação da Páscoa, que contribuiu para o desempenho de março.
Economistas do Wells Fargo avaliam que o consumo ainda demonstra resiliência, apesar das pressões. “Os preços de combustíveis estão mais altos, a fadiga inflacionária é real e o sentimento do consumidor piorou. Ainda assim, os dados continuam apontando para um consumo resiliente, ao menos por enquanto”, afirmaram.
No entanto, projeções indicam desaceleração nos próximos meses. A Moody’s estima que o crescimento real do consumo pessoal deve cair para 1,5% em 2026, abaixo dos 2,5% de 2023 e 3% de 2024.
Especialistas também destacam mudanças no comportamento de compra. Consumidores têm migrado para produtos mais baratos, marcas próprias e varejistas de desconto, além de reduzir gastos considerados não essenciais.
Para analistas da Circana, o cenário atual pode ser enganoso. “Os varejistas estão operando em um ambiente em que mudanças de calendário, promoções e fatores temporários estão mascarando vulnerabilidades mais profundas no consumo”, afirmou Marshal Cohen, consultor da empresa.
O desempenho do varejo, portanto, reflete um equilíbrio entre fatores conjunturais positivos e pressões estruturais que podem limitar o consumo ao longo do ano.
Imagem: Freepik
Informações: Daphne Howland para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
