Economia
Inflação nos EUA supera 4% e maioria dos consumidores vê risco de recessão
Alta dos combustíveis impulsiona inflação ao maior nível em três anos e aumenta preocupação dos consumidores com a economia norte-americana
A inflação nos Estados Unidos acelerou pelo terceiro mês consecutivo em maio e ultrapassou a marca de 4% pela primeira vez em três anos, pressionada principalmente pela alta dos preços da energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
De acordo com dados do Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,5% em maio na comparação mensal, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,2%. Trata-se do maior patamar registrado desde abril de 2023.
Excluindo alimentos e energia, a chamada inflação núcleo avançou 0,9% no mês e 2,9% na comparação anual, registrando sua maior alta desde setembro.
Os preços da energia foram os principais responsáveis pela aceleração inflacionária. Segundo o BLS, o índice de energia subiu 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os preços da gasolina avançaram 40,5%.
Por outro lado, a inflação dos alimentos apresentou desaceleração. O índice de alimentos consumidos em casa registrou alta de apenas 0,1% em maio.
O cenário inflacionário ocorre em meio ao aumento das preocupações dos consumidores norte-americanos com a economia. Pesquisa da EY-Parthenon revelou que 90% dos entrevistados estão preocupados com os custos de transporte e combustível, tornando esse o principal fator de pressão sobre os orçamentos familiares no curto prazo.
Como consequência, mais de 30% dos consumidores afirmaram já estar reavaliando gastos com lazer e entretenimento antes da temporada de viagens de verão nos Estados Unidos.
Além disso, quase dois terços dos entrevistados acreditam que uma recessão é provável.
Segundo Mark Chambers, líder do setor de varejo da EY Americas, o ambiente econômico tem levado os consumidores a adotarem uma postura mais cautelosa em relação aos gastos.
“A confiança financeira enfraqueceu à medida que os consumidores reavaliam suas perspectivas e tomam decisões de consumo mais deliberadas, baseadas em compensações, diante da contínua incerteza econômica e geopolítica”, afirmou.
O executivo destacou que o movimento reforça a importância de estratégias focadas em valor para o varejo.
“Essa mudança para um consumo mais intencional sinaliza aos varejistas que liderar com valor é fundamental, juntamente com o refinamento de estratégias de preços e promoções para atender às mudanças na demanda”, acrescentou.
A pesquisa Consumer Sentiment Survey, da EY-Parthenon, também apontou que a confiança financeira dos consumidores caiu 12% nos últimos seis meses, embora a maioria dos lares ainda relate estabilidade financeira no dia a dia.
Atualmente, apenas 25% dos consumidores afirmam estar muito confiantes em relação à sua situação financeira.
Imagem: Divulgação
Informações: Chain Store Age
Tradução livre: Central do Varejo
