Economia
Varejo apresenta desempenho misto em fevereiro, aponta IGet
O varejo brasileiro registrou desempenho misto em fevereiro, segundo dados do IGet, índice desenvolvido pelo departamento econômico do Santander em parceria com a Getnet. O indicador ampliado do varejo avançou 0,3% na comparação mensal, enquanto o índice restrito recuou 1,1% no mesmo período.
De acordo com os economistas do Santander Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, os resultados refletem comportamentos distintos entre os segmentos analisados. “Os dados de fevereiro mostraram sinais mistos”, afirmam. O levantamento também indica que o varejo ampliado voltou a crescer após dois meses de retração.
Na comparação anual, no entanto, os resultados permanecem negativos. O índice ampliado apresentou queda de 5,1% em relação a fevereiro do ano anterior, enquanto o varejo restrito recuou 7,5% na mesma base de comparação.
Supermercados e combustíveis pressionam índice restrito
No varejo restrito, o resultado foi influenciado principalmente pelos segmentos com maior peso no indicador. O setor de supermercados registrou retração de 1,0% em relação a janeiro, enquanto combustíveis recuaram 0,7%.
Outros segmentos apresentaram desempenho positivo no período. As vendas de artigos farmacêuticos cresceram 1,4% no mês, enquanto a categoria classificada como outros segmentos avançou 1,2%.
O segmento de móveis e eletrodomésticos também foi citado entre os destaques positivos do indicador no mês, apesar de registrar variação mensal negativa de 1,1%.
Materiais de construção impulsionam varejo ampliado
O desempenho positivo do varejo ampliado foi sustentado principalmente pelo crescimento do segmento de materiais de construção, que registrou alta de 19,5% na comparação mensal.
Por outro lado, o setor de automóveis, partes e peças apresentou retração de 2,7% em fevereiro.
Segundo Couto e Pavan, o resultado do mês ocorre em um contexto de política monetária restritiva, que continua influenciando o nível de atividade econômica.
“A política monetária restritiva continua exercendo pressão sobre a atividade econômica”, afirmam os economistas.
Expectativa de aceleração no primeiro trimestre
Apesar dos resultados heterogêneos no varejo, os economistas apontam expectativa de aceleração da atividade econômica ao longo do primeiro trimestre de 2026.
Segundo eles, fatores como a resiliência do mercado de trabalho e medidas fiscais podem contribuir para o consumo. “Seguimos antecipando aceleração da atividade no 1T26, sobretudo a partir do momento em que os efeitos da isenção de imposto de renda para rendimentos até R$ 5 mil se refletir em impulso para o consumo”, afirmam.
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