Economia
Varejo alimentar registra queda em unidades vendidas em fevereiro
O varejo alimentar apresentou estabilidade no faturamento em fevereiro de 2026 e queda nas unidades vendidas na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do Radar Scanntech divulgados na terça-feira (10). Mesmo com o recuo no mês, o volume acumulado no ano permanece acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Após um janeiro com estabilidade em unidades vendidas e crescimento de 3% no faturamento em relação a janeiro de 2025, o setor registrou em fevereiro leve alta de 0,2% no faturamento e queda de 3% nas unidades comercializadas. O desempenho ocorreu mesmo com o Carnaval acontecendo em fevereiro deste ano, enquanto em 2025 a data foi celebrada em março.
O levantamento também indica redução de 4,5% no fluxo de consumidores nas lojas. O preço médio por unidade subiu 3,3%, fator que contribuiu para sustentar o faturamento do período.
Segundo Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech, o comportamento de compra tem sido influenciado por mudanças no tamanho das embalagens adquiridas. “Chama a atenção a retração em unidades no acumulado do ano, que vem sendo compensada pelo aumento no tamanho das embalagens, sustentando as vendas em volume. Esse movimento sugere uma maior capacidade de desembolso por parte do consumidor e um comportamento mais racional de compra, já que embalagens maiores costumam oferecer melhor preço por quilo. Também pode refletir o aumento de ocasiões de consumo e encontros sociais, que favorecem a escolha por formatos maiores”, afirma.
Entre os canais, os supermercados sustentaram o desempenho do setor, com crescimento de 1,5% no faturamento, apesar da queda de 1,6% nas unidades vendidas. Os formatos menores registraram os melhores resultados: lojas com cinco a nove checkouts cresceram 1,7% em faturamento, enquanto aquelas com até quatro checkouts avançaram 1,5%.
O atacarejo apresentou retração de 2,3% no faturamento e de 5,7% nas unidades vendidas. Os dados consideram apenas lojas comparáveis, desconsiderando unidades abertas ou fechadas no período.
Bebidas puxam retração do mês
As bebidas foram o principal fator de queda nas vendas em fevereiro. O segmento registrou recuo de 8,4% nas unidades vendidas, enquanto o faturamento permaneceu praticamente estável, com alta de 0,5%, sustentado pelo aumento de 9,8% no preço médio.
A retração foi concentrada em categorias associadas ao consumo em dias de calor. Os sucos apresentaram queda de 10,7% em faturamento e de 15,4% em unidades vendidas. Refrigerantes registraram recuo de 3,5% em valor e de 7% em unidades. Já as cervejas tiveram redução de 3,4% no faturamento e de 12% nas unidades comercializadas.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que fevereiro de 2025 registrou anomalia de temperatura em diversas regiões do país, com média até 2 °C acima do normal. Em fevereiro de 2026, as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste apresentaram temperaturas dentro da média histórica ou abaixo do esperado, fator que impactou o consumo dessas categorias.
Em contraste com a tendência geral, algumas categorias associadas a ocasiões de consumo e socialização registraram crescimento. A categoria de aperitivos avançou 21,3% em faturamento. As bebidas alcoólicas prontas para beber, conhecidas como “ready to drink”, cresceram 19,7% em valor e 15% em unidades.
Desempenho por categorias
Fora o segmento de bebidas, a cesta de Mercearia Básica foi a única a registrar retração relevante em faturamento, com queda de 10,3%. Entre os itens com pior desempenho estão arroz, com retração de 35,3% em faturamento, açúcar, com queda de 21,7%, e leite líquido, com recuo de 15,8%.
Mesmo com redução de 9,5% no preço médio da cesta, impulsionada pela queda do preço por volume, o consumo em unidades recuou 0,9%. O relatório aponta que a queda de preços de itens básicos não resultou em aumento do consumo em volume, comportamento já observado ao longo de 2025.
Entre os destaques positivos, a categoria Pet registrou crescimento de 3,9% nas unidades vendidas e de 3,6% no faturamento. A cesta de Mercearia também apresentou avanço de 4% em valor, impulsionada por produtos como sardinha enlatada, que cresceu 46,3% em faturamento, suplementos para academia, com alta de 33,1%, e papinha, com crescimento de 25,5%.
Impacto do Carnaval
No período de 13 a 18 de fevereiro de 2026, durante o Carnaval, o varejo alimentar registrou retração de 13,4% no faturamento e de 18,2% nas unidades vendidas em comparação com os dias equivalentes de 2025.
Segundo o levantamento, ao descontar o efeito calendário (que representa cerca de 13,5% de diferença entre as semanas) a queda real nas unidades vendidas durante o feriado seria de aproximadamente 4,7%.
O atacarejo foi o canal com maior retração no período, com queda de 22,1% no faturamento e de 24,8% nas unidades vendidas. Já os supermercados com um a quatro checkouts apresentaram a menor retração, com queda de 9,7% no faturamento.
Regionalmente, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo registraram menor retração, com queda de 8,8% no faturamento. As maiores quedas foram observadas nas regiões Sul, com retração de 19,4%, e Norte, com queda de 18,1%.
De acordo com Passarelli, a posição do Carnaval no calendário influenciou o desempenho do varejo neste ano.
“Quando o Carnaval acontece no início do mês, o varejo se beneficia de um consumidor com maior disponibilidade de renda logo após o recebimento do salário. Em 2025, a data coincidiu com esse momento, o que também mistura o efeito do abastecimento do mês com o das compras para a festa. Períodos de festa mais próximos às datas comuns de pagamento de salário tendem a estimular um consumo maior”, afirma.
Durante o período do feriado, a categoria de aperitivos foi a única a registrar crescimento na comparação com o Carnaval de 2025, com alta de 2,8% no faturamento.
Imagem: Divulgação
