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No mês do consumidor, a integração entre canais é prova de fogo para o varejo

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No mês do consumidor

O mês do consumidor se consolidou como uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro. Ao longo de março, campanhas promocionais se multiplicam, o tráfego cresce e as marcas disputam a atenção de um cliente mais ativo, mais criterioso e cada vez mais acostumado a comparar opções antes de decidir. Mas, para além do volume de ofertas, a data também cumpre o papel de testar a capacidade do varejo de entregar uma experiência fluida ao longo de toda a jornada.

Isso se dá porque o consumidor não compra de forma linear, nem por meio de um único canal. Levantamento da Wake mostra que 61,6% dos consumidores utilizam mais de um canal em uma única compra. Em períodos como o Mês do Consumidor, esse comportamento se intensifica: o cliente vê uma oferta nas redes sociais, compara no buscador, consulta avaliações em marketplaces, checa disponibilidade no site e, em muitos casos, ainda considera a loja física como parte da decisão.

Na prática, isso significa que a data não aquece apenas o consumo. Ela acelera uma jornada que já é híbrida por natureza. E é justamente nesse ponto que surge um dos maiores desafios para o varejo: acompanhar um consumidor que circula entre canais com mais naturalidade do que muitas empresas conseguem operar internamente.

Os dados reforçam esse cenário: 49,5% dos consumidores já desistiram de uma compra por não encontrar o produto em um canal, mesmo sabendo que ele estava disponível em outro, e 28,9% dizem já ter passado por essa situação diversas vezes. Em outras palavras, quando a integração falha, o custo da ineficiência recai diretamente sobre o cliente e, em períodos promocionais, esse impacto se traduz em perda imediata de conversão.

Esse é o grande desafio do varejo hoje. O consumidor até acessa pela oferta, mas não separa mais preço de experiência. Se a campanha anuncia uma condição vantajosa, ele espera encontrá-la com clareza, coerência e fluidez, independentemente do canal. Espera que o desconto apareça, que o frete não anule a vantagem, que o prazo seja confiável e que a jornada de compra não crie barreiras desnecessárias. O preço atrai, mas é a execução que define se a venda acontece.

O mês do consumidor, portanto, não deve ser visto apenas como uma oportunidade comercial. Ele funciona como um teste de maturidade operacional. Afinal, em um ambiente de alta demanda, qualquer desalinhamento entre estoque, comunicação, atendimento, prazo de entrega e disponibilidade de canais se torna mais visível. A campanha atrai, mas é a consistência da operação que sustenta a conversão.

Esse ponto ganha ainda mais relevância quando observamos que 44,4% dos consumidores consideram essencial ter visibilidade do estoque em tempo real. O dado mostra que a integração deixou de ser um tema de bastidor para se tornar parte da experiência percebida. O consumidor quer autonomia para comparar, decidir e comprar do jeito que for mais conveniente. Mas, para isso, ele depende de informação clara, atualizada e coerente entre os ambientes da marca.

Por isso, omnicanalidade não pode mais ser reduzida à presença em múltiplos canais. Ter loja física, e-commerce, marketplace e redes sociais não significa, por si só, oferecer uma experiência omnicanal. O que define essa experiência é a capacidade de conectar esses pontos com fluidez. O consumidor não avalia a marca por estruturas internas, ele não separa marketing, logística, tecnologia e operação. Ele percebe uma jornada só — e espera que ela funcione como tal.

No mês do consumidor, essa expectativa se torna ainda mais evidente; o cliente chega motivado por campanhas, pronto para aproveitar condições especiais, mas não está disposto a enfrentar obstáculos desnecessários. Se o preço chama atenção, a experiência precisa confirmar a escolha. Quando isso não acontece, a venda se perde não por falta de demanda, mas por excesso de fricção no processo.

O varejo brasileiro já entendeu a força comercial da data. O próximo passo é reconhecer que, em um cenário de consumidor omnicanal, vender mais em março depende menos de ampliar a comunicação e mais de garantir continuidade entre os canais. Porque, no fim, o Mês do Consumidor não premia apenas quem atrai mais cliques ou gera mais tráfego, ele diferencia quem consegue transformar interesse em uma experiência de compra integrada, simples e confiável.

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*Alessandro Gil é uma das maiores autorias digitais do país, possui grande experiência com e-commerce, atuando em empresas como Ikeda, Rakuten, VTEX, Linx e Locaweb. Liderou projetos de plataforma e omnicanalidade nos mais diferentes segmentos e tamanhos de empresa – sendo um dos responsáveis pelo Fórum de E-commerce do Retail Summit e vice-presidente da Wake.

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