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Canetas emagrecedoras mudam consumo e impulsionam mercado de proteínas

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Canetas emagrecedoras

O avanço do uso das canetas emagrecedoras começou a impactar o comportamento alimentar no Brasil e a influenciar estratégias da indústria de alimentos. Empresas como Vida Veg, JBS, Jasmine e Queijos Scala têm ampliado a oferta de produtos com maior teor de proteína e fibras, acompanhando a mudança na demanda dos consumidores.

A tendência está associada à redução do apetite provocada por esses medicamentos, o que leva à busca por refeições menores, porém mais nutritivas. De acordo com o estudo Bain Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, o fenômeno já altera a composição da cesta de consumo. Entre os efeitos observados estão o aumento na procura por suplementos, proteínas e atividades físicas, além da redução no consumo de fast food e outros itens.

Nesse contexto, empresas do setor alimentício têm adaptado seus portfólios. A Vida Veg anunciou o lançamento de seis novos produtos ainda neste semestre, com foco em fibras e proteínas. Entre eles está o shake VegPro, disponível nos sabores morango e chocolate, sem adição de açúcar e com possibilidade de armazenamento fora da geladeira. Outro destaque é o IogVeg Zero, feito à base de aveia, com proteína de ervilha e creme de coco.

A estratégia inclui também mudanças na comunicação dos produtos, com maior destaque para os atributos nutricionais nas embalagens. Segundo a empresa, a reformulação acompanha a transformação no padrão alimentar e a maior acessibilidade de tratamentos voltados ao combate à obesidade.

No segmento de snacks, a Queijos Scala desenvolveu, em parceria com a marca Mais Um, um produto à base de queijo parmesão com perfil proteico. O snack apresenta 134 calorias por porção e segue o conceito clean label, sem aditivos artificiais. A proposta é atender consumidores que buscam opções práticas e alinhadas a uma dieta com maior densidade nutricional.

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Mercado do foodservice se adapta às canetas emagrecedoras

Outra frente de inovação está no desenvolvimento de massas com alto teor de proteína. A Konjac Mass lançou versões de macarrão instantâneo com até 32 gramas de proteína vegetal por unidade e preparo rápido. Já o Konjac Power Espaguete oferece 47 gramas de proteína e 13 gramas de fibras a cada 100 gramas, direcionado ao consumo em refeições tradicionais.

A M. Dias Branco, por meio da marca Jasmine, também ampliou sua atuação com uma linha premium rica em proteína. Os produtos incluem versões com cacau, que atingem 38 gramas de proteína por 100 gramas, além de opções salgadas com 34 gramas na mesma proporção. A iniciativa busca atender diferentes momentos de consumo e perfis de consumidores.

Além dos lançamentos voltados ao consumidor final, a indústria também investe em pesquisa e desenvolvimento. A JBS inaugurou, em Florianópolis, um centro de biotecnologia dedicado ao desenvolvimento de proteínas funcionais e ingredientes bioativos. A estrutura reúne laboratórios voltados à criação e validação de tecnologias aplicadas à produção de alimentos e suplementos.

O movimento observado no Brasil acompanha uma tendência global. Segundo levantamento da Cargill, 61% dos consumidores aumentaram a ingestão de proteínas em 2025. Nos Estados Unidos, restaurantes já adaptam seus cardápios, com foco em porções menores e maior densidade nutricional, refletindo mudanças semelhantes no comportamento alimentar.

No mercado brasileiro, sinais dessa transformação começam a se consolidar também no consumo fora do lar. De acordo com especialistas, há uma redução na frequência e no volume das refeições, especialmente em segmentos de maior renda. Ao mesmo tempo, cresce a oferta de pratos enriquecidos com proteína, como purês com whey protein, massas e sobremesas com maior valor nutricional.

Essa adaptação dos cardápios indica uma mudança estrutural no setor de alimentação, em que o foco deixa de ser apenas quantidade e passa a incluir a qualidade nutricional dos alimentos. A tendência também pode impactar o ticket médio em restaurantes, com a inclusão de opções proteicas como estratégia de valor agregado.

O avanço das canetas emagrecedoras, portanto, não apenas altera hábitos individuais, mas também impulsiona transformações em diferentes elos da cadeia alimentar. A indústria responde com novos produtos, reformulações e investimentos em tecnologia, enquanto o varejo e o food service ajustam suas ofertas para acompanhar um consumidor mais atento à composição nutricional e à funcionalidade dos alimentos.

Imagem: Freepik

*Com informações de Mercado & Consumo

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