Economia
Crediário para celulares cresce 21,7% com alta dos preços dos smartphones
Projeção da IDC apontou que o preço dos smartphones aumentou em 14% e consumidores optam pelo crediário para adquirir aparelhos mais caros, segundo levantamento da Top One Financeira.
O aumento no preço dos smartphones tem levado mais consumidores brasileiros a recorrerem ao crediário para trocar de aparelho. Com a perspectiva de novos reajustes nos custos da tecnologia e um cenário de crédito mais seletivo, o parcelamento oferecido diretamente no varejo vem ampliando sua participação nas vendas do setor.
Segundo projeção da IDC (International Data Corporation), o preço médio global dos smartphones deverá subir 14% em 2026, alcançando US$ 523, o equivalente a aproximadamente R$ 2.641. A expectativa é resultado da elevação dos custos dos chips de memória, componente essencial na fabricação dos aparelhos.
No Brasil, o movimento já reflete no comportamento dos consumidores. Levantamento da Top One Financeira, empresa especializada em crediário e empréstimos no ponto de venda, aponta que as operações voltadas ao segmento de telefonia cresceram 21,75% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O estudo sobre crediário para smartphones
De acordo com os dados da empresa, a categoria respondeu por 7,3% do total de transações realizadas no período. O ticket médio registrado nas compras financiadas foi de R$ 1.854 por aparelho.
A combinação entre aparelhos mais caros e maior dificuldade de acesso ao crédito tradicional ajuda a explicar o avanço da modalidade. Para Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, o celular passou a ocupar uma posição central na rotina dos consumidores, tornando-se um item de necessidade em diferentes atividades do dia a dia.
“O celular deixou de ser apenas um item de tecnologia e passou a concentrar funções essenciais do dia a dia. Hoje ele é utilizado para trabalho, estudo, serviços bancários, comunicação e até acesso a plataformas de consumo. Com aparelhos mais caros e maior seletividade no crédito tradicional, muitos consumidores passaram a buscar parcelamentos com parcelas fixas e condições que caibam dentro do orçamento mensal. Isso fez o crediário ganhar mais espaço, principalmente em compras de maior valor agregado”, afirma.
O crescimento do crediário também influencia o perfil dos produtos adquiridos pelos consumidores. Dados da Top One Financeira mostram que marcas já consolidadas no mercado nacional lideraram as compras parceladas no período analisado.
Marcas mais buscadas
A Samsung concentrou 36% das operações financiadas pela empresa, seguida pela Apple, com 25%. Na sequência aparecem Motorola, responsável por 22% das compras realizadas por meio de crediário, e Xiaomi, com participação de 17%.
Além de facilitar o acesso dos consumidores a aparelhos de maior valor, o crediário também tem sido utilizado como instrumento de redução de risco para os lojistas. Diferentemente de modalidades em que a análise fica concentrada no estabelecimento comercial, a aprovação das operações passa por avaliação realizada pela financeira.
O processo considera fatores como renda, histórico de pagamento e capacidade financeira para assumir novas parcelas. Segundo a Top One Financeira, 33,8% dos clientes considerados elegíveis tiveram crédito aprovado no primeiro trimestre de 2026.
Para Moraes, a análise criteriosa busca equilibrar o acesso ao crédito com a capacidade real de pagamento do consumidor.
“Hoje, para ser aprovado, o consumidor precisa demonstrar mais do que o nome limpo. A análise considera o nível de renda já comprometido, o comportamento recente de pagamento, a estabilidade financeira e a capacidade de manter novas parcelas dentro do orçamento. Esse cuidado é importante para proteger o lojista, mas também para evitar que o consumidor assuma uma dívida acima da sua realidade”, afirma Moraes.
