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Empresas avançam com agentes de IA sem governança, alerta especialista

Carlos Pisani, CEO da ArcH IA, defende que o acompanhamento entre na arquitetura da adoção desde o início, em meio a petição internacional assinada por mais de mil profissionais do setor

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governança de agentes de IA

Grandes corporações têm colocado agentes de IA em operação sem governança interna, limites claros de atuação ou definição sobre quem responde pelas ações desses sistemas. A avaliação é de Carlos Pisani, CEO da ArcH IA e especialista em metodologia de construção de software com IA.

O tema ganhou repercussão internacional com a petição “Pacing the Frontier”, divulgada em 28 de julho e assinada por mais de 1.100 funcionários de OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e Meta, entre eles o CEO da Anthropic, Dario Amodei. O documento pede apoio do governo dos Estados Unidos a um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e de governança capazes de desacelerar o avanço da IA, caso a tecnologia ultrapasse a capacidade humana de supervisão, sem pedir a interrupção de projetos em curso.

“As empresas líderes em IA no mundo acreditam que podem estar perto de automatizar a pesquisa em IA. É difícil prever exatamente o quanto isto vai acelerar o progresso da IA, mas há um risco real de que a capacidade de desenvolvimento avance além da nossa habilidade de compreender ou controlar os sistemas resultantes”, diz a petição.

Governança de agentes de IA repete problema da fronteira tecnológica

Para Pisani, a carta expõe em escala global o mesmo problema que ele observa dentro das empresas que adotam agentes de IA sem estrutura para acompanhá-los. “Se até quem cria a tecnologia está pedindo um freio, cabe perguntar por que tantas empresas continuam colocando agentes de IA em operação sem nenhuma camada de governança interna”, afirma. “Trata-se de colocar um agente para operar sem definir limites, sem estabelecer mecanismos de auditoria e sem determinar quem será responsável por suas ações.”

Segundo o executivo, quanto maior o grau de autonomia atribuído a esses sistemas, maior precisa ser a capacidade de acompanhar suas operações e identificar desvios. “A empresa precisa saber o que o agente pode fazer, o que ele não pode fazer e quem responde quando alguma coisa sai do previsto. Sem isso, a autonomia deixa de ser um ganho operacional e passa a criar um novo ponto de vulnerabilidade”, explica.

Pisani também associa a petição ao cenário econômico do setor de IA, marcado por escassez de infraestrutura e por empresas cujo faturamento ainda não cobre o volume investido. “A conta ainda não fecha. O que está por trás dessa petição não é só uma preocupação com segurança. É também uma forma de ganhar tempo e dividir a responsabilidade pelos riscos, num momento em que a infraestrutura não acompanha o ritmo de expansão nem os investimentos se pagam”, diz.

Para o executivo, esse cenário reforça a necessidade de empresas brasileiras tratarem a governança de agentes de IA como parte do processo de adoção, não como etapa posterior. “Quem espera um marco regulatório para começar a pensar em governança interna vai chegar atrasado”, afirma.

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Imagem: Magnific

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