Operação
Empresas em recuperação judicial acumulam R$ 20 bi no varejo
Levantamento do Monitor RGF-BIZDOC mostra 6.341 empresas em recuperação judicial no país em julho; Casas Bahia concentra R$ 17,3 bilhões do total no varejo.
Empresas em recuperação judicial no varejo brasileiro acumulam R$ 20 bilhões em dívidas em 2026, segundo levantamento do Monitor RGF-BIZDOC publicado pelo Poder360 na terça-feira (1º/9). O montante reúne companhias de diferentes gerações e segmentos, de eletrodomésticos a alimentação, que recorreram à Justiça neste ano.
A Casas Bahia soma R$ 17,3 bilhões em dívidas reconhecidas no processo aberto em agosto, depois de uma recuperação extrajudicial concluída em 2024.
O Grupo Toky, dono de Mobly e Tok&Stok, declarou passivo de R$ 1,1 bilhão em pedido protocolado em maio. O Grupo Gennius, controlador do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, declarou R$ 265 milhões.
A lista inclui ainda as Lojas Marabraz, o Grupo CVLB, dono de Casa&Video e Le Biscuit, e a Americanas, em recuperação judicial desde 2023. Segundo o Poder360, juros altos, restrição de crédito e mudança no padrão de consumo aparecem como fatores comuns aos casos.
Universo de empresas em recuperação judicial cresce no país
O Brasil tinha 6.341 empresas em recuperação judicial em julho de 2026, segundo o Monitor RGF-BIZDOC. No primeiro semestre, 370 empresas entraram em RJ, alta de 6,2% sobre o mesmo período de 2025, quando o estoque somava 5.971 companhias.
Para Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF e especialista em reestruturação, o quadro mostra que a pressão financeira deixou de se concentrar apenas nas grandes empresas.
Em entrevista ao Poder360, Damasceno afirma que “o estresse financeiro está descendo a pirâmide empresarial”. Segundo ele, o crescimento recente das recuperações passou a incluir mais empresas de menor porte, além das grandes redes já pressionadas.
Damasceno atribui o cenário a juros elevados, custo do crédito e queda de renda em regiões afetadas pela retração do agronegócio. A expansão de plataformas digitais asiáticas, diz ele, acelerou uma transformação que já estava em curso no varejo físico, sem ser a origem da crise.
O levantamento aponta ainda alta de 21,4% no número de empresas do agronegócio em recuperação judicial no semestre, e de 66% em 12 meses, com 1.263 companhias do setor no total.
Com informações de Simone Kafruni para Poder360.
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