D2C Summit
Neil Patel diz que marcas D2C precisam ser encontradas em redes sociais e IAs, além do Google
O cofundador da NP Digital afirmou que o tráfego vindo de IA vale sete vezes mais que o da busca tradicional e apresentou seis movimentos para marcas
O SEO para e-commerce deixou de ser uma disputa por posição no Google e passou a depender de a marca ser encontrada e recomendada em buscadores, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial, afirmou Neil Patel, cofundador da NP Digital.
Patel apresentou a palestra “Search Everywhere” no D2C Summit 2026, realizado nesta quarta-feira (30), no Distrito Anhembi, em São Paulo. A fala foi em inglês, e as citações desta matéria são traduções.
Como o SEO para e-commerce muda com a busca em todas as plataformas
“O SEO deixou de ser a otimização para mecanismos de busca e passou a ser a otimização para busca em todos os lugares”, disse Patel.
Segundo ele, Instagram e TikTok somam 7,5 bilhões de buscas por dia, e as redes sociais são o principal ponto de partida da descoberta de marcas.
De acordo com o executivo, 94,4% dos consumidores interagem com a marca mais de uma vez, em plataformas diferentes, antes de comprar. Ele descreveu um percurso em que a pessoa vê um produto no Instagram, pergunta ao ChatGPT, lê avaliações e compra no Mercado Livre.
Patel disse que as buscas ficaram mais detalhadas e que, quanto mais específica a pergunta, maior a chance de compra. A métrica principal passou da posição média para a presença como resposta escolhida.
Ele afirmou que o primeiro resultado do Google recebe cerca de 25% menos cliques e que o usuário só visita o site quando está pronto para comprar. A receita pode crescer mesmo com queda de tráfego, segundo ele, se a marca for encontrada em todos os canais.
Por que a IA muda o SEO para e-commerce
Dados da NP Digital indicam que o tráfego vindo de IA vale sete vezes mais que o da busca tradicional, segundo Patel. O consumidor gasta mais, converte mais, tem maior valor ao longo da vida e decide mais rápido, disse.
Marcas fortes tendem a ser recomendadas por IAs, afirmou o executivo. A recomendação de uma única marca leva o consumidor à ação com mais frequência do que uma lista de várias.
Patel citou como sinais de citação os dados consistentes entre plataformas, as avaliações com fotos e vídeos, as menções em fóruns e publicações especializadas, o conteúdo recente e a prova de terceiros. Segundo ele, a IA consulta o site da marca em cerca de 20% das vezes.
O executivo contrastou a busca por “tênis” com a busca por “tênis de corrida vermelho para pé chato”. Quanto mais específica a marca, mais fácil aparecer nas respostas, disse.
Plano de 30 dias de SEO para e-commerce
Patel propôs seis movimentos. O primeiro mapeia onde os clientes descobrem a marca, com entrevistas com dez clientes e uma lista de 20 perguntas sobre o produto. O segundo audita as citações em IA: ele sugeriu perguntar ao ChatGPT quais fontes usa e procurar esses sites para ser incluído.
O terceiro prepara páginas legíveis por máquinas, com dados estruturados e sem bloqueio a rastreadores. O quarto cria páginas de comparação com concorrentes, e o quinto amplia a coleta de avaliações. A distribuição em canais próprios e de terceiros é contínua.
Ele recomendou um painel mensal com cinco indicadores, que são presença em IA, receita por visitante, menções à marca, buscas pela marca e novas avaliações.
Entre os erros mais caros, Patel citou cortar investimento em busca após queda de tráfego, produzir volume sem diferenciação, tratar avaliações como detalhe, apostar em uma só plataforma e medir apenas sessões e posições.
Segundo o executivo, as marcas D2C brasileiras ainda demoram a otimizar para IA, o que mantém uma janela aberta. No Brasil, afirmou, confiança, prova social e facilidade de uso pesam mais que preço na decisão de compra.
Como exemplo, Patel citou a Bacio di Latte, sorveteria brasileira com loja em Los Angeles, onde um sorvete pequeno custa de R$ 30 a R$ 40. Segundo ele, os clientes pagam pela marca, pela qualidade e pela confiança, e o menor preço não é condição para vender.
Ele orientou direcionar verba para relações públicas digitais, parcerias, influenciadores e conteúdo com dados próprios. Menções e citações, disse, substituem a contagem de links como medida de autoridade.
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Imagem: Central do Varejo
