D2C Summit

Nuvemshop tinha menos de quatro meses de caixa em 2014 e recusou duas propostas de compra, diz cofundador

Em palestra sobre a história da empresa, Alejandro Vázquez relatou a mudança para o Brasil, a crise de caixa de 2014 e a rodada de US$ 500 milhões em 2021

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Alejandro Vázquez, presidente e cofundador da Nuvemshop, usou a própria trajetória para mostrar como empreender com pouco caixa. Em 2014, a empresa tinha menos de quatro meses de caixa e recusou duas propostas de compra.

A palestra “A história da Nuvemshop” foi apresentada no D2C Summit 2026, realizado nesta quinta-feira (1º), no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Como empreender a partir de um problema

Vázquez contou que a Nuvemshop nasceu em 2008, como projeto de faculdade, de um marketplace ligado às redes sociais. A ideia ficou sem oferta e demanda suficientes, e os fundadores chegaram perto de desistir.

Mesmo assim, alguns usuários usavam a plataforma de outro jeito. Eram donos de marcas com produtos físicos que haviam desistido de montar a própria loja online por custo, demora e falta de autonomia. Em 2011, os fundadores passaram a se dedicar 100% à plataforma de e-commerce.

Ele citou dois aprendizados. Os primeiros clientes devem ser quem já sabe que tem o problema, e o fundador deve se obcecar pelo problema, não pela solução.

Entre os primeiros clientes estavam a mãe de um dos fundadores e uma designer argentina de vestidos de festa, que na época vendia zero online. Hoje, o e-commerce responde por metade da receita dela, segundo Vázquez.

A primeira rodada, de US$ 300 mil em 2011, exigiu conversas com mais de 100 pessoas. Algumas rodadas passaram de 18 meses sem fechar, afirmou.

Como empreender no Brasil sem estrutura

A primeira visita ao Brasil foi em 2011, pela Avenida Paulista, para perguntar a lojistas se vendiam online. A operação começou em 2012. Sem CNPJ por quase um ano, a empresa cobrava os clientes pela conta pessoal de um colaborador, disse Vázquez.

Nas viagens de 45 dias, os fundadores dividiam um apartamento de 35 metros quadrados para economizar. Em 18 de janeiro de 2014, ele se mudou para o país. Até o atendimento da Argentina que não falava com clientes brasileiros teve aula de português, afirmou. Hoje, a maioria das cerca de 1.600 pessoas da empresa está no Brasil.

Como empreender em crise: caixa e pandemia

Em 2014, os fundadores traçaram dois planos para o caixa. O plano A era uma nova rodada, e o B era fazer a receita superar os custos. Eles contaram a situação aos 20 funcionários, cortaram ferramentas, mudaram o modelo de cobrança, que só tinha mensalidade, e abriram mão dos próprios salários.

Duas empresas fizeram propostas formais de compra, e a Nuvemshop recusou ambas, disse Vázquez. Uma não priorizaria a missão de vender direto ao consumidor, e a outra tinha cultura muito diferente.

Depois veio uma oferta de US$ 3 milhões da Kaszek, e cerca de 30 dias depois a receita passou a superar os custos. A rodada fechou em janeiro de 2015.

Na pandemia, a receita dos clientes caiu 50% na primeira semana de lockdown e voltou a subir a partir da terceira. A empresa passou de 200 a 600 funcionários e de 30 mil a 70 mil clientes em menos de um ano. Em 2021, fechou rodadas de US$ 90 milhões e US$ 500 milhões, a segunda a sétima maior da América Latina, segundo ele.

Lições de como empreender na era da IA

Vázquez disse que produto bom não basta para vender. O mercado ainda vê a Nuvemshop como plataforma para pequenos lojistas, e a empresa investe em posicionamento de marca para mudar essa leitura.

Segundo ele, a maioria das empresas não nasceu com IA, mas pode virar companhias “AI Reborn”. A tecnologia muda o como, e os líderes definem o para onde, o para quê e o porquê, afirmou.

Ele encerrou com a pergunta “O que acontece se der certo?”, feita aos presentes.

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Imagem: Victor Cortez – Central do Varejo

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