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Visa vê comércio agêntico em escala no Brasil em até um ano
VP de Produtos e Inovação da bandeira diz que sites de e-commerce precisam se adaptar à linguagem de agentes de IA para não perder vendas
Casos de comércio agêntico em escala devem aparecer no Brasil em até um ano, segundo Frederico Succi, VP de Produtos e Inovação da Visa do Brasil. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à Central do Varejo durante a Febraban Tech 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Em março, Visa e Banco do Brasil realizaram a primeira transação agêntica do país. Segundo Succi, o episódio funcionou como teste de tecnologia, não como um caso de adoção em massa. “Caso em escala mesmo, ainda não tem”, disse.
O executivo afirmou que o período seguinte à primeira transação serviu para abrir novos projetos com comércios diferentes. “A gente abriu várias frentes de projetos com um novo time de consultoria. A gente está esperando que até o final desse ano a gente ainda tenha os primeiros casos de uso concretos desse negócio em escala”, disse.
Para Succi, a tecnologia já está pronta e o desafio está em unir as partes envolvidas. “O que está faltando é o caso de uso unindo todas as pontas. Comércio, emissor, bandeira, agente, tudo isso”, afirmou.
Segundo o executivo, sites de e-commerce precisam mudar a forma como entregam informação para que agentes de IA os priorizem em uma busca. Hoje, plataformas costumam mostrar resultados em listas curtas, com detalhes liberados só depois do clique do usuário.
“Para um robô, para um agente, essas informações precisam vir todas na primeira interação. Frete, prazo de entrega, avaliação, como estão os rates dos clientes”, disse Succi. Segundo ele, sites sem essa adaptação deixam de aparecer nas buscas feitas por agentes.
O executivo afirmou que a mudança não afeta apenas o momento da compra. “A forma de navegar, a busca, a descoberta de novos, a descoberta das ofertas certas muda já no comércio agente”, disse.
Comércio agêntico já faz parte da rotina do brasileiro
Succi citou pesquisas internas segundo as quais quase 80% dos consumidores brasileiros já utilizam agentes de inteligência artificial em alguma etapa da busca ou da compra. Para ele, o comércio agêntico já é rotina nessa etapa inicial.
O que falta virar prática comum, segundo o executivo, é a autonomia total do agente para executar a compra sem intervenção humana no momento final. “Essa parte final é muito difícil predizer”, afirmou.
Succi apontou o Brasil como o mercado mais preparado do mundo para essa transição, com 80% das credenciais bancárias já tokenizadas, requisito de segurança para o comércio agêntico. “O Brasil larga na frente do ponto de vista referente”, disse.
Segundo o executivo, falta ao país avançar em autenticação, etapa que confirma que o consumidor autorizou a compra feita pelo agente. “O ecossistema precisa ir construindo as fundações. Não adianta só o seu banco estar pronto, mas o comércio não, o consumidor não”, afirmou.
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Imagem: Divulgação
