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World Retail Congress debate o futuro do luxo entre tradição, experiência e novas regras do consumo
World Retail Congress debate futuro de luxo entre as novas regras de consumo, contrastando com a era moderna.
No palco do World Retail Congress, o painel “The Future of Luxury” reuniu líderes de diferentes frentes do mercado premium para discutir como o setor precisará se reinventar até 2030. Participaram André Maeder, Nermeen Nosseir, Alexis Mourot e mediação de Selvane Mohandas du Ménil. O debate deixou claro que o luxo vive um momento de inflexão: menos ostentação, mais significado.
A abertura trouxe números que ajudam a explicar a urgência da discussão. Segundo o moderador, o setor perdeu cerca de €140 bilhões em valor de mercado desde janeiro, enquanto aproximadamente 50 milhões de consumidores deixaram o mercado de luxo desde 2022, pressionados por aumentos de preços que chegaram a 50% desde 2019. A China, antes motor de crescimento da categoria, também mostra sinais de desaceleração. 
O novo luxo será experiência, não transação
Entre as falas mais marcantes esteve a de Nermeen Nosseir, responsável pela estratégia de varejo da Diriyah Company, megaprojeto de US$ 62 bilhões na Arábia Saudita. Ela resumiu a tese da companhia em uma frase direta: “não queremos transação, queremos memória.”
O empreendimento, inspirado na primeira capital saudita, está sendo desenhado como cidade caminhável, sem carros visíveis, com infraestrutura subterrânea e forte integração entre hospitalidade, cultura e varejo. A proposta é que marcas globais criem lojas exclusivas e conectadas à identidade local. Para Nosseir, o consumidor premium não busca apenas comprar, mas viver algo memorável. 
Selfridges: loja de departamentos vira plataforma de lifestyle
Já André Maeder mostrou como a Selfridges Group está deixando de ser apenas varejo tradicional para se tornar uma plataforma de experiência urbana.
Segundo ele, até 2030 a empresa será menos “department store” e mais “retail media company”. O grupo já opera cinema próprio, restaurantes, exposições, talks e acaba de lançar um clube premium de 2.500 m² em Londres, com áreas VIP, gastronomia e sistema de fidelização baseado não apenas em compras, mas também no tempo que o cliente passa na loja.
“Queremos recompensar presença, não apenas consumo”, indicou Maeder ao explicar a lógica do novo membership model. 
Christian Louboutin: crescer sem perder a alma
No campo das marcas, Alexis Mourot apresentou como a Christian Louboutin pensa o futuro mantendo exclusividade e desejo.
Ele explicou que a companhia trabalha com quatro pilares estratégicos: inovação, força de marca, agilidade e alinhamento interno. Um dos pontos centrais é saber dizer “não”. Segundo Mourot, preservar o DNA criativo da marca vale mais do que aceitar oportunidades fáceis.
Para aprovar novas colaborações ou projetos, a empresa avalia cinco critérios: alegria, ousadia, conexão parisiense, autenticidade e craftsmanship. Se a proposta não atender ao menos três deles, não avança.
Em outra fala forte, Mourot resumiu a lógica do luxo contemporâneo: “o poder de sinalizar também é luxo.” 
O luxo de 2030 será físico, emocional e seletivo
Apesar do avanço digital e da inteligência artificial, os três executivos concordaram em um ponto: o espaço físico seguirá central. Não como simples loja, mas como palco de relacionamento, comunidade e descoberta.
Se antes o luxo era sobre produto e status, o painel mostrou que o próximo ciclo será guiado por:
- experiências memoráveis;
- curadoria rigorosa;
- identidade cultural;
- serviços hiperpersonalizados;
- espaços que funcionam como destino;
No fundo, a mensagem no World Retail Congress, em Berlim, foi clara: o futuro do luxo não será apenas caro — será relevante.
Imagem: Danielle Mallmann / Divulgação
