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World Retail Congress: como marcas históricas estão sendo reinventadas na era do conteúdo

Na era do conteúdo, grandes marcas começaram um processo de reinvenção para se adequar ao novo modelo de negócio.

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World Retail Congress

No World Retail Congress, uma das apresentações mais provocativas sobre o futuro das marcas veio de Henry Stupp, executivo da Authentic Brands Group, durante a palestra “Beyond Retail: The Operating System for Modern Brands”.

A principal mensagem foi clara: no cenário atual, vender produtos já não basta. Para crescer de forma consistente, marcas precisam operar como ecossistemas culturais, conectando conteúdo, comunidade, entretenimento e distribuição global. 

A Authentic Brands Group administra algumas das marcas mais conhecidas do mundo, entre elas Reebok, Brooks Brothers, Champion, Ted Baker e propriedades ligadas a ícones como Elvis Presley, David Beckham e Muhammad Ali.

Segundo Stupp, o diferencial está em enxergar essas marcas como ativos intelectuais vivos — e não apenas como etiquetas de produto. “Conteúdo impulsiona comércio”, resumiu ao explicar a estratégia da companhia. 

Do arquivo histórico ao consumo moderno

Um dos pontos centrais da palestra foi o valor dos arquivos históricos. Marcas centenárias carregam acervos de campanhas, peças antigas, design e narrativas que não podem ser replicados rapidamente — nem mesmo com inteligência artificial.

No caso de Brooks Brothers, fundada em 1818, esse legado foi usado para expandir a marca além da alfaiataria tradicional, entrando em categorias como casualwear, moda feminina e até experiências gastronômicas. 

Para o executivo, herança de marca só gera valor quando reinterpretada para o presente.

World Retail Congress e o poder do entretenimento

Outro destaque foi a capacidade de filmes, séries e documentários impulsionarem vendas e relevância cultural. O exemplo citado foi Elvis Presley: após o sucesso do filme lançado em 2022, a marca ligada ao artista ganhou novo fôlego comercial, seguido por novas ativações, produtos e experiências ao vivo. 

O mesmo raciocínio vale para David Beckham, cuja presença em documentário da Netflix fortaleceu sua imagem pública e abriu novas categorias de negócio.

A tese defendida no palco foi direta: quando a história emociona, o consumo acompanha.

Reebok, Juicy Couture e a arte do relançamento

Henry Stupp também revelou números expressivos de turnaround. A Reebok, adquirida da Adidas, dobrou de tamanho após nova estratégia centrada em produto e parceiros globais. Já Juicy Couture saltou de cerca de US$ 20 milhões para aproximadamente US$ 400 milhões em volume bruto de vendas na Europa em poucos anos. 

O padrão se repete: reposicionamento fiel à essência original, produto correto, canais certos e narrativa relevante.

World Retail Congress: o varejo como parceiro estratégico

Mesmo falando de mídia, licenciamento e entretenimento, Stupp reforçou que nada funciona sem bons varejistas. Para relançar uma marca, é preciso parceria de longo prazo, paciência para ajustes de sortimento e crença compartilhada no potencial do negócio.

Em outras palavras, no futuro do varejo, lojas deixam de ser apenas ponto de venda e passam a ser palco de reconstrução de marcas.

O insight final para 2030

A palestra deixou um recado importante para o setor: as marcas vencedoras dos próximos anos serão aquelas capazes de unir produto forte, storytelling relevante e distribuição inteligente.

No mundo pós-digital, talvez o maior ativo de uma empresa não seja estoque nem tecnologia — e sim a capacidade de continuar sendo culturalmente desejada.

Imagem: Danielle Mallmann / Divulgação

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