Comportamento
“Fibermaxxing” ganha força e impulsiona nova onda de produtos ricos em fibras
Tendência de bem-estar nas redes sociais amplia interesse por alimentos funcionais e leva marcas a reformular portfólio
A tendência conhecida como “fibermaxxing”, que incentiva o aumento do consumo diário de fibras, tem ganhado espaço nas redes sociais e começa a influenciar o desenvolvimento de produtos e estratégias no setor de alimentos e bebidas.
O conceito propõe elevar a ingestão de fibras acima das recomendações diárias de 25 a 30 gramas, com base no consumo de alimentos como grãos integrais, frutas, legumes e, em alguns casos, suplementos.
Segundo dados da Mintel, cerca de 90% das mulheres e 97% dos homens nos Estados Unidos não atingem a ingestão diária recomendada de fibras. O movimento do “fibermaxxing” surge como resposta a dietas modernas com alto nível de alimentos ultraprocessados e baixo consumo de ingredientes naturais.
O interesse do consumidor tem crescido. Pesquisa da Datassential aponta que 54% dos consumidores demonstram interesse por alimentos e bebidas ricos em fibras, índice que chega a 60% entre a geração Z. A Whole Foods incluiu a tendência entre as principais para 2026.
Grandes empresas do setor, como PepsiCo e Nestlé, já têm investido em reformulações e lançamentos voltados a essa demanda.
Além da saúde intestinal, o consumo de fibras está associado à regulação da glicose, controle de peso e redução de riscos de doenças crônicas, como câncer colorretal e doenças cardíacas.

Especialistas, no entanto, alertam para excessos. Algumas abordagens nas redes sociais sugerem ingestão de 50 gramas ou mais por dia, o que pode levar a dietas pouco variadas e desequilíbrios nutricionais. Segundo o médico Nish Manek, é necessário equilibrar diferentes tipos de fibras, como solúveis e insolúveis.
Apesar disso, a tendência é vista como um sinal de mudança mais ampla no comportamento alimentar, com maior foco em alimentos integrais e hábitos de longo prazo.

O movimento também tem impulsionado o lançamento de novos produtos. A marca Poca desenvolveu sachês de xarope sem calorias com adição de fibras, voltados para bebidas como café e chá. Já a empresa britânica The Gut Stuff lançou bebidas com 10 gramas de fibra prebiótica por unidade, equivalente a cerca de um terço da ingestão diária recomendada.

Outra iniciativa é a Liquid Salad, criada pelo influenciador Alan Lin, que reúne ingredientes de uma salada em formato líquido, com cerca de 8 gramas de fibras por porção.
Para marcas e varejistas, a tendência representa uma oportunidade de reposicionar a categoria de fibras, tradicionalmente associada a funcionalidade e saúde, para um contexto mais amplo de bem-estar, performance e longevidade.
Imagens: Divulgação
Informações: GDRUK
Tradução livre: Central do Varejo
