Comportamento
Copa do Mundo 2026: comportamento do torcedor brasileiro transforma consumo
Levantamento aponta transformação no comportamento do consumidor durante maior torneio de futebol do mundo; especialista aponta e analisa números.
A Copa do Mundo de 2026 influenciou o comportamento dos consumidores brasileiros antes mesmo do início da competição. Além da expectativa pelos jogos, o torneio movimenta diferentes setores da economia e revela mudanças no perfil do torcedor, que agora apresenta hábitos de consumo mais conectados ao ambiente digital, ao bem-estar e à experiência de acompanhar as partidas em múltiplas plataformas.
Dados da edição especial do relatório MELI Trends, divulgada pelo Mercado Livre em junho de 2026, mostram uma mudança significativa no comportamento de busca dos consumidores ao comparar maio de 2026 com o período que antecedeu a Copa do Mundo de 2022. Entre os destaques está o crescimento de 985% nas buscas por cerveja zero, além do aumento de 640% na procura por peças de streetwear com as cores do Brasil.
O levantamento também aponta alta de 360% nas pesquisas por esmaltes e itens de nail art nas cores verde e amarela. Já as tintas para decoração de ruas e fachadas registraram mais de 95 mil buscas, representando crescimento de 642%. Outro destaque é o álbum oficial de figurinhas, pesquisado em média 3,3 vezes por minuto nos primeiros 28 dias de venda, volume 18 vezes superior ao registrado na Copa anterior.
Especialista analisa o consumidor da Copa do Mundo
Para Caroline Ferrari, Diretora de Novos Negócios Corporativos da Octopus, os números indicam uma mudança consistente no comportamento dos consumidores.
“O crescimento da cerveja zero não é um dado isolado. Ele reflete uma mudança de comportamento que vem ganhando força nos últimos anos: consumidores cada vez mais atentos à saúde e ao equilíbrio entre lazer e bem-estar, inclusive durante grandes eventos esportivos. Marcas que só enxergam o torcedor pela lente da cerveja gelada e do churrasco estão deixando dinheiro na mesa”, pontua.
Além das mudanças nas preferências de consumo, os estudos apontam que o torcedor da Copa do Mundo de 2026 também apresenta novos hábitos de interação com o conteúdo esportivo. Segundo dados da MiQ, 76% dos torcedores devem assistir às partidas utilizando uma segunda tela ao mesmo tempo. Já uma pesquisa do PicPay mostra que 77% pretendem acompanhar os jogos em casa, mantendo o celular como ferramenta para comentar partidas, realizar compras e interagir nas redes sociais durante os eventos.
As projeções também indicam crescimento nos investimentos em publicidade. Segundo a WARC Media, a Copa do Mundo de 2026 deve movimentar aproximadamente US$ 10,5 bilhões em investimentos globais em mídia. No Brasil, dados do IAB Brasil mostram que a publicidade digital já ultrapassou R$ 42 bilhões em 2025, cenário que tende a ser impulsionado pelo torneio.
Como o torneio influencia o consumidor?
Outro levantamento, realizado pela Rakuten Advertising, aponta que 91% dos brasileiros pretendem comprar produtos ou serviços motivados pela Copa do Mundo 2026. A expectativa reforça o potencial do evento para estimular diversos segmentos do mercado.
Entre os setores que devem registrar maior demanda estão alimentos, bebidas, eletrônicos, moda temática, produtos voltados para confraternizações e itens destinados à experiência de assistir aos jogos em casa. O serviço de delivery também aparece entre as atividades com expectativa de crescimento durante as partidas.
Pesquisa da Neogrid em parceria com a Opinion Box revela que 51% dos brasileiros pretendem aumentar os gastos com alimentos e bebidas durante a competição, principalmente em encontros com familiares e amigos para acompanhar os jogos.
Na avaliação de Caroline Ferrari, compreender essas transformações será um diferencial para empresas que desejam estabelecer uma comunicação mais alinhada ao comportamento atual do consumidor.
“As marcas que aproveitarem esse momento para entender o novo perfil do torcedor — mais jovem, conectado e preocupado com bem-estar — vão sair na frente. A Copa não é só futebol; é uma janela de dados comportamentais que precisa ser lida com inteligência estratégica. Quem chegar com campanha genérica vai competir por atenção com todo mundo. Quem chegar com relevância vai conquistar espaço”, destaca Ferrari.
Imagem: gerada com auxílio de inteligência artificial
