Comportamento

Golfe migra do campo para a cidade e se reinventa como cultura de consumo e entretenimento urbano

Relatório da WGSN aponta crescimento de 4,5 milhões de participantes nos EUA em 2024; geração Z e millennials impulsionam formatos alternativos e simuladores

Publicado

on

Golfe

O golfe está passando por uma transformação estrutural que vai além das fronteiras do campo tradicional. Relatório da WGSN aponta que o esporte está se fragmentando em subculturas e formatos alternativos, criando novas oportunidades de consumo e posicionando a modalidade como vetor de entretenimento urbano, moda e lifestyle para públicos mais jovens e diversos.

Nos Estados Unidos, o total de participantes chegou a 47,2 milhões em 2024, com crescimento de 4,5 milhões em relação a 2023, segundo dados da Sports & Fitness Industry Association (SFIA). O maior grupo de jogadores em campo é o de 18 a 34 anos, com quase 6,3 milhões de participantes, segundo a National Golf Foundation (NGF). Ainda assim, o esporte mantém um perfil demográfico restrito: dos 13,2 milhões de praticantes em campo nos EUA, 72% são homens, 78% são caucasianos e 54% têm situação financeira confortável, segundo o Relatório Graffis 2023 da NGF.

Golfe
Imagem: Bad Birdie

É justamente esse perfil que os novos formatos buscam ampliar. O golfe fora do campo (em simuladores, driving ranges tecnológicos e espaços urbanos) cresce como alternativa mais acessível, menos formal e mais social ao jogo tradicional. Segundo levantamento da Lightspeed, 68% dos jogadores da geração Z e 62% dos millennials frequentam locais de entretenimento de golfe, e ambos os grupos afirmam considerar substituir passeios tradicionais por esse tipo de experiência.

O streetgolf e o speedgolf são exemplos de formatos que combinam o esporte com elementos da cultura urbana e do condicionamento físico. O primeiro leva o jogo para as ruas da cidade, enquanto o segundo mescla precisão técnica com tempo de conclusão das rodadas, permitindo maior ritmo e participação. Nos dois casos, o objetivo é reduzir as barreiras de entrada (financeiras, sociais e de tempo) que historicamente limitaram a expansão da modalidade.

No campo do varejo e do produto, o relatório aponta o crescimento do streetwear de desempenho como tendência central, com marcas redesenhando uniformes e equipamentos para atender simultaneamente às demandas de funcionalidade esportiva e estética contemporânea. Equipamentos modulares e leves, desenvolvidos para ambientes urbanos e pensados para jogadores iniciantes, também ganham espaço como estratégia de democratização da modalidade.

Golfe
Imagem: @devereuxgolf

Os simuladores de golfe se consolidam como infraestrutura permanente nesse novo ecossistema. Dados da NGF indicam que uma parcela relevante dos usuários de simuladores nos EUA não pratica o golfe tradicional em campo, o que os posiciona como porta de entrada para novos públicos. Empresas como Topgolf, com seu sistema Toptracer de rastreamento de bolas, e Urban Golf at Home, no Reino Unido, exemplificam o movimento de levar a experiência do esporte para ambientes indoor e domésticos, com recursos de gamificação, competição entre amigos e treinamento baseado em dados.

Para o varejo e as marcas, o relatório da WGSN recomenda investir em produtos que atendam diferentes faixas de preço, priorizar a facilidade de uso para iniciantes, desenvolver opções de treinamento adaptáveis a diferentes rotinas e explorar o potencial dos espaços de golfe como destinos de hospitalidade, reunindo simuladores, gastronomia e experiência social em um único ambiente.

Imagem destacada: GolfDigest

Continue Reading
Comente aqui

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *