Comportamento
Marcas de carros chinesas crescem 515% no Brasil, aponta estudo
Estudo da Timelens aponta que marcas de carros chinesas viraram o novo alvo de consumo dos proprietários de veículos.
O interesse dos brasileiros por carros fabricados pela China aumentou 515% nos últimos cinco anos, segundo um estudo da Timelens, empresa pertencente à FutureBrand São Paulo. A pesquisa, baseada na análise de mais de 110 milhões de menções online, também identificou um crescimento de 112% nas discussões sobre veículos eletrificados no país, indicando mudanças no comportamento do consumidor e nas exigências relacionadas ao setor automotivo.
De acordo com o levantamento, a chegada de novas montadoras asiáticas alterou a dinâmica do mercado nacional. Se antes essas fabricantes eram associadas principalmente ao custo-benefício, agora passaram a ocupar espaço nas conversas relacionadas à inovação, tecnologia e experiência de uso.
A pesquisa aponta ainda uma mudança na forma como os consumidores enxergam o automóvel. O veículo deixou de ser percebido apenas como um meio de transporte e passou a ser visto como uma plataforma de experiência.
O principal requisito nas conversas analisadas é o conforto, representando 41,7% da importância atribuída pelos consumidores. A tecnologia, por sua vez, deixou de ser considerada um diferencial e passou a figurar entre as principais exigências durante o processo de compra.
“O setor automotivo brasileiro está passando por múltiplas transições simultâneas, e quem olhar para isso como um movimento linear vai perder oportunidades. A chegada das novas montadoras asiáticas redefiniu a lógica de concorrência de forma muito rápida. Em menos de três anos, observamos a migração do ceticismo para o desejo real de compra. Elas deixaram de brigar apenas por preço para ditar o ritmo da inovação”, afirma Filippo Vidal, sócio e diretor da FutureBrand São Paulo.

Transformação dos carros e do consumidor
Segundo o estudo, essa transformação também pode ser percebida na forma como os consumidores falam sobre automóveis. Termos tradicionalmente ligados ao consumo de combustível, como “quilômetro por litro”, passaram a dividir espaço com expressões relacionadas à autonomia e à recarga, como “quilômetro por hora”, refletindo o aumento do interesse pelos veículos eletrificados e pelas novas tecnologias disponíveis no mercado.
O levantamento também mostra que a consolidação das marcas chinesas ocorre principalmente em segmentos de maior valor agregado. Os SUVs médios e premium concentram entre 39% e 40% das conversas sobre veículos chineses. Já entre os sedãs compactos e médios asiáticos, o interesse cresceu 939%, enquanto os sedãs de luxo registraram aumento de 2.000% nas menções analisadas.
Além da evolução da presença das montadoras chinesas, o estudo destaca o avanço da eletrificação no mercado brasileiro. No início de 2026, os veículos eletrificados passaram a representar 14% das vendas totais de automóveis no país. A projeção apresentada pela pesquisa indica que esse segmento poderá ultrapassar a marca de 280 mil unidades comercializadas até o fim do ano.
Apesar desse crescimento, a análise aponta que a eletrificação não acontece de forma uniforme entre as diferentes tecnologias disponíveis.
Os carros híbridos convencionais (HEV) continuam liderando o volume de conversas, respondendo por 41% das menções relacionadas aos veículos eletrificados. Segundo o estudo, eles ainda são vistos como uma alternativa de transição para parte dos consumidores. No entanto, esse segmento apresenta desaceleração, com queda de 44,9% no ritmo de crescimento das conversas.
Já veículos 100% elétricos (BEV) registraram crescimento de 116% nas menções analisadas. A pesquisa atribui esse avanço à redução do ceticismo em relação à durabilidade dos veículos e ao custo de manutenção ao longo do tempo.
Os híbridos plug-in (PHEV), por sua vez, aparecem como a tecnologia que mais cresce nas discussões. O estudo aponta aumento superior a 211% nas menções, indicando que esses modelos vêm sendo percebidos como uma alternativa que combina eletrificação e flexibilidade de uso.
“O maior equívoco estratégico da indústria hoje é enxergar a transição energética como um bloco único. Os dados do estudo evidenciam que operamos em modelos fragmentados. Enquanto os modelos híbridos convencionais, até então vistos como o refúgio seguro de transição, começam a perder fôlego e desacelerar, as opções plug-in puxam a próxima grande onda de adoção por oferecerem a autonomia ideal para o momento. A vantagem competitiva na próxima década pertencerá a quem souber aplicar a matriz energética correta para cada perfil de uso”, conclui Filippo.
Leia também:
- Consumidores buscam marcas que apoiam sua reinvenção, diz dentsu
- Intenção de compra de carros chega a 46% no segundo semestre de 2026, aponta pesquisa
- Copa do Mundo 2026: comportamento do torcedor brasileiro transforma consumo
Imagem destacada: Magnific

