Tecnologia
IA nas franquias: o que a tecnologia ainda não substitui na expansão das redes
Para João Appolinário, IA pode ampliar a análise de dados e automatizar processos, mas expansão de redes ainda depende de liderança, relacionamento e execução
A inteligência artificial já passou a integrar diferentes etapas da operação de franquias. Entre as aplicações estão análise de dados, previsão de demanda, atendimento ao consumidor e automação de processos.
Para João Appolinário, fundador e presidente da Decor Colors e Polishop, porém, a tecnologia não elimina a necessidade de capacidades humanas na expansão de uma rede.
Segundo o empresário, liderança, relacionamento, conhecimento do mercado e execução continuam entre os fatores necessários para o crescimento de uma franquia.
A inteligência artificial pode ampliar a quantidade de informações disponíveis para o empreendedor. A interpretação desses dados e a responsabilidade pelas decisões, no entanto, continuam sob responsabilidade das pessoas.
“A inteligência artificial consegue analisar milhares de informações em poucos segundos, mas ainda existe uma diferença enorme entre ter dados e saber o que fazer com eles. A tecnologia apoia essas decisões, mas não assume a responsabilidade por elas”, afirma Appolinário.
O que a inteligência artificial nas franquias pode analisar?
Ferramentas de IA podem cruzar diferentes informações para auxiliar na identificação de oportunidades de mercado.
Dados sobre renda, perfil de consumo, fluxo de pessoas e concorrência podem ser utilizados na avaliação de regiões para expansão.
Para Appolinário, entretanto, os dados precisam ser analisados em conjunto com o conhecimento sobre cada localidade.
“Os números ajudam a enxergar uma oportunidade, mas quem conhece o mercado sabe que existem particularidades que uma planilha não mostra. É preciso entender o comportamento daquele consumidor, a dinâmica da região e até o perfil do empreendedor que estará à frente da operação”, explica.
A avaliação considera aspectos que podem não aparecer diretamente nos indicadores analisados por sistemas automatizados.
Nesse cenário, a tecnologia funciona como suporte para o processo de decisão, enquanto o conhecimento sobre o mercado continua sendo utilizado para interpretar as informações.
Por que a inteligência artificial nas franquias não substitui a liderança?
A relação entre franqueador e franqueado é outro ponto citado pelo empresário como uma atividade que depende da atuação humana.
Sistemas podem auxiliar no acompanhamento de indicadores e na criação de treinamentos. A gestão das relações e a busca por soluções para problemas específicos, porém, exigem interação entre as pessoas.
“Você pode utilizar IA para criar treinamentos, acompanhar indicadores e identificar problemas, mas não consegue substituir a liderança de quem conversa com o franqueado, entende suas dificuldades e ajuda a encontrar soluções. Franquia é, acima de tudo, um negócio de pessoas”, comenta o empresário.
A liderança, nesse contexto, envolve compreender as dificuldades da operação e atuar diretamente na busca por alternativas.
O relacionamento com os integrantes da rede também aparece como parte da construção de confiança necessária para a gestão de uma franquia.
Como a IA pode ajudar a identificar problemas?
A tecnologia também pode ser utilizada para acompanhar o desempenho das unidades e identificar possíveis desvios.
Indicadores de vendas, estoque, satisfação dos clientes e produtividade podem ser monitorados de forma automatizada.
Esse acompanhamento pode ampliar a capacidade de identificar situações que exigem atenção. O diagnóstico, contudo, não representa sozinho a solução de um problema.
“Não adianta ter um sistema que mostra que determinada loja está performando abaixo do esperado se ninguém estiver preparado para entender o motivo e agir. A inteligência artificial aumenta a capacidade de diagnóstico, mas a execução continua sendo humana”, afirma.
A avaliação reforça a diferença entre identificar uma ocorrência e tomar as medidas necessárias para corrigi-la.
Para uma rede de franquias, esse processo envolve não apenas dados, mas também conhecimento sobre a operação e capacidade de implementação.
Qual será o papel do empreendedor com a expansão da IA?
Na avaliação de Appolinário, o avanço da inteligência artificial não reduz a importância do empreendedor na gestão das franquias.
A tendência, segundo ele, é que a capacidade de utilizar as ferramentas disponíveis passe a ter maior peso nas decisões estratégicas.
“Estamos entrando em uma fase em que o diferencial não será simplesmente ter acesso à tecnologia, porque ela estará disponível para praticamente todos. O diferencial será saber utilizá-la melhor que a concorrência. O empreendedor que conseguir combinar dados, tecnologia e experiência terá uma vantagem muito maior”, diz Appolinário.
Nesse cenário, a tecnologia pode participar de diferentes etapas do planejamento de expansão.
Entre as possibilidades estão a seleção de mercados, a previsão de comportamentos, a otimização de investimentos e o acompanhamento dos resultados.
A utilização dessas ferramentas, porém, não elimina fatores relacionados à gestão da rede.
O que permanece essencial na expansão de franquias?
Para o empresário, o avanço da IA deve alterar a maneira como as franquias planejam e acompanham sua expansão, sem modificar os fundamentos da relação entre os integrantes da rede.
A tecnologia pode apoiar processos e decisões, mas a construção de uma rede continua ligada à confiança, ao relacionamento e à capacidade de execução.
“Quem entender isso vai conseguir crescer com mais velocidade sem perder aquilo que faz uma rede funcionar: pessoas alinhadas, cultura forte e capacidade de entregar uma experiência consistente ao consumidor”, conclui João Appolinário.
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