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PL Connection 2026 debate marca própria em postos, conveniência e papel da IA no segundo dia
Evento debateu marca própria em conveniência, distribuição, inteligência artificial e internacionalização, no encerramento da quarta edição
O segundo e último dia do PL Connection, realizado nesta quarta-feira (26) no Expo Center Norte, em São Paulo, ampliou o debate sobre marca própria para além do varejo alimentar tradicional. A programação reuniu painéis sobre conveniência, distribuição, inteligência artificial e internacionalização de indústrias brasileiras.
“Conveniente, não conveniência”: Daki, Postos Sim e AMPM debatem marca própria no PL Connection
O painel “A Conveniência do Futuro”, mediado pelo CRO da Amicci, Lucas Lanzoni, reuniu Maria Victoria, diretora comercial da Daki, aplicativo de entrega ultrarrápida; Igor Medeiros, Diretor de Conveniência da rede de postos Sim; e Barbara Miranda, CEO da AMPM, rede de lojas de conveniência da Ipiranga.
Maria Victoria abriu o debate explicando por que a Daki evita o termo “conveniência” para se definir. “A gente gosta de dizer que a gente é conveniente, mas não é conveniência. Porque a conveniência, ela remete a tudo aquilo que é imediato, a tudo aquilo que é emergência”, afirmou. Segundo ela, a Daki se posiciona como “supermercado ultrarrápido”, com cerca de 2.500 SKUs e categorias completas, incluindo hortifrúti, carnes e perecíveis.
A executiva revelou que a empresa chegou a passar um ano sem lançar novos produtos de marca própria, decisão tomada para reorganizar o portfólio antes de continuar a expansão. “A gente precisa tomar decisões duras para conseguir crescer nessa velocidade. […] Vamos entender um pouco daquele cenário e não vamos repetir aquilo que o varejo sempre fez, que era lançar, lançar, lançar sem olhar para dentro”, disse.
Igor, da rede Sim, explicou que a força da marca da loja de conveniência superou a da própria bandeira de combustível ao longo de mais de 40 anos de operação, sustentada por dois pilares: banheiros limpos e cuidado com a qualidade dos alimentos vendidos. “Aos poucos, a marca da conveniência foi ficando mais forte do que a marca da própria bandeira”, afirmou.
Bárbara detalhou como a AMPM decide entre marca própria e parcerias com marcas licenciadas, como Pizza Hut e Krispy Kreme, em lojas com entre 60 e 90 m². “A gente acredita muito que a marca própria tem um papel de assinar junto com a sua marca a qualidade no que você está oferecendo”, disse.
Sobre operar marca própria dentro de um modelo de franquia, a executiva foi direta: “Operar com o modelo de franquia é difícil por si só. […] Uma marca própria é igualzinha a cuidar da marca de alguém, com o fato de que você vai ter que fazer a parte que aquele alguém faz para você”.
Como exemplo de personalização regional, Igor citou um posto de rodovia no Sul do país que passou a oferecer um espaço para os clientes tomarem chimarrão, sugestão de um revendedor local. “É uma solução hipergeolocalizada”, afirmou.

Grupo Martins: distribuidor testa limites da marca própria sem controlar a prateleira
No painel “Entre fabricante e prateleira”, mediado por Antonio Neto, Diretor de Operações da Amicci, Felipe Andrade, diretor de Farma e marcas próprias do Grupo Martins, maior distribuidor do país, com faturamento de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano e mais de 118 mil clientes corporativos atendidos mensalmente, explicou o desafio de desenvolver marca própria sem ser dono do ponto de venda.
Segundo ele, o Grupo Martins descontinuou diversos itens de marca própria nos últimos anos para focar em categorias com retorno real de distribuição. “A gente teve que abrir mão. Eu acho que o mais importante é saber o que vai lançar e saber o que não vai lançar”, afirmou.
No canal farmacêutico, que representa 12% do faturamento do Martins, Andrade citou o exemplo de produtos de compra por impulso, como slime e batata em tubo, usados para ocupar espaço de prateleira e aumentar o tíquete médio das 94 mil farmácias do país. “Nós vendemos até remédio; nunca foi tão verdade como hoje, porque nós não somos pé a nenhum canal. A gente conta onde tiver, porque conveniência é uma atribuição importante na tomada de decisão”, disse.
Para engajar a força de vendas, o Martins alterou a remuneração variável de seus 4.800 representantes comerciais, destinando um terço do valor a metas de marca própria. “Isso mudou nosso patamar, porque ele ganha três vezes mais do que a marca líder para vender aquilo”, afirmou o executivo.
Andrade também anunciou uma parceria de licenciamento com a Disney, iniciando pela franquia Rei Leão em fraldas e toalhas, categoria em que o Martins vende cerca de 50 milhões de unidades por mês.

Marcas próprias e IA no PL Connection 2026
O painel sobre inteligência artificial, mediado pelo CPO da Amicci, Juliemar Berri, reuniu Rafael Matos, diretor comercial de Indústrias da Rock Intertrade, e Anderson Borges, CTO da ReveLumi. A Rock Intertrade conecta 90 milhões de consumidores a 200 varejistas no Brasil, incluindo programas de fidelidade de bancos como Itaú e Safra.
“A gente processa por minuto 1 milhão de reais. […] São 30 milhões de reais processados no nosso sistema” ao longo da palestra, afirmou Matos, ao citar a escala de dados administrada pela empresa. Segundo ele, a companhia consegue segmentar 15 milhões de consumidores em segundos para ofertas hiperpersonalizadas.
Borges criticou o que chamou de “incentivo perverso” do mercado de tecnologia. “Existe um incentivo perverso das empresas do Vale do Silício, principalmente, de querer vender para você. […] Eu tenho muita raiva quando eu vejo um post no Twitter dizendo que a empresa X automatizou tudo e demitiu todo mundo. Porque eu vivo isso todos os dias”, afirmou.
Ainda assim, o executivo defendeu ganhos reais de produtividade com agentes de IA. “A gente já tem que pensar sempre que a empresa não pode depender [de pessoas] para todo tipo de trabalho operacional”, disse, citando um sistema que identifica falhas em pesquisas automatizadas, escreve o código de correção e aguarda apenas aprovação humana.

São Paulo Negócios liga indústrias da capital paulista a compradores internacionais
Fechando a programação, André Aleotti, gerente de Negócios Internacionais e Desestatização da São Paulo Negócios, agência de promoção de investimentos da prefeitura, apresentou o programa Global Sampa, que já fechou US$ 6,2 milhões em negócios com 155 empresas. O painel foi mediado por Raphael Tomé, diretor de negócios internacionais da Amicci.
Aleotti citou casos de empresas apoiadas pelo programa, como uma fabricante de chocolates da Universidade de São Paulo que fez sua primeira exportação após participar de uma missão internacional, e uma empresa de tecnologia para a indústria têxtil que iniciou vendas ao Paraguai.
Sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o executivo avaliou que o impacto para empresas paulistanas passa por aumento de competitividade. “O mercado se abre para a Europa, há possibilidade de empresas europeias virem para o Brasil. […] Todas as empresas precisam aumentar a sua competitividade, se tornarem mais efetivas para garantir seu espaço de mercado”, disse.
Questionado sobre os mercados mais receptivos a produtos brasileiros, Aleotti afirmou que a resposta varia por categoria. “Se eu fosse falar de alimentos e bebidas, eu falaria com certeza Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos. […] Para serviços tecnológicos, eu diria América Latina; para máquinas e equipamentos, todo o continente africano e asiático”, disse.

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Imagens: Central do Varejo
