Comportamento
Consumidor kidult já responde por 17% do mercado de brinquedos no Brasil, com alta de 92%
Colecionáveis, pacotes-surpresa e licenças como Pokémon puxam o público adulto de volta às compras de brinquedo, enquanto e-commerce já responde por 29% das vendas do setor
O público kidult, formado por adultos que compram brinquedo para si mesmos, já responde por 17% do mercado brasileiro de brinquedos, com alta de 92% no ano, segundo levantamento da Circana apresentado durante o Mercado Livre Experience, em São Paulo.
Os produtos pensados só para o público infantil tradicional cresceram apenas 3% no mesmo período e ainda concentram 63% das vendas do setor.
Kidult: colecionáveis e pacotes-surpresa lideram o consumo adulto de brinquedo
Dentro do público kidult, os itens colecionáveis somam alta de 252% em valor e já respondem por 52% das compras desse grupo. Os pacotes-surpresa, que escondem o produto até a abertura da embalagem, cresceram 356% e chegam a 47% desse total.
A marca que mais cresceu entre os consumidores kidult foi Pokémon, com alta de 86%, embalada pelos 30 anos da franquia e por lançamentos de jogos e cartas colecionáveis.
“Colecionáveis, pacotes-surpresa e franquias como Pokémon trouxeram de volta um público que tinha parado de comprar brinquedo para si mesmo, e hoje esse consumidor multigeracional já representa 17% do mercado, com alta de 92% no ano”, afirma Ana Weber, diretora de Retail Business da Circana.
Cartas de troca e álbuns de figurinhas, puxados pela Copa do Mundo deste ano, somaram R$ 108,7 milhões em vendas incrementais, o maior valor entre os itens de colecionáveis e jogos mapeados pela Circana.
A própria licença da FIFA trouxe R$ 111,7 milhões a mais ao mercado de brinquedos.
Licenciamento ainda tem espaço para crescer no varejo de brinquedos
As licenças já respondem por 35% de todo o faturamento de brinquedos no Brasil, ante 26% três anos atrás.
Isso torna o licenciamento uma das principais alavancas de crescimento do setor para o varejo que busca ticket médio maior e diferenciação de portfólio.
Mesmo fora do público kidult, o licenciamento também gera resultado.
Os veículos elétricos infantis somaram R$ 20,8 milhões em vendas incrementais, o maior salto entre os itens voltados só ao público infantil tradicional, e as bonecas Emily Vick e Kathlen cresceram na casa dos quatro dígitos.
O comércio eletrônico segue sendo o motor desse avanço. Sua participação nas vendas de brinquedos foi de 21% em 2023 para 29% neste ano. No acumulado do ano, o total dos canais de venda cresceu 17%, enquanto o comércio eletrônico sozinho avançou 42%, com destaque para datas como Dia dos Namorados, Dia dos Pais e datas promocionais do varejo.
A Circana também cruzou o desempenho de marcas nos Estados Unidos e no Brasil para mapear oportunidades ainda pouco exploradas por aqui, sinalizando um roteiro de aposta para varejistas e fabricantes locais. Cartas de Magic: The Gathering é a terceira marca que mais cresce nos Estados Unidos, com alta de US$ 79,1 milhões, mas ocupa apenas a 18ª posição na classificação brasileira.
A linha de miniaturas Mini Brands, da MGA, é a sétima nos Estados Unidos, com US$ 27,1 milhões a mais em vendas, e cai para a 38ª posição por aqui. Já a geleca Gui Gui vai do 11º lugar americano, com alta de US$ 20,2 milhões, para o 60º no Brasil.
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Imagem: Magnific
