Operação
Acionistas da Target mantêm Brian Cornell como chairman executivo
Investidores rejeitam proposta para tornar presidência do conselho independente e aprovam a permanência do ex-CEO em posição de liderança na varejista
Os acionistas da Target rejeitaram uma proposta que exigiria que o presidente do conselho de administração da companhia fosse um diretor independente. Com a decisão, Brian Cornell permanecerá como chairman executivo da empresa após deixar o cargo de CEO.
A votação ocorreu durante a assembleia anual de acionistas da varejista. Além da rejeição da proposta, os investidores aprovaram a eleição dos 12 candidatos indicados pela companhia para compor o conselho de administração.
A sugestão de mudança havia surgido após a Target anunciar, no ano passado, que Cornell deixaria a função de CEO para assumir a presidência executiva do conselho, movimento que recebeu críticas de parte do mercado e de alguns acionistas.
A organização de investimentos The Accountability Board argumentou que a empresa deveria adotar uma liderança mais independente no conselho.
“A necessidade de uma liderança independente mais forte no conselho ficou claramente evidente”, afirmou a entidade em documento apresentado aos acionistas. Segundo o grupo, a mudança ajudaria a garantir uma supervisão mais independente da gestão e uma melhor representação dos interesses dos investidores.
Apesar das críticas, a votação reforça o apoio dos acionistas à estrutura de governança escolhida pela companhia.
A manutenção de ex-CEOs em posições de liderança no conselho não é inédita na Target. A empresa já havia adotado estratégia semelhante com Bob Ulrich, que permaneceu como chairman executivo após deixar o comando da operação em 2008.
Ainda assim, a decisão envolvendo Cornell recebeu atenção especial devido ao desempenho recente da varejista. Nos últimos anos, a Target enfrentou períodos de queda nas vendas e redução do tráfego de consumidores em suas lojas.
Outro ponto levantado por analistas é a proximidade entre Cornell e seu sucessor, Michael Fiddelke, executivo de longa trajetória na companhia que assumiu o cargo de CEO.
Para alguns especialistas, a presença do antigo líder na presidência executiva do conselho pode influenciar a autonomia do novo comando. Jason Schloetzer, professor associado da Georgetown McDonough School of Business, afirmou anteriormente que a estrutura pode dificultar mudanças estratégicas caso o novo CEO deseje revisar decisões tomadas pela gestão anterior.
Por outro lado, membros do conselho destacam o legado de Cornell à frente da companhia. Christine Leahy, diretora independente líder do conselho, afirmou que o executivo foi responsável por transformar a Target em uma empresa com faturamento superior a US$ 100 bilhões, além de liderar a evolução da varejista para um modelo omnichannel.
Durante sua gestão, a companhia ampliou sua operação digital, fortaleceu serviços de conveniência como o Drive Up e expandiu o desenvolvimento de marcas próprias.
Imagem: Reprodução
Informações: Dani James para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
