Operação
Jogo de estreia do Brasil reduz fluxo no varejo físico e impulsiona e-commerce em 15,5%
Supermercados crescem 11,3% e bares e restaurantes recuam 14,6% no dia da partida contra Marrocos; pré-Copa já havia aquecido e-commerce de eletro e departamentos em 13,1%
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo contra Marrocos, no último sábado (13), alterou a dinâmica de consumo no varejo brasileiro. Segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o varejo total registrou queda de 1,3% no dia da partida Brasil x Marrocos em comparação com o mesmo sábado do ano anterior, com movimentos opostos entre os canais: o varejo físico recuou 3,7%, enquanto o e-commerce avançou 15,5%.
“O jogo do Brasil mostra como grandes eventos nacionais têm capacidade de reorganizar o consumo ao longo do dia. O consumidor não deixa necessariamente de comprar: ele muda o horário, o canal e a ocasião de consumo. Para o varejo, entender esse comportamento é essencial para se preparar melhor, ajustar operação, estoque, atendimento e canais digitais”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
Na análise por setores, o maior crescimento foi em turismo e transporte (+16,6%). Supermercados e hipermercados avançaram 11,3% e o varejo alimentício especializado cresceu 10,7%, refletindo a preparação dos consumidores para reuniões em casa antes da partida. No lado negativo, recreação e lazer recuou 28,9% e bares e restaurantes caíram 14,6%, embora o microssetor de bares, discotecas e casas noturnas tenha registrado crescimento de 6,4%.

“Os dados mostram que a Copa cria uma espécie de nova agenda para o varejo. Supermercados e lojas de alimentação capturam a preparação pré-jogo; bares ganham relevância como ponto de encontro; e o digital se fortalece como alternativa para quem quer resolver compras sem sair de casa. É um comportamento muito brasileiro: muda o jogo, muda o caixa”, acrescenta Alves.
Pré-Copa aquece e-commerce
Antes do início do torneio, o comportamento de consumo já dava sinais de aquecimento. Na semana de 1º a 7 de junho, o e-commerce do setor de móveis, eletro e departamento registrou alta de 13,1% no faturamento nominal em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o comércio físico do segmento recuou 2%, resultando em crescimento geral de apenas 2,5% no setor.
Shopping x lojas de rua
No varejo físico, os dados do ICVA apontam diferença relevante entre formatos. No setor de móveis, eletro e departamento, as lojas em shopping registraram crescimento de 8,4% no período pré-Copa, enquanto as lojas de rua recuaram 4,5%.
“O comportamento do varejo na semana pré-Copa mostra que o consumidor está cada vez mais digital, especialmente em categorias nas quais comparação de preço, conveniência e variedade pesam muito na decisão. O dado não aponta apenas uma alta de vendas online; ele mostra como grandes eventos ajudam a revelar mudanças estruturais no jeito de consumir. O varejo precisa olhar para grandes eventos como oportunidades de planejamento. Quem entende quando o consumidor compra, por qual canal e com qual finalidade consegue se preparar melhor para capturar demanda. Em dias como esse, dados ajudam o empreendedor a sair do improviso e entrar em campo com estratégia”, conclui Alves.
Imagem: Divulgação
