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Adyen vê comércio agêntico como novo canal de vendas e cobra preparo estrutural do varejo
A Adyen avalia que o avanço do comércio agêntico deve abrir uma nova frente para o varejo brasileiro, mas afirma que esse movimento exige preparação estrutural para gerar resultado. Em entrevista exclusiva à Central do Varejo durante o VTEX Day 2026, Renato Migliacci, vice-presidente de vendas da companhia, disse que a empresa enxerga esse modelo como um novo canal de venda, e não como substituição integral da loja física ou do e-commerce tradicional.
Segundo o executivo, o principal ponto para o varejista é entender que a interação com agentes de compra exige estratégia própria, tanto no conteúdo quanto na organização do inventário e na forma de estruturar o pagamento. “O comércio agêntico é mais um canal de venda”, afirmou. Na avaliação dele, o varejo precisa preparar informações e produtos para que esses agentes consigam localizar, interpretar e consumir os dados de maneira adequada.
Migliacci afirmou ainda que a jornada de pagamento precisa acompanhar essa transformação. De acordo com ele, se o objetivo do comércio agêntico é reduzir fricção e acelerar compras, especialmente em decisões mais rápidas, o meio de pagamento precisa operar de forma transparente e segura. Nesse contexto, ele destacou a importância de tokenização e de protocolos universais para permitir que esse novo canal funcione com fluidez e ajude a ampliar a receita do varejo.

Adyen defende estratégia específica para o novo canal
Para o executivo, o avanço do comércio agêntico não elimina os canais já consolidados. Segundo ele, o consumidor não deixará de comprar na loja física ou no e-commerce para migrar integralmente para agentes de compra. O ponto central, afirmou, é incorporar essa nova dinâmica à estratégia de negócio das empresas.
Na avaliação da Adyen, isso exige olhar específico para personalização, comunicação e pagamento dentro dessa jornada. “É mais um canal que demanda uma estratégia específica”, disse Migliacci. Ele acrescentou que o pagamento precisa estar integrado ao processo porque, no fim da jornada, o consumidor precisa concluir a compra de forma simples e segura.
Brasil tem capacidade de adoção, mas precisa investir
Ao comentar o potencial de adoção do modelo no país, Migliacci afirmou que o varejo brasileiro tem capacidade de adaptação e histórico de rápida absorção de novas tecnologias. Como exemplo, citou o avanço do Pix, que, segundo ele, mostra como o mercado local responde de forma acelerada a novos padrões de consumo digital.
Ainda assim, o executivo ponderou que a entrada nesse novo canal depende de investimento prévio em estrutura. Segundo ele, não basta ativar uma frente de comércio agêntico sem que a empresa tenha seus dados organizados e jornadas integradas. “Você precisa organizar seus dados. Você precisa organizar as suas jornadas para que elas sejam integradas para que este novo canal tenha sucesso”, afirmou.
Migliacci disse que esse movimento deve ser encarado como investimento de longo prazo, voltado à sustentabilidade do negócio. Para ele, a discussão não deve girar apenas em torno de lançar rapidamente um canal agêntico, mas de entender como ele se encaixa na estratégia dos próximos anos. “Não é algo simplesmente para falar que você tem um canal de venda agêntico”, afirmou.
Na visão da companhia, o potencial do mercado brasileiro existe, mas a captura desse valor depende de base tecnológica consistente e integração entre operações físicas e digitais.
Imagem: Divulgação
