NRA Chicago 2026
Black Rock Coffee Bar abandona planilhas e adota sistema semanal de dados para sustentar crescimento para 200 unidades
Rede de cafeterias do Oeste americano compartilhou na NRA Show 2026 como reorganizou sua cultura de dados antes de avançar para soluções de inteligência artificial
Marc Cohen, arquiteto de soluções da Restaurant365, e Jaclyn Nesemann, gerente sênior de business intelligence da Black Rock Coffee Bar, apresentaram na tarde de segunda-feira, 18 de maio, durante o NRA Show 2026, em Chicago, o caso de construção de uma cultura orientada a dados em uma rede de cafeterias em expansão. A sessão “Data That Leads: Turning Restaurant Signals into Daily Decisions” foi realizada no Innovation Theater, no North Hall do evento.
A Black Rock Coffee Bar opera atualmente 190 unidades, com abertura da 200ª prevista para breve, e atua com drive-throughs e lojas com lobby em estados como Texas, Califórnia e Oregon. Nesemann descreveu o ponto de virada que levou a rede a rever sua abordagem: “Você tem todos esses sistemas, tem toda essa informação, mas ainda não consegue responder a perguntas fundamentais. Quando você percebe isso, sabe que precisa de algo novo.”
Segundo a executiva, o problema não era a falta de dados, mas o excesso deles sem organização adequada. A rede passou por uma fase que ela chamou de “fase do mais” — mais relatórios, mais dashboards, mais KPIs — que resultou em complexidade para os operadores em vez de clareza. “Nossos operadores já têm duas prioridades máximas: as pessoas que trabalham em suas lojas e os clientes que atendem. Tudo o que adicionamos precisa ser muito intencional”, afirmou.
A solução adotada foi a redução do volume de métricas acompanhadas e a criação de um sistema de reporte semanal — em substituição ao modelo anterior de fechamento mensal. De acordo com Nesemann, a frequência semanal permite identificar e corrigir desvios antes que se tornem problemas maiores. “Antes, esperávamos o fechamento do mês para saber o que havia dado errado. Agora conseguimos ajustar no meio do caminho”, disse.
Cohen reforçou que a mudança de frequência representou uma transição de “sistema de registro” para “sistema de ação”. Segundo ele, um dos resultados concretos foi a queda na variância de custo de mercadorias das unidades: de 1,7% para 1,5%.
Nesemann descreveu também a abordagem adotada para comunicar os dados aos operadores. Em vez de entregar números isolados, sua equipe trabalha para contextualizar as informações dentro da narrativa de cada loja. “Não sou o departamento financeiro. Estou aqui para contar a história que os números estão contando sobre o negócio de vocês”, afirmou. Segundo ela, o sinal de que a cultura de dados está funcionando é quando os operadores começam a resolver os próprios problemas — sem precisar recorrer à equipe central.
A executiva identificou um erro comum em processos de transformação orientada a dados: treinar operadores para memorizar metas sem desenvolver a capacidade de entender o que elas significam. “Você consegue perguntar o número e eles te dizem o número certo. Mas quando você pergunta o porquê — o que fazer se algo der errado — é diferente”, disse.

Sobre o uso de inteligência artificial, Cohen foi enfático ao afirmar que a adoção de IA só faz sentido se a base de dados estiver em ordem. “Se sua casa não está arrumada, não adianta tentar implantar uma solução de IA. O resultado vai ser proporcional à qualidade da entrada”, disse. Nesemann acrescentou que a rede está atualmente desenvolvendo recursos para que operadores possam fazer perguntas diretamente ao sistema e obter respostas em tempo real.
A Restaurant365 anunciou o lançamento de sua solução de IA durante a NRA Show 2026, com demonstrações disponíveis no estande da empresa.
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Imagens: Daniel Zanco
