NRA Chicago 2026
NRA 2026: Quatro tendências disruptivas que devem moldar os cardápios do foodservice em 2026
Durante a sessão “4 Disruptors Driving Menu Trends and Innovation”, realizada na National Restaurant Association Show, em Chicago (NRA 2026), as executivas Lizzy Freier e Donna Hood Crecca, da Technomic — empresa de pesquisa e consultoria estratégica especializada —, apresentaram os principais fatores que devem impactar o setor de alimentação fora do lar em 2026 e nos próximos anos.
Segundo Freier, a Technomic analisou uma base de 35 mil cardápios, representando 75% das vendas da indústria de restaurantes. O estudo também utilizou dados de ofertas por tempo limitado (LTOs), pesquisas com consumidores e ferramentas de análise preditiva baseadas em inteligência artificial.
Crescimento dos LTOs acelera
De acordo com os dados apresentados, o número médio de itens fixos cresceu 6% nos restaurantes de serviço limitado e 13% nos estabelecimentos full service nos últimos anos. Já o volume de LTOs aumentou 134% em cinco anos.
“Nunca vimos algo assim em todo o período em que monitoramos esse mercado”, afirmou Freier.
NRA: Bebidas lideram a inovação
- Expansão de add-ons e sobremesas
Segundo a executiva, a Technomic projeta crescimento adicional de 3% nas ações de LTOs em 2026. O avanço é puxado principalmente por complementos de pedidos, sobremesas e bebidas.
As bebidas registraram aumento de 32% nas ativações promocionais na comparação anual.
- Consumidor busca novidades
Freier afirmou que o interesse por sabores novos e diferentes segue crescendo. Segundo a pesquisa apresentada, mais de um quarto dos consumidores busca regularmente novidades gastronômicas.
Entre consumidores de 25 a 34 anos, esse índice sobe para cerca de um terço.
Os três “Is” das tendências
- Indulgência
A executiva destacou que itens indulgentes seguem em alta. Entre os exemplos apresentados estavam batatas carregadas, sobremesas inspirando bebidas e combinações com múltiplas proteínas.
Segundo Freier, “cravings” continuam sendo o principal fator de motivação para visitas aos restaurantes.
- Informação
Outro destaque foi a transparência nos cardápios. A Technomic identificou crescimento de descrições relacionadas à saúde, origem dos ingredientes e métodos de preparo.
Entre os exemplos apresentados estavam smoothies voltados à saúde intestinal e itens com identificação detalhada da origem da carne Wagyu.
- Inovação
No eixo da inovação, a executiva destacou mashups, contrastes de textura e combinações doces e picantes.
Entre os exemplos apresentados estavam hambúrgueres inspirados em café da manhã, mozzarella bites crocantes e pratos com hot honey.

Quatro disruptores do foodservice
- Saúde e regulamentação
Donna Hood Crecca afirmou que a Technomic identificou quatro grandes disruptores para o setor: regulamentações ligadas à saúde, crescimento do uso de medicamentos GLP-1, mudanças geracionais e novos concorrentes fora do foodservice tradicional.
Segundo a executiva, novas diretrizes governamentais relacionadas à alimentação saudável podem alterar práticas da indústria.
- Movimento “Make America Healthy Again”
Crecca citou iniciativas voltadas à redução de corantes, óleos de sementes e ingredientes ultraprocessados.
Ela também destacou que a Steak ‘n Shake criou o cargo de “Chief MAHA Officer” para revisar a integridade nutricional e a transparência do cardápio.
- Consumidor busca alimentos “reais”
Segundo pesquisa da Technomic, muitos operadores ainda adotam postura cautelosa diante das novas diretrizes.
Ao mesmo tempo, Crecca afirmou que cresce o interesse dos consumidores por alimentos considerados “reais” e “integrais”.
“Os consumidores estão migrando de uma visão ampla de alimentação saudável para uma abordagem mais específica sobre comer alimentos reais e integrais”, afirmou.
Impacto dos medicamentos GLP-1
Segundo Freier, cerca de um em cada oito norte-americanos usa ou utilizou recentemente medicamentos GLP-1. 48% dos consumidores têm comprado comidas mais saudáveis, enquanto 34% focam num cardápio de bebidas sem álcool e 27%, dentro da faixa dos 21 anos, consomem bebidas alcólicas saudáveis.
A executiva afirmou que esses consumidores estão reduzindo o consumo de doces, frituras, carboidratos e bebidas alcoólicas.
Mais da metade dos usuários de GLP-1 afirmou pedir porções menores ou menos itens do que antes do uso dos medicamentos.
Segundo Freier, esses consumidores valorizam proteína, fibras e densidade nutricional.

Redes já adaptam cardápios
A executiva afirmou que redes como Smoothie King, Blaze Pizza e Chipotle já passaram a identificar itens “GLP-1 friendly” em seus cardápios.
Também cresce a oferta de bebidas funcionais voltadas à digestão, imunidade, saúde mental e qualidade do sono. Foram mostrados exemplos em redes de fast food, como um wrap saudável do McDonald’s e snacks de bacon na medida certa da Hardee’s.

THC entra no radar dos restaurantes
Crecca afirmou que bebidas com THC derivado de cânhamo ganharam força após a aprovação do Farm Bill de 2018 nos Estados Unidos.
Segundo ela, quase três em cada dez operadores em estados onde o produto é permitido já trabalham com bebidas infusionadas com THC.
A executiva alertou que parte dos operadores relata canibalização das vendas de bebidas alcoólicas.
Segundo Crecca, a categoria exige atenção regulatória, treinamento de equipes e análise de impacto financeiro.

Geração Z muda hábitos de consumo
Freier afirmou que consumidores da Geração Z priorizam delivery, retirada e consumo no carro.
Segundo ela, esse público também recorre com mais facilidade a lojas de conveniência e varejistas quando não encontra soluções adequadas nos restaurantes. A executiva destacou o crescimento de itens visualmente impactantes para redes sociais.
Entre os exemplos apresentados estavam bebidas em camadas, brilho comestível, apresentações diferenciadas e flights criativos.
Freier citou uma ação da Chipotle baseada em memes envolvendo o cantor Adam Levine. Segundo ela, a campanha promocional gerou o maior dia de vendas da rede em 2025.

Consumidores mais velhos ganham relevância
Segundo Freier, consumidores acima de 65 anos responderam por 10% dos gastos em restaurantes em 2025.
A projeção da Technomic indica que esse índice pode alcançar 18% até 2030. A pesquisa identificou maior interesse desse público por proteínas premium, pratos sazonais e itens indulgentes.
Entre os exemplos citados estavam surf and turf, pizzas sazonais e milkshakes.
Lojas de conveniência viram concorrentes
Crecca afirmou que lojas de conveniência passaram a operar com cozinhas abertas, pedidos digitais, personalização e itens preparados na hora.
Segundo ela, as operações se aproximam cada vez mais da experiência dos restaurantes quick service.
A executiva citou Circle K e Casey’s como exemplos de operadores que ampliaram investimentos em inovação de menu e bebidas.
Ela também destacou o avanço dos lounges de cannabis em estados norte-americanos com legalização do consumo recreativo.
Experiência vira diferencial
Segundo Crecca, operadores precisam criar experiências memoráveis e multissensoriais para competir em um ambiente mais fragmentado.
Entre os exemplos apresentados estavam coquetéis com infusão de gordura Wagyu, sobremesas com Pop Rocks e apresentações com flores comestíveis.

Hospitalidade também ganha importância
A executiva afirmou que diferenciação também passa pelo atendimento e pela personalização.
Entre os exemplos citados estavam seleção personalizada de facas para cortes de carne e serviços de toalhas aromatizadas.
Ao final da apresentação, Freier e Crecca afirmaram que operadores devem usar LTOs para gerar tráfego, destacar atributos saudáveis já existentes no cardápio, adaptar porções para consumidores de GLP-1 e monitorar mudanças regulatórias ligadas à cannabis.
“Os disruptores trazem desafios, mas também criam oportunidades para levar menus de alimentos e bebidas em novas direções”, afirmou Crecca.
Acompanhe a cobertura da Missão Internacional da Central do Varejo para a NRA Chicago 2026 nas redes sociais e no portal.
