Economia
Varejo recua 1,5% em abril, acima do esperado, com bens não essenciais liderando queda, aponta IBGE
Combustíveis recuam 6,2% na margem e puxam resultado negativo; na comparação anual, setor ainda cresce 1% e supermercados registram sexto mês consecutivo no campo positivo
O volume de vendas do comércio varejista recuou 1,5% em abril na comparação com março, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta terça-feira (16) pelo IBGE. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,6%. Na comparação com abril de 2025, o varejo cresceu 1,0%. No acumulado do ano, o setor avança 2,0%, e nos últimos 12 meses, 1,5%.
“As vendas no varejo recuaram 1,5% em abril, uma queda maior do que o esperado pelo mercado (-0,6%). O principal destaque negativo foi o segmento de combustíveis e lubrificantes, que registrou retração de 6,5% no período. A composição do índice mostra que a desaceleração do consumo esteve concentrada principalmente em bens não essenciais, enquanto os segmentos de consumo básico permaneceram resilientes. Esse comportamento é compatível com um ambiente de juros elevados e de pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente em razão da alta dos preços dos alimentos vista recentemente e do elevado endividamento das famílias”, afirma Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP.
No campo negativo da comparação mensal, além de combustíveis e lubrificantes (-6,2%), figuraram outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), móveis e eletrodomésticos (-0,8%), tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e artigos farmacêuticos (-0,1%). No campo positivo, destacaram-se hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (+1,1%).
“Apesar da queda observada no mês, o nível de atividade do varejo segue elevado. Na comparação com abril do ano anterior, o setor ainda registra crescimento de 1%, indicando que a desaceleração ocorre a partir de uma base relativamente forte”, acrescenta Sara Paixão.
Varejo ampliado
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado em alimentos, o volume de vendas cedeu 0,7% frente a março. Na comparação anual, o indicador avançou 1,4%. No ano, acumula alta de 1,8% e, nos últimos 12 meses, de 0,2%. Material de construção recuou 3,6% na margem, enquanto veículos e motos, partes e peças caíram 0,7%.
Destaques setoriais anuais
Na comparação com abril de 2025, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação lideraram com alta de 6,5%, acumulando oito meses consecutivos no campo positivo. Artigos farmacêuticos avançaram 4,5%, em seu 38º mês consecutivo de crescimento anual. Móveis e eletrodomésticos subiram 2,6%, com eletrodomésticos registrando alta de 4,6%. Tecidos, vestuário e calçados foram o destaque negativo, com queda de 2,5%, e outros artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 3,0%.
Regiões
Na comparação mensal, 20 das 27 unidades da federação registraram recuo. Os maiores declínios foram em Piauí (-3,9%), Goiás (-3,8%), Santa Catarina (-3,6%) e Amazonas (-3,6%). No campo positivo, Roraima (1,8%), Tocantins (1,6%) e São Paulo (1,3%) lideraram. Na comparação anual, Pernambuco (8,9%), Tocantins (8,0%) e Distrito Federal (6,5%) registraram os maiores avanços.
Perspectiva
“Para o Banco Central, o resultado representa um sinal de moderação na atividade econômica e pode contribuir para justificar um corte de 25 bps na divulgação de amanhã, conforme o esperado pelo mercado. Vale lembrar que a expectativa ganhou força após a sinalização de trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã”, conclui Sara Paixão.
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