NRA Chicago 2026

NRA 2026: Restaurantes formam líderes e desenvolvem habilidades humanas, diz Michelle Korsmo em keynote com Andre Agassi

CEO da National Restaurant Association destacou o papel do setor na formação profissional e recebeu o ex-tenista Andre Agassi para discutir liderança, resiliência e propósito

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Andre Agassi NRA 2026

Durante a abertura da Keynote ’26 da National Restaurant Association Show (NRA 2026), realizada neste domingo (17), em Chicago, a presidente e CEO da organização do evento, Michelle Korsmo, afirmou que os restaurantes funcionam como “incubadoras de liderança” nos Estados Unidos. Na sequência, ela conduziu uma conversa com o ex-tenista e empresário Andre Agassi sobre resiliência, formação de equipes e propósito profissional. O painel integrou a programação oficial da feira do setor de alimentação fora do lar realizada no McCormick Place.

Na abertura da sessão, Korsmo afirmou que os restaurantes desempenham um papel histórico na construção da liderança americana há mais de 250 anos. Segundo ela, estabelecimentos do setor serviram como espaços de encontro e debate desde o período colonial dos Estados Unidos.

A executiva citou tavernas históricas como a Green Dragon Tavern, em Boston, frequentada por nomes como Paul Revere e Samuel Adams, e a Fraunces Tavern, em Nova York, onde George Washington realizou um jantar de despedida após a Guerra da Independência. Ela também mencionou restaurantes ligados ao movimento dos direitos civis, como o Paschal’s, em Atlanta, e o Ben’s Chili Bowl, em Washington, D.C.

“Os restaurantes são o centro da política de mesa de cozinha dos americanos”, afirmou Korsmo. Segundo ela, políticos de diferentes partidos continuam utilizando restaurantes como locais de encontro com eleitores porque “é onde a América se reúne”.

Ao relacionar o setor à formação profissional, a CEO destacou números da indústria. De acordo com Korsmo, o segmento emprega atualmente 15,7 milhões de pessoas e representa mais de 10% da força de trabalho dos Estados Unidos. Ela afirmou ainda que dois em cada três adultos americanos já trabalharam em restaurantes em algum momento da vida.

“Para quase metade dos americanos, um restaurante ofereceu o primeiro emprego”, disse. Segundo ela, o ambiente desenvolve competências como trabalho em equipe, resiliência, flexibilidade e capacidade de atuar sob pressão.

Korsmo também apresentou dados de pesquisas da entidade. Segundo a executiva, 63% das pessoas que trabalharam em restaurantes consideram a experiência importante para o desenvolvimento profissional. Ela afirmou ainda que muitos recrutadores de outros setores valorizam candidatos com experiência prévia em restaurantes.

NRA 2026: discussão em torno da tecnologia

A executiva ressaltou que o setor oferece mobilidade profissional. Segundo Korsmo, oito em cada dez proprietários de restaurantes e nove em cada dez gerentes começaram em cargos de entrada. Ela também afirmou que o segmento emprega mais mulheres e minorias em cargos de liderança do que qualquer outro setor da economia americana.

Ao abordar o impacto da tecnologia, Korsmo afirmou que inteligência artificial e ferramentas digitais continuarão transformando o trabalho, mas não substituirão habilidades humanas ligadas à liderança e ao atendimento. “A tecnologia nunca será capaz de replicar as habilidades de liderança pessoa a pessoa que impulsionam a conexão humana nos restaurantes”, declarou.

Ela afirmou que a associação está investindo no desenvolvimento de gestores e em programas de capacitação tecnológica voltados ao setor. Segundo Korsmo, os gerentes de restaurante são fundamentais para retenção de talentos e formação de futuras lideranças.

Andre Agassi NRA 2026
Andre Agassi, lenda do Tênis, e Michelle Korsmo, CEO da NRA, em painel (Foto: Daniel Zanco)

Andre Agassi na NRA 2026

Após a apresentação, Korsmo recebeu Andre Agassi para uma conversa sobre carreira, disciplina e propósito. O ex-tenista falou sobre sua relação com o setor de restaurantes, incluindo a parceria de quase 30 anos com o chef Michael Mina.

Segundo Agassi, a relação começou após um jantar em San Francisco e evoluiu para uma parceria de negócios em Las Vegas. “Sessenta restaurantes depois e 30 anos depois, ainda gostamos um do outro”, afirmou.

Ao comentar o que aprendeu com o setor, Agassi destacou a importância do serviço ao cliente. “Eu vou a um lugar novo e a comida é ótima, mas o serviço não é bom, talvez eu não volte. Se o serviço é ótimo e a comida está ok, eu dou outra chance”, disse.

Durante a conversa, Agassi também falou sobre pressão, desempenho e trabalho em equipe. O ex-atleta afirmou que vulnerabilidade e humildade foram essenciais para sua evolução profissional.

“Vulnerabilidade leva à humildade, e humildade leva à objetividade”, declarou. Segundo ele, isso ajuda líderes a reconhecer pontos fortes e fraquezas e a montar equipes complementares.

Agassi relembrou ainda momentos da infância e da carreira no tênis. Ele contou que começou a praticar muito cedo sob forte pressão do pai, que desejava transformá-lo no número 1 do mundo. “Eu passava a infância precisando vencer para manter a paz em casa”, afirmou.

O ex-tenista também detalhou o período em que caiu da primeira posição do ranking mundial para a 141ª colocação. Segundo ele, o momento representou uma ruptura pessoal e profissional.

Andre Agassi NRA 2026
Andre Agassi, lenda do Tênis, e Michelle Korsmo, CEO da NRA, em painel (Foto: Daniel Zanco)

Motivação em sua trajetória

Agassi contou que, durante essa fase, decidiu investir US$ 40 milhões na criação de uma escola charter em uma das regiões economicamente mais vulneráveis de Las Vegas. “Eu finalmente tinha algo conectado a mim, mas muito maior do que eu”, disse.

Segundo o ex-atleta, a experiência mudou sua relação com o tênis e com o próprio desempenho profissional. Ele afirmou que passou a enxergar o esporte como ferramenta para apoiar projetos sociais ligados à educação.

Agassi também comentou a conquista de Roland Garros em 1999, quando completou o chamado “Career Grand Slam”. Segundo ele, a vitória marcou o momento em que deixou de sentir arrependimentos em relação ao tênis.

“Foi a primeira vez em uma quadra de tênis que eu soube, em tempo real, que nunca mais teria arrependimentos relacionados ao esporte”, afirmou.

Ao final da conversa, Korsmo afirmou que a trajetória do ex-tenista dialoga com os desafios enfrentados pelo setor de restaurantes. Segundo ela, liderança, adaptação e resiliência continuarão sendo competências centrais para a indústria nos próximos anos.

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Andre Agassi, lenda do Tênis, e Michelle Korsmo, CEO da NRA, em painel (Foto: Daniel Zanco)

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