Inovação
Varejistas aceleram uso de IA para produtividade e personalização das compras
Best Buy, Gap e Dick’s Sporting Goods ampliam investimentos em inteligência artificial para melhorar experiência do consumidor e eficiência operacional
A inteligência artificial vem ganhando espaço nas estratégias das grandes varejistas norte-americanas, que enxergam a tecnologia como ferramenta para aumentar produtividade, aprimorar a tomada de decisões e oferecer experiências de compra mais personalizadas.
Durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, executivos da Best Buy, Gap Inc. e Dick’s Sporting Goods detalharam como a inteligência artificial está sendo incorporada tanto em processos internos quanto na interação com consumidores.
Na Best Buy, o futuro CEO Jason Bonfig afirmou que a companhia pretende ampliar sua atuação para além do varejo tradicional.
“Não somos mais apenas um varejista”, afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados.
Segundo Bonfig, a empresa busca se posicionar também como uma companhia de mídia de varejo, publicidade e tecnologia. Para isso, está ampliando iniciativas ligadas à inteligência artificial e fortalecendo parcerias com empresas como OpenAI e Google.
A varejista registrou receita de US$ 8,9 bilhões no trimestre e crescimento de 2% nas vendas comparáveis.
O executivo destacou ainda que a adoção da IA não substitui a importância das equipes, mas deve potencializar a capacidade dos colaboradores de oferecer melhores experiências aos clientes.
A expansão da tecnologia acompanha uma tendência mais ampla do setor. Segundo relatório divulgado pela National Retail Federation no fim de 2025, 39% dos varejistas esperam que a inteligência artificial represente mais de 10% dos investimentos em tecnologia até 2028.
Na Gap, a companhia anunciou parcerias com o modelo Gemini, do Google, para auxiliar consumidores na busca por produtos, recomendações de tamanho e descoberta de novos itens.
A empresa também ampliou sua colaboração com a fornecedora de software para cadeia de suprimentos Inspectorio, utilizando ferramentas de IA para rastreabilidade de produtos e coleta de dados.
Segundo o CEO Richard Dickson, a tecnologia está sendo aplicada em áreas como design, compras, planejamento e alocação de mercadorias.
“A inteligência impulsionada por dados e IA permite que nossas equipes tomem decisões que geram mais consistência e eficiência”, afirmou.
A companhia registrou crescimento de 2% nas vendas comparáveis, alcançando o nono trimestre consecutivo de avanço nesse indicador.
Já a Dick’s Sporting Goods anunciou o lançamento do Coach by Dick’s, assistente baseado em IA agêntica que começará a ser disponibilizado aos consumidores em junho.
Desenvolvida em parceria com a Adobe, a solução será capaz de responder dúvidas, recomendar produtos e fornecer orientações relacionadas a atividades esportivas com base nos objetivos e preferências dos usuários.
O movimento acompanha uma rápida evolução do chamado comércio agêntico, modelo em que sistemas de inteligência artificial participam ativamente da jornada de compra.
Segundo estudo da ICSC e da McKinsey & Company, as receitas do comércio agêntico no varejo B2C dos Estados Unidos podem alcançar US$ 1 trilhão até 2030.
O levantamento aponta ainda que mais de dois terços dos consumidores utilizaram alguma ferramenta de IA durante suas jornadas de compra nos últimos meses.
Para os varejistas, o desafio agora é equilibrar ganhos de produtividade e personalização com a manutenção de experiências humanas relevantes, em um cenário em que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente em todas as etapas do consumo.
Em agosto, a Central do Varejo realiza mais uma Imersão IA no Varejo, evento educacional que reúne varejistas em 2 dias para apresentar aplicações de inteligência artificial nas mais variadas áreas do setor. Clique aqui para saber mais.
Imagem: Divulgação
Informações: Paige Gross para CIO Dive
Tradução livre: Central do Varejo
