E-commerce
ChatGPT converte 31% a mais que Google no e-commerce, diz especialista
A forma como consumidores descobrem produtos no ambiente digital está passando por mudanças impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial (IA).
Nesse cenário, o conteúdo produzido pelas marcas deixa de cumprir apenas a função de atrair visitantes e passa a influenciar também como plataformas de IA interpretam informações, recomendam produtos e contribuem para a decisão de compra.
A avaliação foi apresentada por Vinicius Teixeira, diretor de Growth e Performance da Quality Digital, durante palestra no Fórum E-Commerce Brasil. Segundo o executivo, estratégias como SEO, produção de conteúdo e hiperpersonalização estão se tornando cada vez mais interdependentes ao longo da jornada do consumidor.
“Durante muito tempo, o mercado enxergou conteúdo como uma ferramenta de aquisição. Hoje, a mesma arquitetura de conteúdo determina se uma marca será recomendada por plataformas de IA e, ao mesmo tempo, fornece informações para personalizar toda a experiência de compra. São estratégias que passaram a depender da mesma base”, afirma.
Conteúdo ganha novo papel na jornada de compra
De acordo com Teixeira, pesquisas realizadas em ferramentas baseadas em inteligência artificial, comparações entre produtos, avaliações e perguntas feitas em plataformas conversacionais geram sinais sobre contexto, interesse e intenção de compra dos consumidores.
Essas informações passam a orientar diferentes áreas da operação digital, como recomendações de produtos, vitrines personalizadas, CRM, relacionamento com clientes e estratégias de conversão.
Nesse contexto, páginas de produtos, comparativos, perguntas frequentes (FAQs), guias de compra e conteúdos educativos deixam de atender apenas aos mecanismos tradicionais de busca. Esses materiais também passam a alimentar motores generativos, plataformas conversacionais e agentes de inteligência artificial responsáveis por interpretar informações, sugerir produtos e, futuramente, realizar compras em nome do consumidor.
SEO, AEO, GEO e AIO passam a atuar de forma integrada
Durante a apresentação, o especialista defendeu que as estratégias de SEO (Search Engine Optimization), AEO (Answer Engine Optimization), GEO (Generative Engine Optimization) e AIO (Agentic Intelligence Optimization) devem ser tratadas de forma integrada.
Segundo a análise, o SEO continua responsável por ampliar a visibilidade nos buscadores tradicionais. Já o AEO busca estruturar conteúdos para responder perguntas em interfaces conversacionais, enquanto o GEO aumenta as chances de uma marca ser compreendida, citada e recomendada por motores generativos de inteligência artificial. O AIO, por sua vez, organiza as informações para que agentes inteligentes possam interpretar conteúdos, comparar produtos e executar ações durante a jornada de compra.
Para Teixeira, manter essas estratégias separadas reduz a capacidade das empresas de aproveitar os dados gerados ao longo da relação com o consumidor.
“SEO, GEO e hiperpersonalização deixaram de ser iniciativas independentes. Quando cada área trabalha isoladamente, a empresa perde eficiência porque produz conhecimento que não circula entre as operações. O conteúdo passa a exercer um papel estratégico para todo o negócio e não apenas para a geração de tráfego”, explica Teixeira.
Dados apontam crescimento da influência da IA nas compras online
O avanço das plataformas baseadas em inteligência artificial também já aparece nos indicadores de desempenho do comércio eletrônico.
Dados apresentados durante a palestra, com base na Adobe Analytics, mostram que sessões iniciadas pelo ChatGPT registram taxa de conversão 31% superior ao tráfego orgânico proveniente de buscas sem marca.
Outro levantamento, da Similarweb, aponta crescimento de 357% nas referências originadas por chatbots. Já um estudo da Visibility Labs indica que essas sessões geram 10,3% mais receita por visita em comparação com outras fontes de tráfego.
Segundo os dados apresentados, a participação do tráfego originado por ferramentas de inteligência artificial na receita orgânica dos e-commerces também aumentou, passando de 1,48% para 2,2% em poucos meses. Para o especialista, esse movimento indica que os consumidores chegam aos sites em etapas mais avançadas da decisão de compra.
IA pode transformar a experiência de compra
Durante a apresentação, Teixeira também citou o Universal Commerce Protocol, anunciado pelo Google, que permitirá a conclusão de compras diretamente na página de resultados de busca. Além disso, destacou a evolução de agentes de inteligência artificial capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e realizar compras sem que o consumidor precise navegar por diferentes sites.
Na avaliação do executivo, empresas que conseguirem integrar conteúdo, dados, personalização e inteligência artificial em uma estratégia unificada tendem a estar mais preparadas para acompanhar essa transformação no varejo digital.
“É essencial entender quanto conhecimento cada interação produz sobre o consumidor e como essa informação pode melhorar todas as próximas decisões da operação”, finaliza.
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