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Empresário do varejo chama apostas online de “pandemia” dentro do setor

Presidente da ACOMAC-SP ligou o aumento das apostas online ao endividamento de lojistas e funcionários do setor

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bets; endividamento

Presidente da ACOMAC-SP chamou de “pandemia” o efeito das apostas online sobre o varejo de material de construção e citou aumento no endividamento depois da popularização e regulamentação das bets. A fala aconteceu em um evento fechado entre empresários e jornalistas em São Paulo, nesta terça-feira (22).

Luiz Augusto Gonçalves Barbosa, presidente do Conselho Deliberativo da ACOMAC-SP (Associação dos Comerciantes de Material de Construção), também é lojista de material de construção na capital paulista. Ele é conhecido no setor como Guto.

Estudo cita endividamento e saúde mental no setor

“As bets viraram pandemia”, apontou Guto. Segundo ele, o Hospital das Clínicas de São Paulo apresentou um estudo sobre o tema a 17 associações do setor.

“É um vício que se coloca onde você tem empregados pedindo para ser mandados embora para poder pagar as suas dívidas com o banco ou com agiotas”, afirmou Guto, ao descrever o efeito das apostas sobre trabalhadores do setor.

A Central do Varejo não localizou publicação do estudo citado pelo dirigente com o Hospital das Clínicas de São Paulo como autor. Levantamentos de outras entidades, no entanto, documentam o mesmo fenômeno com metodologia pública.

Inadimplência e endividamento em dados nacionais

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as apostas eletrônicas retiraram R$ 143 bilhões do comércio varejista brasileiro entre janeiro de 2023 e março de 2026. O valor equivale às vendas somadas dos Natais de 2024 e 2025, segundo a entidade.

A CNC também aponta 80,4% das famílias brasileiras endividadas atualmente, ante 78% no fim de 2022. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, atribui parte do endividamento recente ao avanço das apostas sobre a renda das famílias.

Um levantamento do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC), em parceria com o NEIT/Unicamp e o Instituto Axxus, publicado em 10 de setembro, ouviu 1.500 apostadores das classes C, D e E. Também consultou 2.020 profissionais de saúde mental, entre psiquiatras, neurologistas e psicólogos.

Do total de apostadores entrevistados nesse levantamento, 81% declararam ter dívidas ativas e 74% já têm parcelas em atraso. O estudo aponta ainda que 56% dos entrevistados apostam predominante ou exclusivamente em plataformas fora do marco regulatório vigente desde 2025.

Contestação da metodologia e insegurança fiscal

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa plataformas de aposta que operam legalmente no Brasil, contesta a metodologia usada pela CNC em levantamento anterior sobre apostas online, classificando as conclusões da confederação como alarmistas.

Guto também associou o fechamento de lojas de material de construção em São Paulo à insegurança fiscal e jurídica. “Se ele for colocado, eu vou ter reduzido isso daí em um terço o meu capital de giro”, disse o dirigente, sobre o efeito esperado do split payment da reforma tributária sobre o caixa do lojista.

Ele também citou a NR-1, norma que trata da gestão de riscos psicossociais no trabalho, como fator que passa a exigir das empresas atenção formal a esse tipo de problema entre funcionários.

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Imagem: Divulgação, com qualidade ampliada por inteligência artificial

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