Colunistas
Reforma Tributária: por onde as empresas devem começar?
A reforma tributária já começou, mesmo que sua implementação aconteça de forma gradual até 2033. As empresas que esperarem pelas últimas regulamentações para agir provavelmente chegarão atrasadas. O momento é de preparação, porque as decisões tomadas agora vão influenciar competitividade, margem e capacidade de adaptação nos próximos anos.
O mercado já reconhece essa urgência. Segundo levantamento da PwC Brasil, 83% das empresas esperam um impacto alto e imediato da reforma tributária, mas 37% ainda estão apenas nos estágios iniciais de avaliação desses impactos, o que revela um cenário preocupante: a consciência sobre a mudança existe, mas a preparação ainda não acompanha esse ritmo.
Ainda é comum tratar a reforma como uma pauta exclusiva das áreas fiscal e contábil, só que o novo modelo altera a dinâmica da formação de preços, da gestão do fluxo de caixa, do aproveitamento de créditos tributários e até das estratégias comerciais, em outras palavras, a discussão agora é sobre gestão.
Por isso, antes de perguntar quanto a empresa pagará de tributos, a pergunta mais importante é outra: o negócio conhece, de fato, seus próprios números? Sem uma visão clara sobre margens, custos, rentabilidade e geração de caixa, será impossível medir o impacto das mudanças e tomar decisões com segurança.
Esse deve ser o verdadeiro ponto de partida
Antes de revisar processos fiscais, as empresas precisam organizar suas informações financeiras e construir capacidade para simular cenários. Cada modelo de negócio será afetado de forma diferente pela adoção da CBS e do IBS, o que torna o diagnóstico financeiro uma etapa indispensável da adaptação.
Essa necessidade fica ainda mais evidente diante do longo período de transição, pois até 2033, empresas vão conviver simultaneamente com dois sistemas tributários, aumentando a complexidade operacional. Nesse ambiente, controles descentralizados, planilhas e processos manuais representam um risco para o negócio.
Outro levantamento, realizado pela Thomson Reuters, mostra que mais da metade das empresas brasileiras ainda se considera iniciante na preparação para a reforma, embora 90% reconheçam que ela terá impacto médio ou alto em suas operações. O desafio, portanto, não é entender que a mudança virá, mas transformar essa percepção em planejamento.
Movimento pode gerar ganhos muito além da conformidade tributária
Empresas que investirem em integração de sistemas, qualidade dos dados e inteligência financeira estarão mais preparadas para revisar preços, proteger margens, otimizar o capital de giro e identificar oportunidades que antes ficavam escondidas na operação.
Isso também reposiciona o papel do financeiro dentro das organizações, que além de garantir conformidade, precisam ser protagonistas nas decisões estratégicas, apoiando crescimento, expansão e rentabilidade com base em dados consistentes. A reforma tributária acelera uma transformação que já era necessária, com o financeiro responsável pelo futuro do negócio.
A adaptação à reforma pede o conhecimento sobre a legislação, mas será determinada pela capacidade das empresas de organizar informações, integrar processos e transformar dados em decisões. Quem começar esse movimento agora terá não apenas uma transição mais segura, mas também uma vantagem competitiva importante nos próximos anos.
Leia também: Reforma tributária exige gestão financeira mais estratégica nas franquias
* por Maurício Galhardo, sócio na F360 e especialista em gestão financeira para franquias
