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Restaurantes temáticos ganham espaço com avanço das experiências no food service

Consumidores buscam cada vez mais experiências que unem gastronomia e entretenimento. Nesse cenário, novas operações licenciadas ampliam a presença dos restaurantes temáticos no Brasil.

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Restaurantes temáticos ganham espaço com avanço das experiências no food service

A procura dos consumidores por experiências que vão além da alimentação tem impulsionado a expansão dos restaurantes temáticos no Brasil. Ao combinar gastronomia, entretenimento e marcas licenciadas, esse modelo de negócio busca transformar a refeição em um momento de lazer, aumentando o tempo de permanência do público e fortalecendo a conexão com as marcas.

A inauguração da primeira pizzaria oficial das Tartarugas Ninja, na Avenida Paulista, em São Paulo, é um dos exemplos desse movimento. A Central do Varejo foi convidada para conferir a soft opening do local na última quinta-feira (06) e conferiu com exclusividade como o local receberá os fãs que querem unir o food service a uma experiência imersiva no mundo das Tartarugas Ninja.

Além disso, o portal também realizou uma entrevista com Fernando Saad, fundador, CEO e Head de Expansão da Fan&Food, sobre a expansão do setor, o empreendimento e mais.

Por que os restaurantes temáticos atraem mais consumidores?

O crescimento do segmento de restaurantes temáticos acompanha um cenário favorável para o mercado de entretenimento. Segundo o Panorama Setorial, produzido por SINDEPAT, ADIBRA e Noctua Advisory, parques e atrações brasileiros receberam 143 milhões de visitantes em 2025 e registraram faturamento de R$ 9,5 bilhões, alta de 12,8% em relação ao ano anterior.

O estudo também aponta R$ 11,5 bilhões em investimentos previstos para o setor. Já a PwC projeta crescimento médio anual de 4,4% para o mercado brasileiro de entretenimento até 2029, acima da média global de 3,7%.

Nesse contexto, operações que unem alimentação e experiências presenciais passam a disputar não apenas o consumo de refeições, mas também parte do orçamento destinado ao lazer.

Para Fernando Saad, a mudança começou pelo próprio comportamento do consumidor.

“Na verdade, esse movimento começa pelo próprio consumidor. Hoje, principalmente nas grandes cidades, sair para comer deixou de ser apenas uma necessidade e passou a representar uma forma de lazer. As pessoas procuram locais que ofereçam boa gastronomia, entretenimento e experiências capazes de reunir amigos e familiares em um mesmo ambiente.”

Segundo o executivo, essa transformação fez com que o setor deixasse de competir apenas por preço ou conveniência.

“Esse comportamento fez com que o food service passasse a investir cada vez mais em experiências completas. Quando um restaurante consegue criar uma conexão emocional com o cliente, ele deixa de competir apenas por preço ou conveniência. O consumidor permanece mais tempo no local, compartilha espontaneamente a experiência nas redes sociais, retorna com maior frequência e passa a recomendar aquele espaço. A refeição deixa de ser apenas uma refeição e se transforma em uma memória.”

Na avaliação de Saad, o crescimento do mercado de entretenimento também impulsiona novos formatos de negócios no setor.

“O crescimento do mercado de entretenimento acaba inspirando todo o setor. À medida que novos projetos surgem e conquistam o público, cresce também a busca por formatos inovadores que unam lazer e gastronomia.”

Ele acrescenta que essa tendência amplia o papel dos restaurantes.

“Isso abre espaço para modelos híbridos, nos quais o restaurante deixa de ser apenas um ponto de alimentação e passa a ser um destino. Conceitos como restaurantes temáticos e operações de eatertainment ampliam o mercado potencial do food service, já que passam a disputar não apenas a ocasião de consumo, mas também parte do orçamento destinado ao entretenimento. No fim, todo o setor ganha com operações mais qualificadas e experiências mais completas para o consumidor.”

Como foi a visita exclusiva?

O local é próximo à estação de metrô Trianon-Masp. Pouco menos de cinco minutos andando, já é possível enxergar o local temático. Dentro do restaurante, a capacidade é de 160 pessoas e o ticket médio, informado à reportagem, é de R$ 60 a R$ 80.

No menu, diversas opções clássicas, como pizza de calabresa e mussarela, até as mais inovadoras e exportadas de Nova Iorque, local em que o desenho é centrado. Dentre as opções mais diferentes estão uma pizza de pepperoni com mussarela e mel e a tradicional pizza de presunto com pedaços de abacaxi. Uma bebida especial: uma água saborizada de menta e com a decoração de um dos personagens da franquia. Existem opções de doces e opções vegetarianas.

Restaurantes temáticos ganham espaço com avanço das experiências no food service
Crédito: Central do Varejo/Arquivo pessoal

O espaço é todo decorado com imersão: na entrada, é possível ver os personagens, logo ao lado uma loja com merchs oficiais com diversos produtos, como meias, camisetas, pelúcias e mais, e espaços como o metrô de Nova Iorque, com lugares para sentar e aproveitar a experiência enquanto come.

Restaurantes temáticos ganham espaço com avanço das experiências no food service
Crédito: Central do Varejo/ Arquivo pessoal

Como os restaurantes temáticos mudam a experiência do cliente?

Segundo Fernando, a combinação entre gastronomia, entretenimento e propriedades intelectuais fortalece a relação entre consumidores e marcas.

“O Brasil possui um público muito receptivo a experiências e uma forte cultura de convivência e socialização. Quando gastronomia, entretenimento e grandes marcas são combinados de forma consistente, cria-se um modelo que entrega muito mais valor do que apenas uma refeição.”

Para ele, essa transformação deve continuar nos próximos anos.

“Essa não é uma tendência passageira. Talvez, no passado, esse segmento não tenha recebido a atenção que merecia, mas hoje ele ocupa um papel central na estratégia de muitos negócios. Os formatos certamente vão evoluir, mas a busca do consumidor por emoção, interação e experiências memoráveis deve continuar impulsionando esse mercado nos próximos anos.”

O executivo afirma que o ambiente dos restaurantes também passou a integrar a estratégia das empresas.

“Hoje, o restaurante precisa ser pensado quase como um conteúdo. Cada ambiente, cada elemento cenográfico, a iluminação, a narrativa e até a tecnologia utilizada fazem parte da experiência.”

Segundo ele, esse comportamento está relacionado principalmente às novas gerações.

“As novas gerações fotografam, gravam vídeos e compartilham tudo em tempo real. Isso transforma o próprio consumidor em um divulgador espontâneo da marca. Por isso, arquitetura, design e ambientação deixaram de ser apenas questões estéticas e passaram a integrar diretamente a estratégia de negócio.”

Além da qualidade da comida, Fernando Saad acredita que fatores como entretenimento, ambientação e atendimento personalizado passaram a influenciar a decisão do consumidor.

“Boa gastronomia, bom atendimento e eficiência operacional já são requisitos básicos. O diferencial está na capacidade de gerar lembranças e proporcionar experiências.”

“Espaços que oferecem entretenimento, ambientação temática, atendimento personalizado, ações interativas e uma narrativa consistente conseguem criar conexões emocionais mais fortes com o público. Quanto maior a capacidade de despertar emoções positivas, maior tende a ser a relevância daquele restaurante para o consumidor.”

pizzaria tartarugas ninja
Crédito: Central do Varejo/ Arquivo pessoal

Qual o futuro dos restaurantes temáticos no Brasil?

A inauguração da Teenage Mutant Ninja Turtles Pizzeria (TMNT) ilustra essa estratégia. O restaurante, localizado na Avenida Paulista, ocupa uma área de 500 metros quadrados e tem capacidade para 160 pessoas. O espaço reúne salão, cenários inspirados no universo clássico das Tartarugas Ninja, áreas interativas e uma loja oficial com produtos licenciados.

Segundo Fernando Saad, a escolha da franquia ocorreu pela identificação entre a marca e o universo da pizza.

“A escolha das Tartarugas Ninja reúne diversos fatores. A marca possui enorme relevância cultural, atravessa diferentes gerações e mantém uma ligação natural com pizza, um dos elementos mais icônicos da franquia.”

Ele afirma que a expectativa vai além da abertura de um restaurante.

“Além disso, existe uma parceria consolidada entre a Fan&Food e a Paramount/Nickelodeon, o que permitiu desenvolver uma experiência fiel ao universo da marca. Nossa expectativa vai muito além da abertura de uma pizzaria. Queremos criar um destino de entretenimento para fãs, famílias e apaixonados pela franquia, oferecendo uma experiência capaz de emocionar e gerar satisfação para quem visitar o espaço. Muitos de nós também somos fãs da marca, o que torna esse projeto ainda mais especial.”

Sobre a escolha da Avenida Paulista, o executivo destaca o potencial da região para consolidar o conceito.

“A Avenida Paulista reúne características únicas. Além de ser um dos principais cartões-postais do Brasil, concentra moradores, turistas, estudantes, empresas e um fluxo intenso de visitantes durante todos os dias da semana.”

“Para uma operação licenciada internacionalmente e baseada em experiência, lançar o projeto na Paulista significa estrear em um dos endereços mais emblemáticos e relevantes do país. É a combinação de uma grande marca com um grande palco. Essa localização fortalece a visibilidade da operação, permite validar o conceito em um mercado altamente competitivo e cria uma base sólida para a estratégia de expansão da Fan&Food, posicionando suas operações como referências em gastronomia e entretenimento”, finaliza.

Imagem destacada: Magnific

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