Economia
Faturamento real das PMEs cresce 3,2% no 2T2026, aponta IODE-PMEs
Índice da Omie acumula alta de 3,7% no semestre, mas Indústria perde ritmo e Infraestrutura recua 7,0% no trimestre; Comércio protagoniza a virada mais expressiva do período
O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) mostra que a movimentação financeira real média das pequenas e médias empresas brasileiras cresceu 3,2% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Com o resultado, o índice encerra o primeiro semestre com alta acumulada de 3,7%, quarto trimestre consecutivo de expansão, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado entre o fim de 2025 e o início deste ano.
O IODE-PMEs acompanha 756 atividades econômicas de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, distribuídas nos setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.
O desempenho ocorre em um cenário de reversão inflacionária: o IGP-M, calculado pela FGV, saiu de deflação de 1,83% em 12 meses no fim do primeiro trimestre para alta de 3,16% ao fim de junho, puxado por combustíveis e alimentos em meio ao conflito no Oriente Médio. A taxa de desocupação, por outro lado, recuou a 5,6% no trimestre encerrado em maio, menor patamar da série histórica para o período, com alta de 4,0% no rendimento médio real do trabalhador.
Em junho, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, mantendo tom cauteloso diante da piora nas expectativas de inflação.
IODE-PMEs mostra Comércio em recuperação e Infraestrutura em queda
A Indústria, que liderava o desempenho no início do ano, perdeu força no segundo trimestre, com alta de 1,7%, ante 6,7% no primeiro. Ainda assim, o setor fechou o semestre com alta acumulada de 4,1%, puxada por metalurgia, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos e produtos de madeira.
As PMEs de Serviços cresceram 3,6% no trimestre e acumulam alta de 2,3% no semestre, com destaque para atividades financeiras, transportes e armazenagem, e saúde humana. Alimentação e Educação seguem no campo negativo.
O Comércio teve a virada mais expressiva do trimestre: após recuos sucessivos, o setor cresceu 4,6% no período e acumula alta de 1,3% no semestre, com destaque para junho (+7,0%) e para o comércio e reparação de veículos automotores.
A Infraestrutura teve o caminho inverso, com recuo de 7,0% no trimestre, pior desempenho entre os grandes grupos, refletindo a desaceleração da construção civil sob juros elevados. Descontaminação e gestão de resíduos e Eletricidade sustentaram desempenho positivo no período.
Na leitura regional, o índice segue positivo no Sudeste (+4,3% no semestre), Sul (+7,3%) e Norte (+12,5%), enquanto Nordeste (-1,6%) e Centro-Oeste (-4,8%) passaram a registrar retração no acumulado do ano.
Omie eleva projeção para 2,6% em 2026
A Omie revisou a projeção do IODE-PMEs para 2026 de 2,2% para 2,6%, ante alta de 1,8% em 2025. Para 2027, a estimativa inicial é de crescimento mais moderado, de 1,7%, refletindo os efeitos ainda defasados da política monetária restritiva e a expectativa de que os juros recuem de forma mais intensa apenas a partir do próximo ano.
Segundo a Omie, o calendário da Reforma Tributária deve exigir decisões concretas das PMEs já em 2026: em setembro, abre-se a janela para opção pelo Simples Nacional Híbrido, que definirá o recolhimento de IBS e CBS a partir de 2027, quando começa a transição do PIS/Cofins para a CBS.
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Imagem: Envato